terça-feira, 3 de Novembro de 2015 09:42h Agência Minas

Presas concluem curso de formação humana e empreendedorismo do Minas Pela Paz

O foco da capacitação é fornecer base cidadã para que as presas ingressem no mercado de trabalho

O retorno ao convívio social com uma atitude positiva é o maior desafio para quem cumpre pena de privação de liberdade. Consciente disso, o Instituto Minas Pela Paz, em parceria com a Associação Voluntários Para o Serviço Internacional (AVSI Brasil) e o Centro de Educação Para o Trabalho Virgílio Resi (CEDUC), criou um curso de formação humana e de empreendedorismo para detentas do Complexo Penitenciário Estevão Pinto, de Belo Horizonte, que estão prestes a ganhar a liberdade.

A primeira turma, de 17 presas, recebeu o certificado da formação de 60 horas/aula. Mais duas turmas de presas já estão em sala de aula. O foco da capacitação é fornecer base cidadã para que as presas ingressem no mercado de trabalho.

A iniciativa foi contemplada em seleção de projetos da Vara de Execuções Penais (VEP) de Belo Horizonte, que lançou edital convocatório para instituições interessadas em executar projetos de ressocialização no meio prisional com recursos do Fundo Judiciário.

O juiz titular da VEC-BH, Marcelo Augusto Pereira, reconhece que a maior dificuldade enfrentada pelo detento no reingresso à sociedade é a entrada no mercado de trabalho. Segundo ele, o curso é vem ao encontro dessa demanda, pois capacita o profissional, tornando-o mais competitivo.

A diretora-geral do Complexo Penitenciário Estevão Pinto, Nazia Aparecida Rocha, destaca o sucesso da iniciativa logo na primeira turma e a importância da escolha da unidade para receber os módulos de capacitação, complementando o trabalho de ressocialização já existente, que inclui cursos profissionalizantes e oportunidades de trabalho externo. Na unidade, de acordo com o edital, está previsto o atendimento de mil presas ao fim de um ano.

Aproveitar qualidades

A gerente de projetos da AVSI, Luciana Freitas, responsável por ministrar o módulo de empreendorismo, conta que o curso foi voltado para o aproveitamento das qualidades de cada uma das detentas. “Muitas delas exerciam atividades informais e não sabiam como se formalizar, se privando dos direitos e garantias do trabalhador. No curso, explicamos sobre as vantagens da legalização do negócio, modalidades de empreendimento e postura profissional”, afirma.

Formatura

Uma das formandas, Elizabeth Magalhães, de 37 anos de idade, se emocionou durante a cerimônia de formatura, que ocorreu no mesmo dia em que ganhou a liberdade. Ela afirma que a formação lhe deu novos horizontes na vida, além de devolver a confiança de que ela pode realizar os próprios sonhos.

“Saio daqui com um certificado e a certeza de que agora sou capaz de seguir minha vida junto aos meus filhos fora do caminho do crime”, afirmou Elizabeth, depois de receber o certificado.

Já a detenta Cristina Gomes, de 33 anos, destacou que o diploma era o primeiro da vida. Ela disse que a formatura foi uma realização pessoal, que lhe permitirá transmitir bons exemplos para os filhos, incentivando-os a estudar e a trabalhar.

Durante a formatura, que contou com a presença dos gestores e representantes das associações, diretores da penitenciária e o juiz Marcelo Pereira, as detentas cantaram três músicas ensaiadas em coral para homenagear os convidados.

 

Créditos: Omar Freire/Imprensa MG

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