quarta-feira, 12 de Junho de 2013 10:20h Atualizado em 12 de Junho de 2013 às 13:15h. Erik Ullysses

Polícia Federal desencadeia operação “Faena” e desarticula quadrilha de estelionatários

Oito pessoas que integravam uma quadrilha de estelionatários foram presas durante operação desencadeada pela Polícia Federal nas cidades de Divinópolis e Franca, interior de São Pulo. A investigação que desencadeou a operação batizada de “Faena” teve iníc

Oito pessoas que integravam uma quadrilha de estelionatários foram presas durante operação desencadeada pela Polícia Federal nas cidades de Divinópolis e Franca, interior de São Pulo. A investigação que desencadeou a operação batizada de “Faena” teve início há mais de dois meses, quando a PF de Divinópolis recebeu uma denúncia da Caixa Econômica Federal suspeitando de algumas pessoas que tentavam abrir uma conta na agência utilizando documentos falsos. Desde então, a PF vem investigando a quadrilha, que já aplicou o golpe em instituições bancárias de algumas cidades, como Bambuí.

A operação foi batizada de “Faena” em referência às touradas espanholas, já que uma das empresas de fachada da quadrilha se chamava “EL TORO”. Foram presos cinco homens e três mulheres. Entre os falsos nomes utilizados pelos suspeitos estavam Mário de Almeida Prado, Camila Linhares de Melo, Nilza Maria Martins, Idelma Vieira de Carvalho, além de outros que estão sendo investigados.

De acordo com o delegado Daniel Souza, os oito integrantes viviam dos estelionatos que praticavam. Todos são residentes da cidade de Franca e escolhiam as cidades que queriam aplicar o golpe. Após se transferirem para as cidades eles alugavam uma residência e um estabelecimento comercial. Neste local eles abriam uma empresa de fachada utilizando documentos falsos, como CPFs e RGs e registravam o CNPJ. Em seguida os integrantes iam a várias agências bancárias da cidade para abrir contas e pedir crédito aos bancos. “Eles tinham todo um ‘modus operandi’ já bem preparado para aplicar este golpe. Eles chegavam à cidade, geralmente alugavam uma casa, alugavam um estabelecimento comercial e dava uma aparência, criavam uma loja, uma empresa. A partir daí, com o uso de documentos falsos eles passavam em instituições financeiras e iam abrindo contas. Pediam abertura de cheque especial, capital de giro, tudo isso dentro dessa aparência. Alguns funcionários de bancos que foram até as sedes das empresas e viam a aparência achavam tudo normal. Então tinha essa facilidade para conseguir os créditos junto às instituições financeiras” contou o delegado.

Quando abriam as contas e conseguiam o capital, os estelionatários começavam transferir valores de uma conta para outra, fazendo com que a movimentação bancária fosse intensa, aumentando ainda mais a linha de crédito junto às instituições financeiras. O delegado contou que somente em uma tarde os autores abriram conta em seis agências bancárias. A estimativa é de que o golpe deixava um prejuízo de um milhão de reais junto aos bancos de cada cidade.

Quando chegou a Divinópolis, a quadrilha alugou um espaço e montou uma loja de calçados de fachada na rua Bom Sucesso, bairro Interlagos. Logo em seguida o grupo tentou aplicar o golpe na Caixa Econômica. A agência bancária pediu para que apresentassem uma referência de algum estabelecimento comercial, porém os documentos levados até o gerente eram de uma pessoa que já teria aplicado o golpe em Bambuí. Desconfiado, o gerente acionou a Polícia Federal, que passou a investigar a quadrilha. De forma imediata, a PF alertou os bancos da cidade sobre os estelionatários, e assim estes passaram a dificultar a liberação de créditos para o grupo. Dessa forma os bancos de Divinópolis não caíram no golpe. Os criminosos então voltaram para Franca, até que na terça-feira a justiça federal de Divinópolis emitiu oito mandados de busca e apreensão e oito mandados de prisão temporária para os integrantes da quadrilha. Eles foram presos em Franca e trazidos para Divinópolis, onde prestariam depoimentos e depois seriam levados p
ara o presídio Floramar.

O delegado Daniel Souza contou ainda que o grupo vive dos golpes aplicados nos bancos. “O que a gente apurou nesses dois meses é que eles vivem deste estelionato. Eles residem na cidade de Franca, vão para outras cidades, alugam uma casa e ficam ali arquitetando o dia todo, indo de uma instituição a outra, tentando aplicar este golpe” garantiu.

As diligências seguem sendo feitas pela Polícia Federal. Outras pessoas serão investigadas e interrogadas. Entre elas está um homem que trabalha em um banco de São Paulo e que é suspeito de passar informações e auxiliar na liberação de créditos da instituição para a quadrilha. Os oito presos serão indiciados pelos crimes de estelionato, formação de quadrilha, falsificação de documento particular, falsidade ideológica e uso de documento falso. Somados todos os crimes a pena pode chegar a 23 anos de prisão.

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.