sexta-feira, 12 de Agosto de 2011 15:47h Atualizado em 12 de Agosto de 2011 às 22:42h. Natalia Santos

João Pedro Rezende perde cargo de chefia e é transferido para Lavras

O delegado e até então chefe do 7º Departamento de Polícia Civil, João Pedro de Rezende, foi afastado do cargo nessa última quinta-feira (11) pela Corregedoria de Polícia. Segundo a assessoria do órgão, ele é suspeito de envolvimento em um suposto esquema de venda de carteiras de habilitação em Formiga e cidades da região. Rezende foi transferido para a cidade de Lavras, onde atuará como delegado civil na cidade. Enquanto o processo não for julgado pela Corregedoria e pela Justiça, João Pedro Rezende pode continuar exercendo a função de delegado.

 

O filho dele, o investigador Alexandre Clayton Rezende, que também estaria envolvido, foi transferido para Poços de Caldas. Durante as investigações, a Delegada Regional de Divinópolis, Aparecida Dutra Quadros, assume interinamente o comando do 7º Departamento, que é responsável pelas delegacias regionais de Divinópolis, Formiga, Pará de Minas e Bom Despacho. Para Aparecida ser empossada oficialmente, primeiro deverá ser nomeada como delegada geral. Atualmente Dutra, é delegada especial e comandante da 1ª Regional da Polícia Civil.



CASO

 

No dia 27 do mês passado, a Corregedoria de Polícia Civil solicitou à Justiça a quebra do sigilo fiscal dos acusados. João Pedro Rezende seria proprietário de uma fazenda avaliada em cerca de R$ 5 milhões, segundo a Corregedoria.

 

No inquérito consta que Rezende é suspeito de ter adquirido a propriedade e a registrado em nome de Olinto Lourenço de Almeida, pai do investigador da polícia de Formiga Luiz de Almeida. “Posteriormente, João Pedro ‘adquiriu’ de Olinto tal propriedade por preço irrisório, estando hoje registrada em nome do mesmo”, diz trecho do inquérito policial que corre em segredo de Justiça.

 

De acordo com reportagem do jornal Hoje em Dia, o promotor do caso, Ângelo Ansanelli, já havia realizado um levantamento prévio sobre os bens dos envolvidos e constatado anormalidades. “Colhidas as informações, oficiamos ao CAO-CRIMO/GCOC (estrutura de combate ao crime organizado do Ministério Público), que, em levantamentos preliminares, confirmou que o patrimônio dos policiais civis acima mencionados é incompatível com a renda inerente aos cargos por eles exercidos”, diz trecho de um relatório do promotor com data de 29 de outubro de 2010.

 

Neste mesmo documento, ele informa que ficaram constatados inúmeros veículos cadastrados em nome de Alexandre Clayton Rezende, fato que “confirma as suspeitas do esquema de corrupção realizado para facilitação de obtenção de Carteiras de Habilitação”. O delegado Alexandre Clayton de Rezende é dono de um escritório de despachante em Formiga, suspeito de envolvimento com a quadrilha que cobra “taxa” para conceder a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no Centro-Oeste de Minas. A empresa está em nome de “laranja”. É o que aponta relatório do Ministério Público Estadual (MPE).

 

Durante a investigação, a quadrilha desconfiou que estava na mira da Corregedoria. Tanto é que uma das escutas telefônicas mostra um dos instrutores envolvidos dizendo que seu telefone “era fria”. Em outro trecho, os envolvidos reclamam que quatro instrutores de exames foram afastados pelo Departamento de Trânsito (Detran). Todos eles eram parte operacional da quadrilha, segundo o Ministério Público.

 

DO OUTRO LADO

 

O ex-chefe da Polícia Civil de Divinópolis, João Pedro Rezende confessou que todas as denúncias só geram desconforto em sua convivência profissional e familiar. Ele afirmou que as denúncias são infundadas e emendou “eu gostaria que apresentasse algumas das acusações de tantas, que estão falando que tenha meu nome”, desafiou João Pedro. O delegado disse ainda que “estão” se aproveitando da situação. O processo, que é acompanhado pelo Ministério Público, corre em segredo de justiça.
 

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