sábado, 28 de Fevereiro de 2015 04:45h Atualizado em 28 de Fevereiro de 2015 às 04:47h. Pollyanna Martins

Promotores fazem ato de repúdio a atentado sofrido por promotor de Justiça em Monte Carmelo

Marcus Vinícius Cunha foi atingido por quatro dos 15 tiros disparados contra ele

Um ato de repúdio ao atentado que o promotor de justiça Marcus Vinícius Ribeiro Cunha sofreu no último sábado (21), em Monte Carmelo, reuniu parte do poder judiciário de Divinópolis no Fórum local. Promotores e juízes mostraram a sua indignação com o crime e prestaram solidariedade ao colega.
O promotor da Vara da Infância e da Juventude, Casé Fortes, que estava representando a Secretaria das Promotorias, afirmou que o atentado contra o promotor é uma afronta à sociedade. “Aqueles tiros atingiram a todos, não só a juízes e promotores, atingiu toda pessoa que procura por justiça, amparo e segurança. Acredito que não vai alterar o andamento do processo que o promotor estava investigando, ao lado disso o ato vai ser apurado e os culpados vão pagar por isso dentro da lei. Nós apoiamos o promotor e continuaremos a agir dentro da lei”, enfatiza.
Cerca de 50 pessoas estiveram presentes no ato, que foi apoiado também pelo promotor de justiça Gilberto Osório Rezende, pelo juiz Francisco de Assis Corrêa e pelo juiz da 5ª Vara Cível José Maria dos Reis, que destacou a continuidade do trabalho de promotores e juízes de Minas Gerais.
“Esse ato não afeta a gente em nada. Atos dessa natureza nos fortalecem mais ainda. É preciso que seja resgatado o princípio da autoridade, ninguém respeita mais nada. No momento em que a autoridade acabar na sociedade nós estaremos perdidos. Qual vai ser o poder que vai nos acolher em um momento de dificuldade? O poder judiciário é onde o povo se agarra”, ressalta José Maria.
De acordo com o juiz, existe uma associação em Belo Horizonte que busca aumentar a segurança de promotores e juízes. “Já existe uma associação em Belo Horizonte cuidando de discutir as questões de segurança e buscar medidas para implementar uma maior segurança na sociedade como um todo, mas especialmente nos foros aonde a gente mexe com pessoas que vivem na prática de atos ilícitos, ofendendo o direito do cidadão”, revela.

 

SEGURANÇA
Segundo o Ministério Público, o ato também foi realizado em Uberlândia, Pouso Alegre e Contagem. Durante uma coletiva de imprensa realizada na terça-feira, o procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Carlos André Mariani Bittencourt, disse que o atentado atinge todas as instituições de segurança do Estado e que vai reforçar ainda mais as estruturas de combate ao crime organizado e à improbidade administrativa.
“Em nenhum momento haverá paralisação, sequer arrefecimento de qualquer atividade do Ministério Público de Minas Gerais. Pelo contrário, esse tipo de episódio só revigora em nós a convicção de que é nossa obrigação continuar no caminho de repressão aos desvios administrativos, à corrupção, à criminalidade organizada”, afirma Carlos.
Conforme o promotor público, Sérgio Gildim, o MP na esfera nacional, estadual e municipal apoia o movimento por ser tratar de um atentado contra o povo brasileiro. "Há um encaminhamento para o procurador geral da justiça e ao presidente do Tribunal de Justiça para que sejam feitos estudos que garantam a integridade das autoridades, como elas cuidam desses casos que podem provocar este tipo de situação. Nenhum promotor de justiça ou juiz deixará de cumprir as suas obrigações por causa desses atos de intimidação, isso nos dá mais força para combater os crimes”, garante.

 

O promotor de justiça de Monte Carmelo, Marcus Vinícius Ribeiro Cunha foi vítima de um atentado no último sábado (21) quando saía da promotoria, no Centro do município, em direção a sua casa. De acordo com o delegado que cuida do caso, Wilton José Fernandes, o promotor trabalhou durante a tarde e foi surpreendido por uma motocicleta armado, que disparou pelo menos doze vezes contra o veículo.
Marcus Vinícius foi atingido por três tiros nas costas. As investigações apontam Juliano Aparecido como o suspeito do crime, que a mando do pai tentou matar o representante do Ministério Público. Juliano é filho do ex-vereador e ex-presidente da Câmara Valdelei José de Oliveira, que teve o mandato cassado em 2014 a partir de investigações do promotor. Os suspeitos foram presos durante a madrugada de domingo, depois de uma grande operação montada pelas polícias Civil e Militar, em Monte Carmelo.

 

Crédito: Pollyanna Martins

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