terça-feira, 23 de Outubro de 2012 11:29h Gazeta do Oeste

Flagrante mostra como funcionários de financeiras agem no Centro de BH

 Em Belo Horizonte, é proibido abordar pessoas na rua para oferecer dinheiro emprestado, mas a reportagem da TV Globo Minas flagrou funcionários de instituições financeiras descumprindo a lei.

Rua Curitiba, Centro da cidade, na porta do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Neste endereço, o produtor é abordado. “Caso você receba um salário, ‘cê’ pode pegar até 6 mil, se for aposentado ou pensionista. Parcelas de 160. Primeira parcela só em dezembro”, diz o funcionário da financeira. Segundo o jovem, este total pode ser parcelado em 58 vezes.

Ele explica também o que o produtor deve fazer para conseguir o empréstimo. “Precisa pegar só a carta de margem aqui. Porque a carta de margem vai mostrar se o benefício, realmente, pode fazer e sua margem atual. É rapidinho. ‘Cê’ pegando, eu te levo lá e já faço a simulação. Digita na hora”, explica. O homem é insistente e se oferece para acompanhar o suposto cliente até a loja onde poderá efetivar o negócio.

Quatro dias após o primeiro flagrante, na porta da agência, o mesmo homem e mais duas pessoas são filmados, nesta segunda-feira (22), oferecendo dinheiro consignado. Uma mulher tenta convencer outro produtor. “Se quiser 2 mil, 3 mil, 4 mil. Fica a seu critério”, afirma.

Em seguida, um homem convence a aposentada Elizeth Freitas Costa, que tinha acabado de sair do INSS, a fazer um empréstimo. Ele leva a mulher até o banco, onde ela possui uma dívida, e consegue levantar alguns dados.

Depois, eles vão até a financeira em que a aposentada deu entrada nos papéis para fazer a transação. Além de desrespeitar a lei municipal, ainda há um agravante, pois a aposentada não sabe ler. Ela conta que precisou usar as digitais para fazer o empréstimo e diz que não ficou com nenhum comprovante. De acordo com o Procon, a prática é abusiva.

O banco BMG, que teria feito os empréstimos flagrados pela reportagem, informou que só firma contrato com pessoas analfabetas quando o documento é assinado por um representante legal. A instituição informou que não permite abordagem desta natureza e que algumas pessoas usam a marca do banco para facilitar a captação de clientes. O BMG disse que vai adotar as medidas necessárias. A lei municipal prevê multa de R$ 800 por dia para quem oferece dinheiro consignado na rua.

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.