segunda-feira, 30 de Julho de 2012 10:28h Gazeta do Oeste

Polícia sem pistas de criminosos que atiraram em menino de 9 anos em rodovia

As coroas de flores do velório de Erick Meira de Oliveira, de 9 anos, diziam “até logo”. Adventista, o avô materno do menino impressionava pela aparente serenidade e paz de espírito. Mas a dor e a tristeza eram perceptíveis, pesadas, para todos os que choravam em torno do pequeno caixão. Erick foi morto quando voltava de um passeio pelas praias de Santa Catarina, com direito a muita diversão também no Parque Beto Carrero World. No retorno a Belo Horizonte, o carro da família foi alvejado pelos tiros disparados por bandidos que tentavam assaltar uma carga de computadores na Rodovia dos Bandeirantes, próximo a Campinas, em São Paulo. O menino, que aprendia a tocar violão e estava feliz porque havia sido batizado uma semana antes, foi atingido por pelo menos duas balas. O avô, o engenheiro Isaac Malheiros Meira, havia parado na estrada para pedir informações e afirma que os vigilantes da escolta não tiveram tempo de reagir. O corpo de Erick foi sepultado ontem, no Cemitério da Paz, no Bairro Caiçara, Noroeste de BH. Agora, além da dor da perda, parentes passam a conviver com o medo da impunidade para os assassinos da criança.

 

 

Segundo Isaac, a polícia não tem pistas sobre os criminosos, que fugiram em direção a São Paulo. Ele conta que nem sequer percebeu a ação dos bandidos na pista contrária e que, ao ouvir os tiros, rastejou até o carro, onde a família o aguardava. Erick e o irmão Andrei, de 3 anos, estavam sentados no banco de trás com a avó Mera Meira. A mãe das crianças, a técnica em segurança do trabalho da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Kátia Góis, de 37, seguia no banco da frente. Eles haviam parado um pouco antes do pôr do sol para lanchar, sem desconfiar da tragédia que estava por vir.

 

O crime aconteceu por volta das 19h de sexta-feira, fruto da tentativa frustrada de roubo de carga na estrada paulista. Enquanto a família se preparava para seguir viagem na pista oposta, três carros cercaram o caminhão que transportava produtos de informática, carga avaliada em R$ 460 mil. Um vigilante ficou ferido no tiroteio que também vitimou Erick, e continua internado em São Paulo, em estado grave. As armas da equipe da escolta foram recolhidas para perícia.

 

O caso está sendo investigado pela 1ª Delegacia de Polícia de Campinas. Na unidade, ontem, não havia delegado e uma plantonista informou que os trabalhos ocorreriam durante o expediente da semana. Além da dificuldade evidente de esclarecer o crime em que os assaltantes desapareceram aparentemente sem deixar vestígios, contra a expectativa de punição pesa o fato de que o caso será apurado em outro estado, sem que a família possa acompanhar de perto as investigações.

 

 

Razões a mais para aumentar a indignação do avô paterno, Antônio Oliveira, revoltado com o crime. “Ele estava feliz porque tinha sido batizado antes de viajar de férias. Pediu que eu fizesse um churrasquinho no sábado anterior e segunda-feira passou para me dar um abraço, antes de pegar a estrada com os avós, a mãe e o irmão. Meu filho ficou trabalhando. Erick só deu alegrias para a gente, difícil uma criança dessa idade já ser um exemplo, mas ele vinha nos preparando para a falta que vai fazer. Um absurdo tudo isso que aconteceu”, afirmou, inconformado.

 

Segundo o avô materno, pouco antes do crime o clima era de alegria. “Nós estávamos cantando, em comemoração à chegada do sábado, já que somos adventistas. Eu me distraí e não peguei a saída que deveria. Parei para pedir informações aos funcionários da rodovia e já tinha me despedido quando ouvi os tiros. Parecia uma guerra”, lembra o engenheiro Isaac Meira. “O motorista da escolta foi baleado e perdeu a direção. O carro dele ficou na mesma direção do meu. Era tanto tiro que eu achei que ninguém ia sobreviver”, relata.

 

 

Isaac diz que uma das balas atravessou a caixa da roda e perfurou as costas de Erick, na altura dos rins. O projétil transfixou e atingiu o pé do caçula, que precisou de intervenção cirúrgica para retirá-lo, mas já está em casa. Erick ainda foi ferido no peito. “Não dá mais para viver neste mundo, mas Deus tirou a vida dele para sua própria segurança. Nós acreditamos que Jesus vai voltar e um dos sinais é retirar da Terra as crianças. O mundo está condenado”, desabafou o avô.

 

A família havia saído cedo de Santa Catarina na sexta-feira e passaria a noite na cidade de Engenheiro Pena, onde tem parentes. A previsão era de chegar a Belo Horizonte, no Bairro Minaslândia, Região Norte, ainda na manhã de ontem. Abalados, os pais dos meninos não conseguiram nem sequer ir ao velório, na Igreja Adventista do Bairro Concórdia, Região Nordeste. Erick cursava a quarta série na escola da igreja e algumas crianças se despediram do menino com beijos no rosto. Coroas de flores também diziam que o reencontro seria breve. 

 

 

 

 

 

 

 

ESTADO DE MINAS

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