quarta-feira, 8 de Abril de 2015 10:40h Atualizado em 8 de Abril de 2015 às 10:42h. Jotha Lee

Polícia Federal desarticula esquema milionário de fraudes em Nova Serrana

Empresário do setor calçadista causou prejuízo de R$ 3 milhões à Caixa Econômica Federal

A Polícia Federal (PF), através da Delegacia Regional de Divinópolis, desarticulou ontem um esquema milionário de fraudes contra a Caixa Econômica Federal, comandado por um empresário do setor calçadista de Nova Serrana, proprietário da Indústria de Caçados Ferrati. De acordo com o delegado da PF em Divinópolis, Daniel Sousa, o prejuízo já chega a R$ 3 milhões.
A operação que desarticulou o esquema é fruto de um inquérito instaurado pela PF em 2013 e teve a colaboração da PF de Varginha e da Superintendência, em Belo Horizonte. De acordo com o delegado Daniel Sousa, o empresário A.F.B (o nome completo não foi divulgado) dono da Ferrati Calçados, obteve inicialmente um crédito de R$ 2 milhões junto à CEF, dando como garantia inúmeras duplicatas mercantis. “Esse valor atualizado chega a R$ 3 milhões”, explicou.
Ainda segundo Daniel Sousa, logo após a obtenção do crédito, a empresa foi fechada e o empresário abriu nova fábrica, com outra razão social, utilizando-se do mesmo endereço, que continuou produzindo os calçados da marca Ferrati. Além de fechar a empresa falida, o empresário transferiu seus bens para outras pessoas, como casas, apartamentos, carros de luxo e chácaras, para evitar uma provável execução por parte da CEF.
A fraude começou a ser desvendada em 2013, quando os títulos não foram quitados junto à CEF. Foi instaurado o inquérito pela Polícia Federal que, ao longo das investigações ocorridas nos últimos 19 meses, constatou que se tratava de um golpe aplicado contra o banco.
As investigações foram realizadas em várias partes do país e foi possível comprovar que as empresas que constam como sacadas nos títulos dados em garantia dos créditos não funcionam ou não existem. De acordo com Daniel Sousa, a fraude foi descoberta através da emissão de notas fiscais falsas. “No curso das investigações, pudemos averiguar que foram utilizadas duplicatas falsas como garantia para a obtenção do crédito junto à agência da CEF de Nova Serrana”, explicou. Segundo ele, 79 empresas foram lançadas como sacadas das duplicatas, mas após as investigações constatou-se que aproximadamente 59 delas não existem de fato ou não reconheceram as transações comerciais com a Ferrati Calçados.

 

APREENSÃO
Na operação realizada durante toda a manhã de ontem, em Nova Serrana, a PF cumpriu oito mandados de busca e apreensão na fábrica e residência dos envolvidos. Oito pessoas foram presas, porém, três delas foram ouvidas e liberadas.
O empresário, seu pai, seu irmão e o sócio foram ouvidos e encaminhados para o presídio Floramar, onde cumprem prisão temporária de cinco dias decretada pelo Juízo da Segunda Vara da Justiça Federal de Divinópolis, que também autorizou o bloqueio de bens em nome do empresário e de seus familiares. Também foram apreendidos documentos e um computador, que ainda será periciado.
O delegado Daniel Sousa afirmou que a fraude foi muito bem planejada. “Estamos investigando outros casos em Nova Serrana, que seguem esse mesmo modus-operandi. Nesse caso específico, um funcionário da Caixa, que já prestou depoimento, disse que os prejuízos já chegam a R$ 3 milhões”, revelou.
A possibilidade de que haja uma quadrilha por trás dessa fraude é admitida pelo delegado. “Isso nós ainda estamos investigando. A forma como a fraude foi cometida dá a entender que eles foram orientados para agir dessa determinada forma. Isso está sendo apurado e continuamos investigando outros casos semelhantes em Nova Serrana. Também temos informação de que bancos particulares foram vítimas desse golpe”, informou.
O delegado da PF, Daniel Fantini, que também participou da operação, confirmou que 79 empresas aparecem como sacadas das duplicatas falsas emitidas pelo empresário. Ele informou que os empréstimos obtidos pelo empresário foram conseguidos através do Internet Banking, serviço online da Caixa Econômica Federal.
Segundo ele, a empresa era idônea e só conseguiu os créditos em razão das boas relações que possuía com a CEF. “A empresa já atuava há alguns anos e a gozava da confiança do mercado, o que possibilitou a liberação dos recursos”, explicou.
A Polícia Federal confirmou que a investigação continua e não descarta a hipótese de que a fraude possa estar ocorrendo em outras cidades de Minas, mas isso depende de outras investigações. “Por enquanto, estamos concentrando nossa investigação em Nova Serrana e outras empresas são suspeitas de praticar fraude semelhante”, finalizou o delegado Daniel Sousa.

 

Crédito: Jotha Lee

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