quarta-feira, 5 de Outubro de 2011 10:42h Liziane Ricardo

Padrasto acusado injustamente é absolvido

Caso da menina enforcada em balanço no ano de 2009 ganhou repercussão estadual

O servente de pedreiro Adenilson Agostinho Gaspar, padrasto das meninas T.S.B., 10 anos (na época) e da irmã S.K.S.B. 12 anos (hoje com 14 anos) que havia sido acusado em outubro de 2009 de matar a filha mais nova de Gilmara Carla Sousa, foi julgado na manhã de ontem (4) no Fórum Manoel de Castro. O suposto crime que teria chocado toda a população divinopolitana, e ainda tomado proporções na esfera estadual, foi finalmente encerrado com a absolvição total de Adenilson Agostinho Gaspar, 39 anos. 


O júri popular foi composto por sete jurados escolhidos aleatoriamente e que por unanimidade concluíram que o servente de pedreiro seria inocente perante a morte da menina de 10 anos na noite da terça-feira (20) de outubro de 2009 no bairro Sagrada Família.


Segundo o juiz responsável pelo caso, Dr. Marcelo Paulo Salgado, os jurados absolveram Adenilson depois de comprovarem que não haviam provas suficientes que o incriminasse. “Ainda no ano do crime, o acusado permaneceu sob custódia da justiça no período de 90 dias, e em seguida foi solto para responder ao processo em liberdade, aguardando a data do julgamento. No entanto, perante as análises periciais, das quais constataram que a menina teria morrido enforcada e não estrangulada, foi decidida a absolvição de Adenilson”, explicou magistrado.


A reportagem da Gazeta do Oeste que acompanhou o caso desde o início entrou em contato com os advogados do acusado que confirmou o resultado do julgamento de ontem como um alívio para os familiares tanto do servente de pedreiro, como para os familiares da menina. O advogado Antônio Ailton Rosa, relembrou que quando a tragédia aconteceu, Adenilson já estava separado de Gilmara Carla Sousa há cerca de um ano e meio.
De acordo com o advogado, as meninas estavam brincando no balanço (gangorra) de casa quando Thaís de 10 anos se enforcou na corda do brinquedo. Na opinião do advogado, na época havia um circo instalado nas proximidades da casa das irmãs, “entretanto, o que pode ter ocorrido, foi de elas terem assistido ao espetáculo e tentado fazer uma das manobras acrobáticas da malabarista com a corda do balanço em casa”, disse Antônio Ailton.


A princípio a irmã mais velha de T.S.B. teria assumido a culpa por enforcar a irmã com a corda da gangorra. Em seguida a menina de 12 anos acusou o padrasto de ter cometido o crime e ainda tentado abusar das irmãs. Contudo, o advogado de Adenilson contou que os laudos comprovaram que as meninas não foram abusadas por seu cliente. “Devido S.K.S. B. se submeter a tratamentos psiquiátricos, e ter contado duas versões diferentes, sendo a primeira que ela teria matado a irmã, e a segunda que o padrasto que seria o autor do crime, os indícios de que Adenilson seria inocente foram ainda mais fortes para a conclusão dos jurados” comentou o advogado.


Já o promotor que analisou o laudo de necropsia de T.S.B., constatou que a menina morreu por enforcamento e não por estrangulamento, se fosse o caso de alguém tê-la matado. “Os casos de estrangulamento tem marcas mais agressivas, e não tão superficiais como no caso de enforcamento pelo próprio peso”, justificou Ailton.


Sendo assim, com as acusações de abuso descartadas, os laudos comprovando a morte por enforcamento e não estrangulamento foram provas suficientes para encerrar o caso e absolver o padrasto com inocente.


O servente de pedreiro preferiu não se pronunciar sobre o assunto, e uma vez que o caso estava sendo acompanhado pelos advogados Antônio Ailton Rosa, Eudes Fonseca dos Santos e pela estagiária da Universidade de Itaúna, Mariza Rodrigues Rosa, os advogados foram autorizados pelo cliente a se pronunciarem.

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.