quarta-feira, 3 de Outubro de 2012 10:23h Erik Ulysses

Professora afirma ter sofrido agressões de alunos em Itaúna

De acordo com Tânia Moreira, de 57 anos, professora de geografia na Escola Estadual Dona Judith Gonçalves Santanense, um grupo de alunos da turma 8º C a teria agredido

Na sexta-feira, dia 21 de setembro, uma professora de Itaúna disse ter sofrido agressões de alunos na escola em que trabalha. De acordo com Tânia Lucinda Moreira, de 57 anos, professora de geografia na Escola Estadual Dona Judith Gonçalves Santanense, um grupo de alunos da turma 8º C a teria  agredido após a mesma ter decidido segurar os alunos em sala de aula por mais 15 minutos além do tempo normal da aula. Segundo ela tal decisão foi tomada devido aos recorrentes casos de indisciplina da turma. “A turma mereceu um momento de reflexão. Não vamos falar em castigo porque soa um pouco forte. Eu resolvi deixá-los 15 minutos depois do horário, para eles poderem refletir o que eles haviam feito durante a aula” contou ela.

 


A professora ainda descreveu o momento da suposta agressão: “Eu sentei frente à porta, na minha mesa, entrelacei as minhas pernas com as pernas da mesa para segurar e sentei na minha cadeira. Eles não aceitaram esse momento de reflexão e puxaram a mesa com muita força, foi onde machuquei os meus joelhos, as minhas pernas e meus pés. Eu ainda continuei sentada na mesa e veio um grupo de alunos e me pegaram e me arremessaram na parede e nesse momento eu tive um desmaio, um perda de consciência, fiquei deitada. Somente depois de um tempo eu voltei”.

 

Tânia disse que as duas vice-diretoras chamaram o SAMU e que ela foi levada para o hospital, porém diz ter ido sozinha porque as vices teriam compromissos com suas famílias. “Eu fui desacordada para o hospital, mas elas não me acompanharam, eu fui sozinha para o hospital, porque elas alegaram que tinha um marido para cuidar e a outra uma filha para cuidar” afirmou ela. De acordo com a professora dois médicos constataram as lesões sofridas por ela. Um atestou que ela teria sofrido mialgia nos membros inferiores e o segundo teria atestado a respeito do desmaio e que a mesma teria sofrido uma hemorragia. O médico ainda teria pedido uma radiografia, que ainda não está pronta, por suspeitar de um edema cerebral.

 

De acordo com as vices-diretoras todas as medidas para garantir a saúde de Tânia foram tomadas. As duas chamaram o SAMU e a Polícia Militar e disseram que apesar de não terem a acompanhado, pois teriam compromissos, ligaram para os familiares da professora e avisaram o que havia ocorrido.

 

Tânia afirma ter sido negligenciada pela diretora da escola, Tatiana Amorim, que não estava no local no dia do ocorrido. Para Tânia, o fato do Conselho Tutelar não ter sido acionado configura um desleixo da diretora. “No dia a diretora não estava presente, ela não teve nenhuma atitude. Eu achei uma negligência total da diretora. Ao menos o conselho tutelar, porque tem o plantão” falou Tânia.

 

De acordo com Tânia a vice-diretora não queria saber de seus machucados provocados pelos alunos.  “E eu procurei a vice-diretora para mostrar a lesão que tinha causado em mim e ela alegou que não estava nem aí para as minhas lesões e que se eu não saísse dali ela chamaria a Polícia” afirmou Tânia, dando a entender que tal encontro teria ocorrido na escola.

 

Porém, de acordo com a vice-diretora Ayla Hees a mesma a teria procurado uma semana depois e em sua residência por volta das 20 horas. “Ela esteve na escola na segunda-feira, ela conversou com a nossa diretora. Aí na terça-feira ela esteve novamente na escola, conversou com a gente e foi feita uma reunião na qual ficou decidido que eu não iria participar. Aí quando foi na sexta-feira (28) ela esteve no meu prédio e queria que eu abrisse a porta. Ficou me chamando lá em baixo e queria que eu descesse na portaria para conversar com ela. Meu marido que atendeu o interfone disse que eu não desceria porque caso de escola era para ser tratado na escola. E ela continuou apertando o interfone porque queria que eu descesse para ver o joelho que ela machucou sei lá quando. E o meu marido disse que eu não iria descer que era para ela ir embora porque ela estava perturbando o nosso sossego. No sábado, ela começou a me ligar o dia inteiro. Eu disse que o joelho dela no sábado, fora da escola não era problema meu e se ela continuasse a ligar o meu marido chamaria a polícia’ contou.

 

Ayla disse que tudo o que podiam fazer pela professora foi feito. “A gente deu todo o apoio. Eu não estava na sala no momento em que isso aconteceu. Eu não sei o que aconteceu. Eu estava na porta da escola, porque os alunos estavam saindo e eu tenho que olhá-los e a outra vice-diretora subiu e no momento que ela subiu para a sala a Tânia já estava no chão. A gente chamou o SAMU, chamamos a Polícia e eles não fizeram o Boletim de Ocorrência porque a Tânia não estava lá”. O Boletim de Ocorrência foi feito posteriormente por Tânia no dia 27.

 

De acordo com a diretora da escola, Tatiana Amorim, os alunos afirmam não terem jogado a professora contra a parede. “Os alunos falam que não. Eles falam que eles sacudiram a cadeira na tentativa de tirar ela da porta, aí ela caiu e bateu a cabeça como ela falou. Ela saiu da escola consciente, foi chamado o SAMU, o que teve de ser prestado foi prestado. Minhas vices-diretoras não a acompanharam, mas avisaram a família” contou.

 

Sobre o fato de providências não terem sido tomada contra os alunos Tatiana afirma não serem verdadeiras as informações. Ela explicou que o promotor da Infância e Adolescência, Renato Boechat, só atende nas quartas-feiras e como a reunião entre elas ocorreu somente na terça-feira, e nem mesmo o B.O havia sido registrado, não foi possível levar o caso para a promotoria no dia seguinte. A diretora contou que a partir do momento que apurou o nome dos alunos envolvidos encaminhou os nomes para o promotor, além de ter conversado e chamado a atenção de toda a sala. Segundo ela, hoje às 17 horas acontece uma audiência do promotor com os alunos e seus pais e que a ocorrência seria entregue para o promotor até as 14 horas.

 

A diretora contou que Tânia estava de féria premias no cargo que ocupa durante o turno da manhã e que era para ela ter voltado a trabalhar na escola na manhã de terça feira na Biblioteca, porém ela não compareceu. Ela disse que não sabe qual será a decisão de Tânia, se esta voltará ás aulas ou pedirá afastamento.

 

Ainda de acordo com Ayla e Tatiana a professora teria ainda agredido um aluno alguns dias antes do fato ocorrido. Ayla afirma que viu o fato e a diretora disse que ficou sabendo do caso na segunda-feira passada quando o aluno a procurou para contar o ocorrido e que o mesmo também vai participar da reunião com o promotor.

 

Tânia Lucinda esteve em Divinópolis na manhã de ontem para dar entrada com papéis na Superintendência Regional de Ensino pedindo para ser aberta uma sindicância contra a escola.
 

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