quarta-feira, 23 de Maio de 2012 08:27h Vinicius Soares

MP denuncia esquema de carros roubados na cidade

Membros da quadrilha trocavam algumas peças de sucata com as peças originais e vendiam os veículos como se fossem novos. Valores variavam de 3 à 25 mil reais, lucros nas vendas dos leilões eram de 200 a 300%.

Num esquema no qual criminosos usavam sucatas para legalizar veículos roubados, 80 pessoas foram lesadas, inclusive com alguns casos em Divinópolis. As vítimas que compraram "carros esquentados" foram ouvidas na delegacia. O inquérito já foi concluído e foi encaminhado ao Ministério Público (MP).


O Delegado Adjunto do Departamento de Trânsito local de Minas Gerais, DETRAN-MG, Leonardo Pio, contou como os autores conseguiam os carros "Na verdade eles adquiriam veículos do pátio de leilão ou de alguma seguradora. Posteriormente fazia-se uma encomenda de um veículo a ser furtado ou roubado com as mesmas características. Recebendo esse veículo produto de crime, fazia-se o implante ou adulteração dos sinais identificadores" relatou o delegado.

Éderson Gonçalves, delegado divinopolitano que foi transferido recentemente para Pará de Minas, estava a par do caso e fez algumas declarações “A oficina onde os carros eram montados está fechada desde 2010, quando oito pessoas foram indiciadas. O proprietário do local ficou preso durante 100 dias. Ele é suspeito de ter cometido cinco tipos de crimes. E as penas podem chegar a 300 anos de prisão, mas ele está solto. Ele foi posto em liberdade até que seja julgado.

No computador apreendido na casa do dono da oficina a polícia encontrou arquivos que comprovam que a quadrilha adulterou mais de 300 veículos. Nos documentos estão os valores de compra e venda destes carros. Um deles, por exemplo, foi adquirido em um leilão por R$ 3 mil e revendido por R$ 25 mil. “O valor foge à regra de mercado. Em um valor de 200% a 300% de lucro percebemos que havia alguma coisa errada e começamos a pesquisar esses veículos" informou o delegado.

Alguns chamaram a atenção e veículos oficiais comprados nos leilões também foram adulterados e revendidos pela quadrilha. Os dados de um dos carros que estão apreendidos comprovam que ele pertenceu à Polícia Militar de Minas Gerais. Depois de adulterado, uma vendedora o comprou por R$ 13 mil.

Para evitar que os veículos acidentados sejam adulterados o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) criou a resolução 362, uma medida de controle que fiscaliza quais veículos podem voltar a circular e bloqueia a documentação daqueles considerados como perda total.

Os 80 carros que foram adulterados pela quadrilha ainda estão apreendidos e não têm previsão para serem liberados. O que acarreta prejuízo para os proprietários.

O inquérito que investiga o esquema de adulteração dos veículos, já foi concluído e será encaminhado ao MP, que tem quinze dias para oferecer a denúncia. Em relação aos carros apreendidos, o delegado afirmou que fica a cargo da Justiça decidir se serão entregues novamente aos donos.

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