sábado, 17 de Novembro de 2012 05:32h Gazeta do Oeste

População de BH vai conviver com tragédias provocadas por chuvas por muitos anos

Os moradores de Belo Horizonte terão que conviver com tragédias provocadas por chuvas por no mínimo mais cinco anos. Mas o drama pode se alongar até o período chuvoso de 2022. O prefeito Marcio Lacerda (PSB) calcula que para sanar os problemas dos 80 pontos de inundação da capital serão necessárias obras que demandam de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões. “A prefeitura não tem recursos e não tem capacidade de endividamento para fazer essas obras todas a curto prazo. É preciso aumentar a prevenção e ter um sistema de socorro eficiente”, afirmou ontem Lacerda. Mesmo que o poder público tivesse a verba, o prazo não seria de menos que três a cinco anos, informou. Não é a primeira previsão do tipo feita pela PBH. Em 2009, primeiro ano da gestão Lacerda, o então o secretário municipal de Políticas Urbanas, Murilo Valadares, previu que a cidade precisaria de dois anos até estar pronta para temporais.

Em entrevista ontem, no Bairro Castelo, na Região da Pampulha, próximo ao Córrego Ressaca – local onde Gilmar Almeida de Santana morreu durante a tempestade da quinta-feira –, o prefeito reagiu com irritação ao ser questionado sobre o fato de que o poder público não agiu a tempo de evitar prejuízos, diante da previsão de temporais, nos pontos onde os problemas são conhecidos. “Se é assim, nós falhamos. Nós devíamos ter sido um pouco mais babás dos cidadãos, para que eles não corressem riscos”, disse.

Sem previsão de recursos que possibilitem enfrentar todo o problema a curto prazo, a estratégia da prefeitura pode chegar ao extremo de interditar vias apontadas como potenciais locais de alagamento. “É preciso pensar em um sistema dinâmico, em que mesmo com uma chuva que produza alagamento em 15 minutos, nós possamos ter o fechamento da via, para evitar que pessoas entrem em zonas de risco”, disse Marcio Lacerda, sem detalhar como a medida poderia ser adotada. O prefeito afirmou que nas próximas duas semanas deve pensar em um “sistema de aviso e monitoramento, que permita reação mais rápida, para que os carros não entrem nessas regiões”.

O atual sistema de prevenção, baseado na colocação de placas de advertência em pontos suscetíveis a alagamentos, mostrou-se insuficiente, admitiu o prefeito. “O que nós fizemos nos últimos dois anos foi instalar centenas e centenas de placas de aviso nessas zonas de inundação, pedindo as pessoas para não se arriscarem nesses espaços nos momentos de chuva forte. Foi o mínimo que podíamos fazer”, afirmou Lacerda, reconhecendo que a última morte mostrou que a iniciativa é ineficaz. “Parece que a pessoa se arriscou. É uma morte que lamentamos muito. Somos solidários com a família. É preciso que o poder público aja mais rapidamente para fechar essas áreas no caso de chuva forte”, disse Lacerda.

O prefeito informou que, na atual gestão, que termina este ano, foram investidos quase R$ 500 milhões em intervenções já concluídas, somando as iniciadas na gestão anterior. “Temos em andamento obras de prevenção de enchentes de R$ 900 milhões. Somando ao que está em projeto e licitação, chegamos a R$ 1,1 bilhão. Nunca se investiu tanto em BH na prevenção de enchentes quanto se fez nos últimos quatros anos” argumentou o prefeito, que foi reeleito e fica no cargo até o fim de 2016.

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