sexta-feira, 1 de Março de 2013 05:12h Erik Ullysses

Polícia Civil de Divinópolis prende dois homens suspeitos de estelionato

Eles diziam que representavam agências bancárias e que iriam renovar o seguro de vida das vítimas, quando na verdade o seguro não precisava ser renovado

A Polícia Civil de Divinópolis prendeu dois homens no início da tarde de ontem suspeitos de aplicarem golpes em idosos na cidade. Utilizando do argumento de que os seguros de vida das vítimas estariam vencidos, os autores pegavam as assinaturas das vítimas, escaneavam documentos e faziam seguros maiores do que o oferecido. Marcelo Santos de Morais, de 44 anos, e Alício Alves Costa, de 46 anos, são de Betim e foram presos em um cartório da Rua Minas Gerais.
De acordo com a delega Angelita de Oliveira, os dois homens afirmaram que possuem uma firma que prestava serviços para uma seguradora. Eles se aproveitavam dos idosos que já possuíam contratos de seguro com agências bancárias e aplicavam o golpe. Eles diziam para os idosos que o seguro deles estava vencendo e que precisavam renovar. Eles apresentavam documentos em branco e pediam para que fosse assinado. Os idosos assinavam acreditando que estavam renovando o seguro em um valor, mas na verdade estavam contratando um novo seguro por um valor bem mais alto. Os dois estelionatários pegavam os documentos das vítimas e escaneavam. De posse dos documentos eles iam até um cartório para registrarem firma e o novo contrato.
A delegada explicou que uma das vítimas procurou a Polícia Civil na quarta-feira e contou o que havia ocorrido. Que a agência bancária havia informado que o seguro de vida da vítima não estava vencendo, e que nem venceria. Diante das suspeita, ainda na quarta-feira, a PC iniciou as diligências sobre o caso. “Diante da vasta documentação que foi apresentada, diante das declarações das vítimas e diante desse conjunto comprobatório, eles faziam o seguinte: Eles obtinham o endereço da vítima, eles sabiam a qual órgão essa vítima era vinculada e iam na casa dela e ofereciam o contrato de seguro. Uma dessas vítimas alegou que desconhecia e que não queria fazer nenhum tipo de contrato de seguro. Que eles agiram de forma truculenta e agindo com muita lábia. Ele assinou vários documentos que ele não queria assinar. Ele nem sabe o que assinou, vários papéis estavam em branco” explicou.
Segundo os acusado, a cada empréstimo que faziam eles recebiam uma porcentagem. Dessa forma, quanto mais contratos eram fechados, mais os criminosos lucravam. De acordo com a delegada Angelita, esses valores ainda não são conhecidos. “Nenhum valor, os documentos eram em branco, o prazo de vigência. Como era feio esse contrato, com quem era feito esse contrato, ele era assegurado por quem? Foram feitos vários questionamentos aos conduzidos, hora autuados e eles não respondiam” contou. Com os homens foi apreendida uma pasta contendo vários nomes de pessoas que seriam visitadas pela dupla. A maioria dos nomes eram de idosos.
Uma das vítimas, o aposentado Célio Madeira, de 80 anos, contou que na quarta-feira ele e a esposa foram procurados elos homens e que a esposa assinou alguns documentos que ele não sabe ao certo o que foi, já que ele desconfiou dos homens e não estava presente no momento. “Eles chegaram lá em casa. Eu estava fora, porque eu trabalho de barbeiro na minha casa. Me cumprimentou, minha esposa saiu e chamou eles lá para dentro. Aí eu só passei lá para dentro e não dei conversa para eles não. Mas eu desconfiei do jeito deles. Falei com ela mas ela não me escutou, né? Eu não vi a conversa não, mas ela entregou os documentos para eles. Depois eu perguntei para ela e ela me disse que era seguro de família. Aí ela não me deu mais detalhes não” contou o aposentado.
Questionada se os documentos poderiam ser utilizados para realizarem empréstimos a delegada contou que essa é uma das questões que vão ser investigadas, já que vários documentos como identidade e contracheques foram escaneados pelos suspeitos. “Por que eles escanearam a gente não sabe. Foi até uma das indagações e eles responderam que isso acontecia para não ter nenhum erro na hora de preencher o documento. Mas por que então os documentos não foram preenchidos no momento?” indagou.
Os dois homens foram presos em um cartório da cidade quando iam reconhecer firma de uma das vítimas. Eles foram autuados em flagrante e vão responder processo pelos crimes de estelionato e constrangimento ilegal. Em Divinópolis já foram identificadas três vítimas desde quarta-feira, mas a delegada não descarta novas vítimas na cidade e até em outras cidades do estado.
Angelita pediu para que as pessoas, especialmente os idosos, tenham cuidado com o que assinam. Ela afirmou ainda que a Polícia Civil está a disposição das possíveis vítimas dos estelionatários. “Eu gostaria de fazer um apelo aos aposentados e aos outros cidadãos. Que não assinem qualquer documento em branco. Se uma pessoa for a sua casa e falar que é do banco, ligue para o banco, vá ao banco ou peça a um filho ou outra pessoa de confiança que o faça através de procuração. A Polícia Civil está a disposição para vítimas deste golpe a qual estamos relatando. Até mesmo para quem tiver alguma informação, que nos forneça” concluiu.

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