segunda-feira, 2 de Junho de 2014 11:29h

Polícias Militar e Civil investigam circunstância de morte na Rocinha

A Coordenadoria de Polícia Pacificadora da Polícia Militar do Rio de Janeiro ouvirá os policiais envolvidos na morte de Josiel Rafael da Silva, 43 anos, durante tiroteio na Favela da Rocinha.

A Coordenadoria de Polícia Pacificadora da Polícia Militar do Rio de Janeiro ouvirá os policiais envolvidos na morte de Josiel Rafael da Silva, 43 anos, durante tiroteio na Favela da Rocinha, na Zona Sul na tarde de sábado (31)  para apurar as circunstâncias da morte. A Polícia Militar informou que o policiamento está reforçado na comunidade.

Um vídeo veiculado em meios de comunicação mostra um dos policiais comemorando a morte do rapaz e logo depois o corpo sendo carregado em um lençol. A retirada de um corpo deve ser feita somente depois da chegada de peritos da Polícia Civil. A Coordenadoria de Polícia Pacificadora informou que uma submetralhadora calibre 9mm foi encontrada com Josiel, mas não se posicionou a respeito das imagens e o comportamento dos policiais após matarem Josiel.

A Secretaria de Segurança afirmou em nota que os policiais socorreram a vítima por não poderem constatar se o homem estava vivo. Entretanto, no vídeo, os policiais mostram-se certos da morte do homem, que foi alvejado nas costas.

De acordo com o delegado Gabriel Ferrando, titular da 11ª Delegacia de Polícia (DP) da Rocinha, todos os policiais que participaram da ocorrência serão chamados a prestar depoimento, inclusive os que já foram ouvidos na 14ª DP. Testemunhas que possam esclarecer as circunstâncias da morte e do que ocorreu na cena do crime também serão convocadas. O delegado já solicitou os laudos à pericia e o Boletim de Atendimento Médico (BAM) de Josiel.

No tiroteio, dois moradores foram feridos por balas perdidas. Um rapaz foi atingido de raspão e uma mulher de 42 anos foi atingida no pé. Eles foram encaminhados ao Hospital Miguel Couto e liberados no dia seguinte.

A Rocinha, que já foi a maior favela da América Latina, ganhou uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em setembro de 2012. Apesar da presença da unidade, os mais de 71 mil habitantes continuam a conviver com a violência provocada por confrontos entre policiais militares e traficantes de drogas. No início do mês uma pessoa morreu e outra ficou gravemente ferida. Em abril um policial foi baleado na perna e em março uma viatura foi atacada. No início do ano, quatro policiais ficaram feridos, um suspeito de envolvimento com o tráfico morreu após troca de tiros e outro ficou gravemente ferido.

A Rocinha também ganhou visibilidade internacional devido ao desaparecimento do assistente de pedreiro Amarildo Dias de Souza em julho do ano passado. Após investigações, policiais da UPP foram acusados de terem torturado e matado o Amarildo com o consentimento do então comandante da unidade, Edson Santos.

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