sexta-feira, 22 de Julho de 2016 14:04h Atualizado em 22 de Julho de 2016 às 14:32h. Pollyanna Martins

Polícia Civil apresenta suspeita de estelionato em Divinópolis

Pollyanna Marques de Paula vendia falsos pacotes de viagens e, só em Divinópolis, fez mais de 40 vítimas

POR POLLYANNA MARTINS

pollyanna.martins@gazetaoeste.com.br

 

 

A Polícia Civil apresentou na manhã de ontem a suspeita de praticar vários crimes de estelionato em Divinópolis. Pollyanna Marques de Paula, de 31 anos, vendia falsos pacotes de viagens e fez pelo menos 45 vítimas na cidade. De acordo com a delegada Adriene Lopes, a suspeita montou no um stand no Parque de Exposições, durante a 45ª Divinaexpô com o nome de sua empresa, ‘Mega Turismo’. A mulher oferecia cupons para o público preencher e concorrer a diárias grátis em 300 hotéis, espalhados em 200 cidades do Brasil. “Ela não tem sede em Divinópolis e veio à cidade pela primeira vez no Parque de Exposições, alugou um espaço e lá montou o stand dela, fazendo a promoção da agência”, conta.

 

 

Segundo a delegada, no cupom, o interessado colocava os dados, incluindo o telefone. Após a festa, Pollyanna voltou para Belo Horizonte e retornou para Divinópolis na semana passada, e entrou em contato com as pessoas que tinham preenchido os cupons. Em um esquema muito bem montado, a suspeita informava para a vítima que ela tinha ganhado duas diárias em hotéis credenciados pela empresa, e que a pessoa deveria ir até o hotel, onde a mesma havia alugado uma sala, para receber o prêmio. “Ela falava para a pessoa que ela poderia escolher, dentro dos hotéis credenciados, qual ela queria ficar. Apresentava os hotéis nos encartes dela, com a logomarca da empresa, e quando a pessoa ia lá, ela a convencia a comprar um cartão que dava várias vantagens”, relata.

 

 

Ainda de acordo com Adriene, a suspeita alugou uma sala em um hotel da cidade para atender em duas semanas. Em uma semana, o atendimento foi quinta e sexta-feira, e na outra semana, seria de quinta-feira a domingo, mas Pollyanna foi presa em flagrante na sexta-feira (15). Foram feitas aproximadamente 45 vítimas apenas em Divinópolis. Com promessas de falsas viagens, em duas semanas de atuação, Pollyanna conseguiu cerca de R$ 80 mil. Conforme a delegada, durante o atendimento, a mulher persuadia o cliente a adquirir cartões que davam direitos a viagens com diárias grátis e vários acompanhantes. “Ela vendia um cartão ouro ou um VIP, e os cartões são fabulosos. O cartão ouro custava R$ 1.390 e o vip R$ 1.990. O cartão ouro dá direito a 14 dias em hotéis, com três acompanhantes, nesses hotéis que ela dizia ser credenciada,  mas não tinha convênio nenhum”, relata.

 

 

O cartão VIP vendido pela suspeita dava ao comprador o direito de 36 diárias grátis nos hotéis credenciados, e levar seis acompanhantes. Segundo a delegada, após convencer a vítima a comprar um dos cartões, Pollyanna parcelava o pagamento no cartão de crédito ou no cheque, ou dava desconto, caso o pagamento fosse à vista. Conforme Adriene, a Polícia Civil chegou até a suspeita, após uma vítima que adquiriu um dos cartões tentar agendar a hospedagem em um dos supostos hotéis credenciados na empresa de Pollyanna. Após ser informada de que o hotel não tinha convênio com a empresa, a vítima acionou a Polícia Militar. “Depois de receber a informação de que o hotel não tinha convênio com a empresa, a vítima tentou entrar em contato com a Pollyanna por telefone, não conseguiu e sustou os cheques que já estavam em posse da suspeita. A vítima veio aqui, fez o Boletim de Ocorrência e nós começamos as investigações”, detalha.

 

 

CRIMES

De acordo com a delegada, a empresa da suspeita é registrada desde 2009, e o golpe é aplicado desde 2012. No CNPJ da agência consta que a sede é na Avenida Afonso Pena, nº 262, no Centro de Belo Horizonte, porém o endereço que a suspeita atua há seis meses era Rua Guajajaras, N° 1470, conjunto 1508/1509.  “Ela tem uma empresa constituída, mas ela aplica os golpes. O endereço cadastrado na Embratur é outro, é na Avenida Afonso Pena, porém em outro número”, informa.

 

 

Segundo Adriene, a suspeita tem várias passagens na polícia, todas por estelionato. A delegada informa que na Promotoria de Defesa do Consumidor em Belo Horizonte tem 15 ações contra Pollyanna, com o mesmo crime, de venda de falsos pacotes de viagens. “No mesmo dia que nós a prendemos aqui, chegou uma requisição da promotoria de defesa do consumidor na Delegacia de Polícia em Belo Horizonte”. No processo aberto pela delegada, apenas 15 vítimas foram ouvidas, porém outros contratos foram encontrados no hotel com a suspeita. A delegada acredita que o número de vítimas pode aumentar, pois muitas ainda não sabem que caíram em um golpe. “As vítimas devem procurar a polícia e trazer toda a documentação que foi passada para a Pollyanna”, orienta.

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