terça-feira, 30 de Outubro de 2012 06:18h Gazeta do Oeste

Guarda Municipal e polícias apuram supostos erros após agressão em BH

A Guarda Municipal, a Polícia Militar (PM) e a Polícia Civil informaram, nesta segunda-feira (29), que apuram supostos erros ocorridos após um caso de agressão na Savassi, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Um jornalista, que não quis se identificar, relata que, na madrugada deste sábado (27), ele e um amigo foram agredidos por dois homens com características de skinheads. O rapaz reclama do atendimento de guardas e policiais. “Foi a primeira vez que precisei da policia, e o poder das três [corporações] me foi negado”, relatou.

O jornalista conta que voltava com o amigo de uma apresentação musical em uma casa de shows na região da Savassi. Segundo ele, quando estavam se despedindo, foram abordados por dois homens de cabeça raspada, musculosos, tatuados e brancos. Os agressores teriam atingido os rapazes com chutes e socos e, depois, teriam jogado uma pedra, que acabou acertando a cabeça do amigo do jornalista.

A confusão teria acontecido perto de um carro da Guarda Municipal, que não teria prestado socorro às vítimas. “Eles [os guardas] disseram: a gente não pode fazer nada, liga para o 190”, afirma o jornalista. Procurada pelo G1, a corporação afirmou que o Comando da Guarda Municipal lamentou o ocorrido e determinou abertura de apuração para verificar em quais circunstâncias o fato ocorreu e a possível falha dos seus agentes. Os guardas serão ouvidos até está terça-feira (30) para que apresentem a versão deles para o fato e, a partir daí, as providências cabíveis serão tomadas.

De acordo com o jornalista, conforme a orientação da Guarda, ele acionou a Polícia Militar. O atendente teria informado que uma viatura iria ao local e que, devido aos ferimentos do amigo, o boletim de ocorrência deveria ser feito no posto da Polícia Civil do Hospital do Pronto-Socorro João XXIII. Entretanto, chegando à unidade de saúde, o policial não registrou a ocorrência e informou que eles deveriam se dirigir a outra delegacia, conforme relatou o jornalista. Segundo ele, a ocorrência somente foi registrada, neste domingo (28), na Delegacia Seccional Leste.

O G1 também entrou em contato com a Polícia Civil, que afirmou que todo posto policial é obrigado a receber queixa e que este foi um erro individual. Segundo a corporação, a denúncia vai ser investigada pela polícia, para que possíveis providências internas sejam tomadas. De acordo com a PM, a gravação da ligação para o 190 está sendo analisada para verificar se houve erro no atendimento neste caso.

Medo
Depois da agressão, um sentimento tomou conta do jornalista: o medo. “Eu estou com medo porque você esta na rua e é atacado e medo porque você precisa da ajuda de quem faz a segurança e não é atendido”, desabafou. Ele não acredita que tenha sido agredido por um motivo específico. “Foi uma violência extremamente gratuita. Não acho que foi crime de homofobia como estão falando nas redes sociais. Acho que isso foi crime de ódio. Skinhead tem ódio de tudo, até da sombra deles”, explicou.

O jornalista quer que o caso vivido por ele sirva de exemplo para que outras não passem pelo mesmo. “Eu acredito e tenho fé que isso pode mudar”, afirmou.

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