sexta-feira, 10 de Agosto de 2012 14:31h Camila Caetano

Problemas no bairro Manoel Valinhas começam a ser solucionados

Moradores do bairro Manoel Valinhas há algum tempo sofrem com a situação do tráfico de drogas, já que segundo os mesmos esse local recebeu a fama do carrapateiro, pois tanto os usuários quanto os traficantes teriam migrado para os bairros Manoel Valinhas e Porto Velho. Deste modo, os residentes dessa região afirmam que agora o maior problema enfrentado é a situação do estacionamento do Shopping porque é muito propício para os crimes, e alguns indivíduos que utilizam e comercializam entorpecentes no local estão morando debaixo da ponte. “Nosso problema se chama Shopping, Ponte e Multirão”, afirma a moradora J. que prefere não se identificar. Assim, é valido ressaltar que na matéria anterior (08/08/12), a Polícia Militar já havia relatado o aumento do policiamento nessa região, e que outras medidas também seriam tomadas em relação a estas pessoas que se apossam do lugar, fazendo da ponte uma moradia.

 


Uma das moradoras, C., que também não será identificada pela reportagem, conta como foi lamentável a destruição da mata onde hoje há o estacionamento do Shopping, que ainda traz problemas à população: “Na verdade em 2006 eu me lembro quando aconteceu o fato mais triste que eu já vi na minha vida, foi quando eles derrubaram a mata do lado de lá, não importando com as conseqüências que iriam acontecer, derrubando uma mata, um problema ambiental. Derrubaram simplesmente para construir um estacionamento que não existe até hoje. Então eu fui à luta na época, consegui que tirasse pelos menos 40 caminhões de terra, porque fizeram um aterro. E inclusive em 2008 nós tivemos a maior enchente em Divinópolis, após várias décadas”.

 

Neste sentido, as moradoras afirmam que uma das principais medidas a ser tomada nesse estacionamento é a iluminação, que não é suficiente, sendo então propício para práticas ilícitas, além disso, é uma forma de proporcionar segurança também aos turistas que frequentam a cidade. “Isso é até uma vergonha para os migrantes que vem comprar”, relata C.

 

C. e J. contam que seus filhos já foram abordados por traficantes enquanto retornavam para casa, deixando-as mais aflitas. “Pegou ele num sábado, não era nem nove da noite, ele sacou um dinheiro no banco foi ao BH e assim que ele chegou naquele primeiro outdoor, na rua atrás do Shopping, ele e a namorada foram abordados. Levaram o relógio, cordão, celular. Inclusive esse menino que pegou meu filho, tem um Mandato de prisão para ele, eu fiquei sabendo que ele já estava preso, mas ontem a gente o viu no Multirão”, desabafa J.. A outra moradora também relata que no ano passado quando sua filha retornava mais ou menos às dez horas da noite, uma pessoa surgiu subitamente do meio do mato e a atacou, “mas graças a Deus ele não tinha ideia que a gente morava tão próximo, quando a cachorra ouviu os gritos dela começou a latir e nós saímos lá fora, e ele sumiu”, complementa C.

 

Projeto da PM gera resultados na região


A região que conta com o projeto “Rede de Vizinhos Protegidos” vinculado a Polícia Militar já obteve ganhos relevantes, como o aumento do policiamento. Uma das moradoras declara que o apoio da PM está sendo fundamental nessa luta no bairro Manoel Valinhas: “Eles até fizeram uma operação aqui semana passada, com algumas abordagens, até algumas prisões. Mas o problema não é só da Polícia, é social, gestão pública”.
Outro problema agravante é o matagal que fica na Rua José Gomes, servindo muitas vezes de esconderijo dos próprios traficantes ou como local para guardar objetos roubados. Uma das moradoras conta que os criminosos chegam a avisar que irão procurar os materiais que haviam escondido. “Na minha porta, as britas que estão ali, eles tiveram a cara de pau, de virar pra mim e falar – Oh Dona, nós vamos procurar uma coisa que nós escondemos aqui. Então, eu fiquei de pés e mãos atadas, porque a gente tem filhos, família, e ele me visualizou. Ou seja, de tudo que se pensar acontece”.

 


Contudo, com a “Rede de Vizinhos Protegidos”, os moradores conseguiram a limpeza desse local, ainda não está completa como aspiram, entretanto, já é um começo. “Está muito bom com essa limpeza aqui, mérito da Rede de Vizinhos e com muito apoio da Polícia Militar, e digo que o fortalecimento da luta deles junto com a gente foi muito importante”, comenta C. A mesma ainda ressalta: “Eu quero reforçar a importância dessa organização que é um passo muito grande para a cidadania, acho que a população também tem que fazer sua parte, e olha que teve um momento aqui que a gente quase que desistiu, mas a gente inteirou essa reunião, às vezes tinham três, quatro pessoas, mas o foco que era buscar uma tranquilidade pra gente, estamos conseguindo. Isso aqui já trouxe para nós uma nova esperança.”

 

Área de Preservação Permanente (APP)

 

Agora é preciso achar outra solução para a limpeza desse local, pois até o momento só foi possível realizar a capina, pois por ser uma Área de Preservação Permanente (APP) a Prefeitura não pode mexer, “só que ali não tem nada para preservar, tem só mato e esconderijo para eles”, desabafa J. A moradora comenta que até então viria um pessoal para dar uma limpeza maior, porém não foi possível devido à grande quantidade de carrapatos. “Na segunda-feira eles vieram e tiveram que ir embora, ontem o encarregado bateu remédio na roupa dos funcionários para poder trabalhar. A gente quer uma máquina que limpe essa área, porque nós vamos reflorestar a mata, porque é uma área de preservação importante para nós, não é qualquer pessoa que tem uma mata dessa, é um problema, mas também é um benefício pra gente.” Neste sentido, a próxima medida é a liberação desse equipamento para finalização, tal passo foi discutido na última reunião da ACASP. Assim, ficou decidido que o Promotor do Meio Ambiente será convidado para poder ir ao local e ver se essa providência poderá ser tomada.

 


União entre os moradores e a gestão pública é fundamental

 

 

Além disso, os moradores comentam que com o fortalecimento da “Rede de Vizinhos Protegidos” é essencial a união de todas as Redes do bairro, a fim de levar melhorias para toda essa região. “Seria interessante uma Associação da Rede dos Vizinhos”, conclui J.

 


Por fim, C. comenta que os políticos na maioria das vezes se esquecem de olhar para os problemas da base, que são de responsabilidade de toda gestão pública. “Acho que os candidatos nesse pleito 2012 eles têm que ter na sua Agenda uma reunião com a Rede de Vizinhos, não é nós que temos que procurá-los não. Eu fico vendo a Agenda toda semana, eu nunca vejo uma preocupada com essa questão de dialogar com a Rede Vizinhos. Eles tem que ter uma proposta que venha da base. Isso aqui é livre de Política Partidária, nós em momento nenhum a gente pautou para essa questão, teve até proposta, mas nós fomos contrários, porque isso aqui é democrático”.
 

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