terça-feira, 27 de Novembro de 2012 05:10h Gazeta do Oeste

Mais um ônibus é incendiado no Aglomerado da Serra e protestos continuam

O clima continua tenso no Aglomerado da Serra Região Centro-Sul de Belo Horizonte, nesta terça-feira. Por volta de 1h19, moradores incendiaram um ônibus fretado da Saritur que levaria trabalhadores à comunidade. Segundo a Polícia Militar (PM), homens invadiram o veículo, mandaram os passageiros descerem e colocaram fogo. Um caminhão reboque foi acionado para retirar esse veículo, mas também foi alvo de ataques de moradores. O caminhão não foi totalmente destruído, no entanto está muito danificado.

Cerca de 30 policiais militares, em 10 viaturas, ocupam o aglomerado hoje na tentativa de conter protestos da população e garantir a segurança. Alguns serviços para a população já estão prejudicados, como por exemplo o transporte público. Os coletivos da linhas 4107 (Caiçara/Serra) e suplementar 102 (Nossa Senhora de Fátima/Hospital Evangélico) não estão subindo até o ponto final dentro do aglomerado e os passageiros precisam sair da comunidade para pegar os ônibus.

A morte do servente de pedreiro Helenilson Eustáquio da Silva Souza, de 24 anos, durante uma abordagem de policiais militares é o motivo da revolta entre os moradores. Na segunda-feira, um ônibus foi queimado e houve tentativa de incendiar um micro-ônibus, que acabou depredado. Parentes do servente garantem que ele foi executado friamente com um tiro na cabeça por um sargento do Policiamento em Áreas de Risco (Gepar). Os policiais envolvidos na ocorrência afirmam que a vítima estava armada, em companhia de três homens, e reagiu, sendo então atingida no peito.

O tenente-coronel Alberto Luiz Alves, assessor de comunicação da corporação, disse que Helenílson tem envolvimento com o tráfico de drogas e já teve um mandado de prisão contra ele. No entanto, o coronel afirma que independente disso a atuação da PM tem que se voltar para preservação da vida. O sargento que atirou no servente de pedreiro tem 19 anos de carreira militar, e segundo o coronel, nunca se envolveu em problemas e é um profissional preparado para trabalhar em comunidades.

A Corregedoria da PM foi acionada para averiguar se houve excessos, assim como uma equipe da Divisão de Crimes contra a Vida, da Polícia Civil, que está apurando as circunstâncias da morte. O sargento que fez o disparo, um cabo e um soldado que o acompanhavam foram presos em flagrante. A morte do servente repercutiu rapidamente entre a população do aglomerado, que tomou as ruas em protesto. Os moradores chegaram a enfrentar a polícia lançando pedras e foguetes, sendo repreendidos com balas de borracha e bombas de efeito moral.

O fato ocorreu por volta das 16h de ontem, entre os becos João Paulo II e Pássaros, na Vila Marçola, próximo à Rua da Água. De acordo com o tenente Antônio Teodoro, do 22º Batalhão, desde as 10h o Centro de Operações da PM vinha recebendo informações de que homens armados teriam sido vistos circulando na esquina das ruas Mangabeiras e da Água, no aglomerado. “Uma equipe do Gepar da 127ª Cia. do 22º Batalhão veio verificar o que estava acontecendo. Foi aí que, ao se deparar com os homens, um deles armado, eles se assustaram e um reagiu, sendo baleado no peito. Estamos registrando a ocorrência como lesão corporal seguida de morte, já que os nossos policiais prestaram socorro ao baleado.” Segundo o tenente, os outros homens conseguiram escapar.

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