sexta-feira, 7 de Agosto de 2015 10:48h Atualizado em 7 de Agosto de 2015 às 11:01h. Pollyanna Martins

Pastor que estava desaparecido é preso em Corinto

Arlem Silva Lara é diretor do projeto “Somos Amados” e está sendo investigado por estelionato

O Pastor Arlem Silva Lara foi preso na manhã de ontem, em Corinto, suspeito de cometer estelionato. Ele, que era diretor da Organização Não Governamental (ONG) “Somos Amados”, estava desaparecido desde o dia 12 de junho, quando foi à Belo Horizonte resolver assuntos acerca do projeto. Arlem foi apresentado hoje pela Polícia Civil, que até então, investigava o caso como desaparecimento, mas durante as investigações, descobriram que o pastor havia aplicado vários golpes em Divinópolis, e estava morando com uma garota de programa na cidade do Alto São Francisco.
A delegada Adriene Lopes foi quem conduziu as investigações, e informou que o projeto dirigido pelo pastor recebeu a doação de vários lotes, por meio de testamento deixado por uma senhora. Arlem, que era pastor da Igreja Petencostes Independente vendeu os lotes, mesmo sem o inventário estar concluído. “Os lotes eram no bairro Jardim Betânia e também no bairro Planalto. Ele vendeu vários lotes, mas como o inventário não terminou, não se sabe quais lotes vão para o projeto. Assim que o inventário terminar, é que vai saber o que vai para o projeto, porque a deladora deixou no testamento 50% dos bens dela para o projeto Somos Amados e 50% para as Obras Sociais Frederico Ozanan”, explica.
O homem, que recebeu o título de Cidadão Honorário das mãos do vereador Edmar Rodrigues (PSD) no ano passado, utilizava da condição de pastor para extorquir suas vítimas. Conforme a delegada, ninguém sabia que Arlem estava vendendo os lotes que ainda não pertenciam a ele. “Por ele ser pastor evangélico, as pessoas acreditavam muito nele, então ele vendia e fazia um contrato de compra e venda, o famoso contrato de gaveta”, detalha. A Polícia estima que o pastor tenha reembolsado cerca de R$1,5 milhão com este golpe. As vítimas davam a entrada no valor dos lotes, e algumas chegaram a pagar o valor à vista. “Alguns pagaram na integralidade o valor, e não tiveram acesso aos lotes. Inclusive fieis da igreja onde ele era pastor adquiriram lotes com ele”, garante.

 

VIDA DUPLA
O último contato que Arlem fez com a família, foi às 23h do dia 12 junho, quando informou para a sua esposa que estava retornando para Divinópolis. De acordo com a delegada, antes de estabelecer residência fixa em Corinto, o pastor passou por várias cidades. A Polícia Civil investiga ainda se ele aplicou golpes nas cidades por onde passou, e a possibilidade de outras pessoas estarem envolvidas no golpe. “A mulher dele foi uma vítima nessa história toda. Antes dele chegar a Corinto, ele passou por algumas cidades. Tem o envolvimento de outras pessoas, mas não é uma quadrilha, ainda estamos investigando”, informa.
Arlem montou um estabelecimento comercial na cidade e morava com uma mulher, que a princípio, é uma garota de programa. A delegada não informou o nome e nem a idade da companheira do pastor, mas afirmou que ela também será investigada. “O comércio dele era um comércio que vendia de tudo: roupa, sapatos, bar. Em Corinto, ele tinha um apelido que era conhecido. Inicialmente, nós não vamos informar a qualificação dela [companheira de Arlem], ela também será investigada, mas não está presa”, revela.
CONTAS BANCÁRIAS
Segundo Adriene, durante as investigações, foi constatado que o pastor tinha cinco contas abertas em vários bancos, mas nenhuma possuía dinheiro. “No nome dele não tinha nenhum valor, apenas um pouco de mais de R$50 em conta. As negociações foram em torno de R$ 1,5 milhão, mas efetivamente em dinheiro com ele depositado em conta particular foi em torno de R$ 900 mil”, detalha.
A prisão preventiva de Arlem foi decretada, e as investigações serão finalizadas nas próximas semanas. A delegada iria ouvir o suspeito ainda ontem. De acordo com Adriene, durante a prisão, o pastor não disse nada. “Ele vai ser ouvido primeiro e depois encaminhado ao presídio Floramar. Nós devemos terminar as investigações na próxima semana, ele já está com a prisão preventiva decretada, e finalizando, nós já vamos passar o caso para a justiça”, explica. Conforme a delegada, a administração da igreja em que Arlem era pastor já foi intimada para prestar depoimento.

 

APRESENTAÇÃO
A Polícia Civil apresentou o suspeito, que se limitou a dizer. “A verdade vai aparecer e esses fatos vão se resolver. Nada disso vai ser evidenciado”. Quando questionado se era inocente e sobre a família dele em Divinópolis, o pastor permaneceu calado e pediu para ser retirado da sala.

 

Credito: Pollyanna Martins
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