sexta-feira, 20 de Novembro de 2015 09:15h Atualizado em 20 de Novembro de 2015 às 09:17h. Carina Lelles

Mulher que se passava por escrivã e examinadora já foi funcionária da Polícia Civil

Ela ocupava o cargo de carcereiro e foi demitida da instituição. A mulher é suspeita de aplicar golpes, oferecendo CNH sem que o motorista passasse por nenhum tipo de exame

Já está no presídio Floramar, Cláudia Edna de Souza Caravelli, de 44 anos. Ela foi presa na segunda-feira, suspeita de estelionato e falsificação de documentos. A mulher foi apresentada ontem à imprensa, em uma coletiva realizada na sede da Delegacia Regional da Polícia Civil.
De acordo com a Delegada responsável pelo caso, Adriene Lopes, as primeiras denúncias sobre o crime foram há cerca de dois anos, mas a suspeita só foi presa agora, porque precisava reunir provas.
As vítimas contaram que Cláudia se apresentava como escrivã e examinadora da Polícia Civil, oferecendo Carteira Nacional de Habilitação (CNH) sem que o candidato passasse por nenhum tipo de exame. Em contrapartida, as vítimas tinham que pagar entre R$3,5 mil e R$5 mil, dependendo da categoria.
A delegada explica que, na Delegacia de Divinópolis há uma escrivã e que também é membro da comissão examinadora com o mesmo nome da golpista, o que ajudava na hora de abordar as vítimas. “Algumas pessoas começaram a procurar a Delegacia, procurando a nossa funcionária, perguntando ‘e a carteira que você ia providenciar para nós? ’. E assim começaram a chegar as informações e algumas vítimas, que falaram que pagaram pelo documento. Outras vítimas também denunciaram que ela prometia retirar as multas de veículos, mediante pagamento”.
Qualquer um poderia ser vítima, como por exemplo, um pedreiro que trabalhava na casa da estelionatária e ela oferecia a “vantagem”. “Temos informações que ela ficava na Delegacia de Trânsito para abordar pessoas que iam ao balcão de habilitação e também ia até as áreas de exame, para fazer isso com os candidatos à habilitação”, revela Adriene.
De acordo com o Delegado de Trânsito, Leonardo Pio, a suspeita já foi Policial Civil. “Ela era carcereiro, quando ainda havia este cargo, mas nunca exerceu a função aqui em Divinópolis e ela foi demitida da Polícia Civil por práticas ilícitas”.

 

Vítimas
Até o momento, de acordo com a Polícia Civil, três vítimas já procuraram a Delegacia, mas de acordo com o Delegado de Trânsito, o número pode ser maior. “Existem informações de outras cidades da região que ela tenha atuado. Com a divulgação do caso, mais vítimas devem aparecer. As pessoas que foram lesadas devem aparecer e apresentar queixa. As vítimas do golpe foram enganadas, porque elas nunca teriam acesso a este documento. A pessoa que foi lesada pode vir à Delegacia sem qualquer receio, elas são vítimas”, orienta.

 

Créditos: Carina Lelles

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