quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015 10:22h Atualizado em 25 de Fevereiro de 2015 às 10:52h. Pollyanna Martins

Moradores do bairro Sagrada Família reclamam da falta de médico na ESF

O aviso na porta da ESF informa que os atendimentos serão retomados em abril, quando o médico retorna de suas férias

Os moradores do bairro Sagrada Família estão preocupados com a falta de médico na unidade de Estratégia de Saúde da Família (ESF), que atende também o bairro Davanuze. Quem vai ao local se depara com um aviso na porta informando que o médico da unidade encontra-se de férias e as consultas só serão agendadas a partir de abril.
A dona de casa Naiara Guimarães Martins está revoltada com a situação, pois nenhum médico foi enviado para substituir o profissional que está de férias. “Se a gente passar mal e precisar de médico tem que ir para a UPA. A gente chega à UPA, eles questionam porque nós não fomos atendidos no posto de saúde e aí tem que falar que não tem médico. Só que a nossa sorte é que a UPA não pode se recusar a nos atender”, afirma.
Além da falta de clínico geral, a dona de casa reclama da falta de pediatras. Naiara é mãe de duas meninas, a caçula está com três meses e ela teve que pedir transferência para outro posto de saúde para que a filha faça a puericultura. “Nunca teve pediatra aqui na Estratégia. Eu tenho uma filha de quatro anos também e nunca tive atendimento pediátrico. Primeiro eles tentam empurrar com a barriga, pouca gente sabe que quando não tem pediatra em uma unidade você pode pedir transferência para outra unidade. [No caso] da minha primeira filha eu tive que fazer o acompanhamento dela todo particular. Dessa [filha mais nova] agora, eles queriam que eu fizesse o acompanhamento com o clínico, mas eu exigi um pediatra, aí me transferiram para o Cesu”, relata.

 

LOCALIZAÇÃO
Além da falta de médico, os moradores reclamam da localização da unidade de saúde. Tanto carros quanto pedestres encontram dificuldade no acesso à ESF. Buracos, mato alto, pedras e areia ocupam a Rua Bom Jardim. A aposentada Libia de Oliveira Silva mora na rua há 26 anos e conta que a situação precária é problema antigo.
Segundo a aposentada, o mato alto só é retirado quando ela ou outros moradores pagam para capinar. “Quando chove, me dá vontade de comprar uma canoa, porque não tem como sair de casa. O IPTU já chegou e cobra por tudo, iluminação pública, manutenção da rua, tudo normal. Os vizinhos reclamam porque compraram casas boas, mas não tem estrutura. Em época de eleição os políticos vêm aqui, prometem, fazem uma festa, mas depois somem. Quando a gente chama o Resgate, eles já nos falam que não têm condições de entrar na rua”, lamenta.
A aposentada conta ainda que na porta de sua casa cresceu até um pé de abóbora devido ao mato alto. “Entra bicho aqui, que mata as galinhas e nos assusta de noite. Eu mesma já capinei aqui na porta, mas para ter a porta limpa nós temos que pagar. O posto de saúde está logo ali em cima, eu acho um desaforo. Eu rasguei o meu IPTU, porque a gente paga, mas não tem retorno”, reclama.

 

ACESSIBILIDADE
Quem também sofre com a falta de estrutura da rua, que dificulta o acesso à ESF, é a dona de casa Elenice Fábia da Silva. Conforme Elenice, que é cadeirante e usuária da unidade de saúde, com a situação caótica em que se encontra a rua ela só vai ao local quando é de extrema necessidade. “Eu vou quando eu preciso fazer o meu exame preventivo e quando tem alguém para me ajudar a subir. Eu vou por essas ruas aqui esburacadas, devagarzinho, com muito cuidado e morrendo de medo de cair. É o único acesso que tem para ir ao posto. Tanto faz, por cima, por baixo, todas as ruas são ruins. Não tem uma rua que dá para cortar caminho”, enfatiza.
A dona de casa ressalta também a falta de acessibilidade na ESF. A unidade não possui rampa de acesso a cadeirantes e, quando ela chega ao local para fazer uma consulta, tem que ser carregada por funcionários. “Eu vou até lá. Se tiver alguém para me carregar eu consulto, se não tiver eu volto para trás. Eu me sinto muito mal com essa situação. Eu queria que o prefeito sentasse numa cadeira de rodas e andasse nessas ruas. A última vez que eu consultei o médico foi na minha casa. Eu tenho uma amiga também, que é cadeirante, como a mãe dela está doente ela está recebendo atendimento domiciliar. Muitas coisas que a gente precisa tem que ser no posto”, conclui.

 

PREFEITURA
A Prefeitura de Divinópolis alegou através de sua assessoria de imprensa, que o médico da ESF entrou de férias dia 21 de Fevereiro, e está previsto o seu retorno para o ia 24 de Março, mas como o profissional é de Cuba ele enfrenta burocracias ao retornar ao Brasil. A assessoria informou ainda que ele passará por procedimentos feitos em todos os médicos do programa Mais Médicos. Após o retorno do médico as consultas serão agendadas. Enquanto isso a unidade funcionará normalmente, com a equipe de enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes de saúde.
Quanto à acessibilidade a assessoria disse que qualquer pessoa com mobilidade física tem o direito de solicitar atendimento domiciliar. O setor comunicou ainda que o problema será solucionado após a entrega da unidade de saúde Tipo 3, que está sendo construída para atender a região. Porém não soube especificar a data da entrega da nova unidade, que contará com três equipes de atendimento. A assessoria disse ainda  que como a maioria das ESF’s estão em imóveis alugados a reestruturação física do local é limitada.

Olho: “Eu vou até lá. Se tiver alguém para me carregar eu consulto, se não tiver eu volto para trás. Eu me sinto muito mal com essa situação. Eu queria que o prefeito sentasse numa cadeira de rodas e andasse nessas ruas. A última vez que eu consultei o médico foi na minha casa.”

 

Crédito: Pollyanna Martins

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