quinta-feira, 11 de Outubro de 2012 11:04h Gazeta do Oeste

Medo faz PMs andarem em comboio em São Paulo

A série de ataques que já mataram 79 policiais militares neste ano transformou a rotina dos integrantes da corporação. PMs que moram na periferia de São Paulo já fazem comboios para não serem pegos sozinhos pelos criminosos na volta para casa. E há até quem fale em um “código vermelho”, que prevê a morte de dez bandidos para cada PM assassinado. Mudar de cidade é outra alternativa que vem sendo cogitada por alguns.

“Policiais que moram nas zonas leste e sul se juntam e vão de moto ou mesmo de carro para se precaver”, conta o sargento Nelson José de Brito, de 49 anos, que trabalha na região do Jardim Ângela, na zona sul, no 37.° Batalhão da PM - onde atuava o soldado Hélio Miguel Barros, de 36 anos, assassinado na segunda-feira em Taboão da Serra.

Com 29 anos de profissão, o sargento Brito toma precauções antes de voltar para casa, no Capão Redondo. “Ligo para minha mulher para saber se há algum estranho rondando”, diz. No entanto, ele se recusa a tirar a farda na volta do trabalho. “Acho isso um constrangimento.”

Outros na região, porém, não veem o menor problema em guardar a farda na bolsa. “Mesmo com as pessoas sabendo que sou policial, é bom evitar que fiquem me ‘ganhando’ na volta para casa”, diz um soldado de 30 anos que trabalha na zona sul. Ele prefere pagar o ônibus - policiais têm o benefício de usar o transporte público gratuitamente desde que estejam uniformizados - a evitar exposição.

Alguns encontram saídas mais radicais: um PM da região do Campo Limpo, na zona sul, planeja deixar o Estado por causa da insegurança. E o medo também chegou aos policiais civis. Um investigador de Taboão da Serra, na Grande São Paulo, cidade que foi cenário de cinco mortes depois do assassinato do soldado Hélio Barros, evita fazer os mesmos caminhos. “Além disso, estou usando o carro da minha mulher. Os ladrões só estão matando quem fica vacilando”, diz.

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