quinta-feira, 22 de Setembro de 2011 10:28h Paulo Reis

Operação Grilo prende mais de 40 suspeitos

Prefeitos e demais envolvidos também foram detidos


Permanecem detidos Marcos Gonçalves Machado, proprietário de uma empresa de TV por assinatura, provedor de internet banda larga e telefonia em Divinópolis e também Douglas Moisés Quintiliano, ex-policial que segundo a delegada Civil, Aparecida Quadros não está mais lotado no município. Douglas e alguns colegas são acusados de serem responsáveis por amedrontar posseiros que se mostravam resistentes à desocupação das terras. Quintiliano deixou o centro-oeste do estado para acompanhar e gerenciar empreendimentos de propriedade de Marcelo Gonçalves.


A ação do Ministério Público e a Polícia Federal realizada na última terça-feira (20), conhecida como Operação Grilo que, segundo as últimas investigações, o golpe era chefiado pelo secretário extraordinário de Regularização Fundiária, Manoel Costa (PDT), com a participação da mineradora Vale. A ação provocou a perda do cargo de secretário. Os prejuízos contabilizados chegam a mais de R$ 200 milhões.


Até o momento foram feitas oito prisões e autorizados bloqueios dos bens dos envolvidos, além de mais de 20 mandados de busca e apreensão, tendo como um dos alvos a casa do secretário, em Belo Horizonte. Entre os detidos está o diretor-geral do Instituto de Terras (Iter), Ivonei Abade Brito, também exonerado, sete servidores da mesma instituição e os prefeitos Marcus Tácito Penalva Costa, de Indaiabira, e Virgílio Tácito Penalva Costa, de Vargem Grande do Rio Pardo.


O movimento que deu origem a operação mostra que o então secretário e a Vale se beneficiaram do esquema montado no Norte de Minas. O documento detalha que Costa e funcionários do Iter, autarquia do Governo subordinada ao secretário, eram responsáveis por registrar terras públicas em nome de “laranjas”, apresentados como posseiros e agricultores. Estas fazendas eram vendidas a preços milionários à empresa Vale.


Por outro lado, intermediários providenciavam a expulsão de agricultores e posseiros verdadeiros de suas terras para que o Iter tomasse posse delas. Eram falsificados documentos para que houvesse a desapropriação dos produtores rurais. A quadrilha também oferecia pequenas quantias a posseiros por fazendas na região. A finalidade era sempre repassar as terras à Vale. Outra empresa, a Floresta Empreendimentos beneficiou-se do esquema. Ela possivelmente estaria ligada à quadrilha.


Com o objetivo de se apossar ilícitamente dessas terras, criou-se um dos grupos criminosos que é liderado por Manoel da Silva Costa Júnior, secretário de Estado, e pelos irmãos Marcus Tácito Penalva Costa e Virgílio Tácito Penalva Costa. Além da grilagem, o secretário também é acusado de se apropriar de terras que engordaram seu patrimônio.


As empresas Vale e Floresta teriam, apontado terras para serem desapropriadas. Os diálogos telefônicos colhidos em razão de autorização judicial confirmam que, em conluio e sob patrocínio das empresas, há forte atuação dos grileiros Altemar Alves Ferreira e Breno Rodrigues. Estes, sob a capa de empresários e corretores, dedicavam-se a levantar as documentações utilizadas nas fraudes e as invasões às terras.


O documento apresenta detalhes de pagamentos feitos pela Vale a integrantes da quadrilha. Um deles tem valor de R$ 32 milhões e outro de R$ 41 milhões. Procurado, Costa disse que descobriu as supostas irregularidades e encaminhou a denúncia à Corregedoria do Estado. Ele negou participação.


A Vale alega que adquire terras nos mais rigorosos critérios éticos e que, na região, não identificou nada de errado. A empresa também diz que desconhece o inquérito, e que não foi convocada para prestar esclarecimento. O advogado de Ivonei informou que ele é inocente, sendo as acusações registradas antes desta gestão. 

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