quinta-feira, 20 de Março de 2014 06:14h Atualizado em 20 de Março de 2014 às 06:20h. Carina Lelles

Jardim Copacabana

Bandidos impõem toque de recolher e amedrontam moradores.

Há cerca de 10 dias, a Gazeta do Oeste, recebeu denúncias sobre vários problemas relacionados à segurança pública no bairro Jardim Copacabana em Divinópolis. As denúncias vão desde o tráfico de drogas, até a formação de milícias que impõem o toque de recolher no bairro.
Durante este período, a reportagem esteve no bairro diversas vezes, durante o dia, para checar às denúncias, além disso, conversamos com moradores que, por medo, preferiram não serem identificados.
Um dos moradores revelou a nossa reportagem que um homem em uma motocicleta passa, principalmente nos fins de semana e a noite, exibindo uma arma pelas ruas do bairro. “Ele já chegou a fazer disparos para o alto. Algumas pessoas dizem que ele está atrás de dois irmãos que o devem dinheiro”. Segundo o morador, a dívida seria relacionada ao tráfico de drogas. “Com isso a gente fica com medo e não fica na rua a noite. Ninguém chegou de casa em casa falando pra gente não sair, mas ninguém quer pagar pra ver”, ressaltou.
Mãe de três filhos, outra moradora revela que não é somente este homem que anda armado e ela teme pela segurança dos filhos. “Eu realizei um sonho de ter a minha casa própria, mas minha vida é só de preocupação aqui. Tem muito malandro que anda com arma na cintura e gente assim não tem medo de atirar. Trabalho durante o dia e dois filhos meus ficam em casa, um deles tem 12 anos e eu tenho medo que ele se envolva em coisa errada. Não posso deixar meu trabalho para ficar cuidando dos meus filhos, mas também não tem como deixar eles convivendo com essas pessoas. Tem adolescente aqui, jovem de 20 anos que acha bonito ser bandido”, desabafa a moradora.
Em contato telefônico com a nossa redação, uma mulher que diz ser moradora do bairro denunciou que o problema lá é grave e que, além do tráfico de drogas, há casas servindo de prostíbulos. “Por cinco reais qualquer um transa com as mulheres e tem menores no meio. A gente não pode fazer nada com relação a isso. Se descobrem que estamos denunciando é capaz até de matar a gente”, afirma. A mulher ainda completa que brigas são constantes no bairro. “Eles brigam de facão, pedradas, ficam bem machucados. A gente chama a Polícia e eles não vem, quando vem, chegam depois de quatro, cinco horas que chamamos”, reclama.
Responsável pela segurança na região, o Capitão da Polícia Militar, Douglas Guimarães Lima afirma que parte dos problemas apontados pelos moradores já é de conhecimento do 23º Batalhão da Polícia Militar. “Alguns problemas como o tráfico de drogas, marginalidade e aliciamento de menores já é de conhecimento da Polícia Militar. Mas, denúncias específicas como locais e determinados suspeitos ainda não tínhamos conhecimento. É um fato que deixa nós policiais chateados porque as pessoas não denunciam, de modo correto, que todo mundo já tem acesso e conhecimento como, por exemplo, o 181 no qual o sigilo da identidade da pessoa que denuncia é garantido”, ressalta. O Capitão ainda completa que o 181 “é um canal acessível a todos e que não é utilizado. Quando a pessoa denuncia para as Polícias Militar e Civil, temos o interesse muito grande em proteger estas”.
Segundo o Capitão, a partir das informações repassadas pela reportagem, vai ser programada uma operação para que os militares monitorem mais o bairro e o serviço de inteligência vai levantar mais informações a respeito dos criminosos que estão causando temor aos moradores de bem.

 

Localização
O Jardim Copacabana fica as margens da BR-494 e é um bairro isolado dos outros da região. Por este motivo, segundo o Capitão Douglas, “é que os marginais se sentem mais a vontade”. O fato do bairro não ser de passagem, como por exemplo, o bairro Sidil, onde as viaturas passam o tempo todo para se deslocarem para outros bairros, também facilita a sensação de falta de policiamento. “É um bairro onde temos que mandar militares para fazer um policiamento específico lá e isso dificulta um pouco porque temos muitas demandas, locais diferentes da cidade que também exigem nossa atenção”.
Por outro lado, o Capitão Douglas ressalta que este mesmo isolamento determina que haja poucos usuários de drogas para comprar o entorpecente destes traficantes e isso faz com que ele tenha um poder aquisitivo menor e menos acesso a expansão dos negócios ilícitos. “É uma questão preocupante que temos que tomar uma atitude e será sim tomada”, afirma.

 

Tráfico
O crime de tráfico de drogas é difícil de ser combatido segundo o militar. Ele ressalta que existem outros pontos da cidade que merecem muita atenção com relação a este ato de ilegalidade como os bairros Maria Helena, Padre Eustáquio, São Luiz e Del Rey. “Este tipo de crime é muito difícil de ser combatido. A gente prende muito traficante, mas o traficante que a gente prende é o traficante do varejo, aquele que é aliciado. O grande traficante mesmo, que é o sujeito que fala três línguas, que tem versatilidade, que consegue entrar em contato com traficantes de outros países, este raramente é preso pelas polícias locais, é um serviço que afeta mais a Polícia Federal. Prendemos muitos traficantes, mas para cada um que prendemos aparecem cinco novos. Mas a gente continua no combate, levando segurança para as pessoas de bem, dando atenção às solicitações quando a pessoa se sente atemorizada. É importante que ela procure a Polícia Militar”.
Para finalizar, capitão Douglas destaca que a população deve denunciar: “Sempre denunciem, não percam a fé na Polícia. Temos problemas, não conseguimos estar em todos os locais ao mesmo tempo, mas posso afirmar que todos os militares tem interesse e vontade de combater o crime e garantir segurança à população”.

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