quarta-feira, 13 de Julho de 2011 10:45h Venilton Ferreira

Militar da capital mineira é preso por beneficiar traficantes

Um sargento do Batalhão de Rondas Táticas Metropolitanas (Rotam) está preso acusado de fornecer informações privilegiadas a traficantes sobre operações policiais na Pedreira Prado Lopes, principal ponto de distribuição de crack em Belo Horizonte. A informação é do delegado Marcos Alves, da Polícia Civil, que revelou ainda que outros três soldados estão sob investigação. Os militares estariam beneficiando rivais de Roni Peixoto, braço direito de Fernandinho Beira-Mar, 41, foragido desde a última quinta-feira, em troca de propina. A voz do sargento, segundo o delegado, teria sido reconhecida em interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça. "Notamos que o nome dele era citado com frequência", disse o inspetor Gilberto Bracelares, que participa das investigações. O assessor de imprensa da Polícia Militar, Capitão Gedir Rocha, confirmou a prisão do sargento. Segundo ele, o militar foi internado na clínica Serra Verde por determinação judicial. Os motivos da internação não foram esclarecidos. O Capitão afirmou, no entanto, que desconhece as investigações sobre os três soldados que fariam parte da guarnição do sargento. O processo administrativo aberto para apurar o caso do sargento está em fase de conclusão, disse o assessor. Ontem, durante uma entrevista coletiva, a Polícia Civil apresentou o balanço de ações que teriam se iniciado no fim do ano passado contra o tráfico na Pedreira. Ao todo, nos últimos meses, seis traficantes considerados alvos importantes da polícia foram capturados. A prisão mais recente aconteceu há uma semana quando Luís Gustavo de Almeida, o Gulu foi preso. Ele é apontado como gerente de pontos de venda de droga em um local do aglomerado conhecido como Beco do Zé da Horta. Gulu trabalharia em parceria com rivais de Roni Peixoto. Entre os traficantes presos estão três irmãos conhecidos como Bin Laden, Branco e Som, que lideravam outro grupo de criminosos na parte baixa da Pedreira e vinham atuando na área antes dominada por Peixoto. Wemerson Ribeiro de Souza e Waldir Fernando Chicarelli, apontados como homens de confiança da quadrilha de Bin Laden, também estão presos. Devido a uma ordem judicial, os envolvidos nas ocorrências não foram apresentados. "Descobrimos que ele (sargento) recebia propina para retirar o Bin Laden de cena quando fosse acontecer alguma operação da polícia", revelou o inspetor Gilberto Bracelares. Um suspeito identificado como “Muito Doido” e apontado pela polícia como o responsável por trazer crack do Mato Grosso para as quadrilhas da Pedreira Prado Lopes está foragido. De acordo com a polícia, calcula-se que o traficante tenha trazido recentemente mais de 200 quilos da droga e de pasta base de cocaína para Belo Horizonte. A polícia estima que a cada dois meses, “Muito Doido” entregava à quadrilha de Bin Laden 150 quilos de droga, sendo a maior parte de crack. Isso representaria metade do que é distribuído no aglomerado.

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