segunda-feira, 19 de Outubro de 2015 10:15h Agência Minas

Presos de Três Corações constroem sala para professores com aprendizado de cursos técnicos

Preparação do Pronatec habilitou detentos à edificação de um salão para a Escola Estadual Herbert de Sousa, que funciona dentro da unidade prisional

Dois cursos consecutivos do Pronatec deixaram prontos para o mercado de trabalho três presos da Penitenciária de Três Corações, no Sul de Minas. Enquanto se qualificavam profissionalmente, aprendendo os ofícios de pedreiro e carpinteiro, os detentos construíram um salão de 83 metros quadrados para dar maior conforto aos 30 professores, diretor, vice-diretora e três auxiliares de secretaria da Escola Estadual Herbert de Sousa, integralmente instalada dentro da unidade prisional. Parte dos materiais foi fornecida pelo Pronatec e o restante veio de doações do Conselho da Comunidade, com anuência do Poder Judiciário.

A obra, prestes a ser inaugurada, é uma espécie de brinde ao avanço considerável alcançado em 2015 pela escola, que soma, atualmente, quase 400 alunos. A formatura do ensino médio reunirá 127 presos, 20% a mais do que os 105 de 2014. Na vertente de projetos especiais, a E.E. Herbert de Sousa chegou à marca de 25 matriculados em cursos superiores a distância em Turismo, Administração de Empresas e Ciências Contábeis. É mais do que o dobro dos 12 graduandos de 2014.

Esse crescimento é produto do esforço da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) e da Secretaria de Estado de Educação (SEE) de assegurar continuidade nos estudos para os presos. Quase todos os graduandos de 2015 se formaram no ensino médio na Escola Estadual Herbert de Sousa.

Qualidade de ensino

Com o aumento do número de alunos, o quadro de professores também cresceu. A vice-diretora da escola, Isabel Cristina de Souza Bernardes, no novo espaço os educadores poderão preparar com mais comodidade as aulas e discutir o planejamento e a condução das disciplinas. Segunda ela, isso certamente será um fator de melhora da qualidade do ensino.

“Num primeiro momento, a maioria dos presos procura a escola por causa da remição. Depois eles começam a perceber a importância do resgate de valores, do aprendizado e das novas possibilidades que o estudo proporciona. Isto explica a grande adesão dos detentos e o alto índice de alunos que concluem o ensino médio e daqueles que chegam à graduação”, analisa Isabel.

Wesley Augusto Henrique, um dos formandos de 2015 no ensino médio, se sente ainda mais vencedor, pois o ganho na escolarização veio junto com a qualificação profissional. Ele faz parte do grupo que construiu o novo salão da escola e, ao mesmo tempo, conquistou os certificados dos cursos de pedreiro e de carpinteiro do Pronatec. “Tinha uma pequena experiência de servente de pedreiro antes da prisão. Agora, vou sair com estudo e com mais chances de conseguir um trabalho melhor”,  diz Wesley.

Para o diretor geral da unidade, Joel Cardoso de Souza, estas realizações só são possíveis com a ajuda de parceiros. Como é o caso do Poder Judiciário, do Conselho da Comunidade e da Associação de Solidariedade ao Recuperando (Assolar). “Somos gratos a todas as entidades e ao Poder Judiciário, que não medem esforços na busca dessas conquistas e melhorias constantes em prol dos internos. Sem estas parcerias não seria possível realizar todas as obras e reformas na unidade”, diz Souza.

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