quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2013 05:04h Erik Ullysses

Projeto de cinoterapia é implantado pela PM no instituto Helena Antipoff

Tratamento que utiliza cachorros como forma de desenvolver funções psicológicas superiores de pessoas com deficiência mental e múltipla

Crianças, adolescentes e adultos com necessidades especiais brincam com um cachorro, acompanhadas por um policial militar. A primeira vista parece realmente apenas uma brincadeira, mas na verdade se trata da cinoterapia, um tratamento que trabalha as funções psicológicas superiores de pessoas com deficiência mental e múltipla utilizando-se de cães treinados e de uma equipe multidisciplinar. Na manhã de ontem a Polícia Militar de Divinópolis lançou o seu projeto de cinoterapia em parceria com o Instituto Helena Antipoff, mantido pela APAE.
Estiveram presentes na solenidade os alunos da Escola Estadual e do Instituto, pais e mães, policiais militares, professores, diversos profissionais ligados a área da saúde, e também autoridades, como o tenente coronel Júlio Teodoro, comandante do 23° BPM e o diretor da APAE de Divinópolis, José Gabriel. Durante o lançamento as crianças puderam ter os primeiros contatos com a cadela Jade, animal que foi treinado desde filhote para essa finalidade. Após os pronunciamentos, algumas crianças cantaram uma música e uma parlenda, enquanto a banda de música da PM tocou para todos os presentes.
O comandante do 23°, Júlio Teodoro, explicou que o projeto da cinoterapia do batalhão já vem sendo desenvolvido há mais de um ano. Segundo ele os policiais militares conheceram outros projetos em Sete Lagoas e São Paulo para que o mesmo fosse trazido para a unidade em Divinópolis. “Esse projeto já vinha sendo construído desde o início de 2012. Nós primeiro levamos alguns policiais militares para conhecerem o projeto em Sete Lagoas. O soldado Barros foi até São Paulo e nós ganhamos de doação a cadela Jade. E hoje temos a felicidade de lançar esse projeto em parceria com o instituto Helena Antipoffe” garantiu. O comandante se disse feliz pelo lançamento do projeto, além de ter a certeza que é um ganho para a comunidade divinopolitana e para a própria PM. “Hoje a semente foi lançada! O brilho nos olhos das pessoas, das crianças, dos adolescentes. É um projeto que tem tudo para crescer e também englobar outras instituições. Certamente Divinópolis ganha e a Polícia Militar também ganha” comemorou.
A diretora pedagógica da APAE, Clecilia Maria Silva Maia, disse que a cinoterapia vem para somar no tratamento das crianças, adolescentes e adultos atendidos na instituição. Ela contou que atividades como fisioterapia e psicologia já são oferecidas no instituto e que o tratamento com os animais irá ajudar na área afetiva das pessoas atendidas. “Nós atendemos crianças, jovens e adultos com deficiência intelectual e múltipla. Esse projeto da cinoterapia vem contemplar a área afetiva. Tudo tem haver com sentimentos. Então além de todas as modalidades que nós oferecemos, de todo o tratamento, que é a fisioterapia motora, a fisioterapia respiratória, fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional, nutrição, enfermagem, pedagogia, agora vamos implantar esse projeto que foi criado, escrito e desenvolvido pelo 23° BPM, sediado em Divinópolis. E vem contemplar essa área afetiva, de sentimentos, onde vai ser trabalhado com o cão. É a proximidade da criança, do adulto, do jovem  deficiente com o animal, o cão, que é preparado e treinado para essa atividade. Essa atividade vai ser desenvolvida pelo soldado Barros e um profissional da área clinica. Vai ser um trabalho conjunto entre a nossa equipe com o 23° BPM, com os componentes do batalhão” afirmou.
O soldado Rafael da Silva Barros, responsável pelo projeto, contou que a cadela Jade tem dois anos de idade e sempre foi treinada para os fins da cinoterapia. Segundo ele a cadela é dócil e tem um comportamento muito tranqüilo, o que ajuda no tratamento, especialmente das crianças. “Ela está em treinamento desde quando ela era filhote e hoje ela já participa de um projeto na AABB comunidade e já tem contato com as crianças. Por isso que ela é tranquila, porque o treinamento dela já vem ao longo de dois anos” explicou. Apesar de já ser desenvolvido um trabalho com a Jade na AABB ele disse que a cinoterapia é apenas na APAE, já que existe uma patologia a ser tratada, enquanto o projeto desenvolvido na AABB, por não existir nada a ser tratado, é apenas uma atividade psicossocial.
Quem também ficou feliz com a novidade foram os pais das crianças atendidas. Anália Oliveira, mãe de uma aluna, contou que a filha adora animais, e que espera que a filha fique ainda mais alegre. “Acho que vai ser muito importante para ela, porque aqui eles todos tem as deficiências deles. Então é um projeto muito bom que estão oferecendo para eles. Eles vão ficar mais alegres” contou.

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