quinta-feira, 2 de Junho de 2016 16:16h

Suspeito de matar ex-cunhado é julgado por júri popular

Além de Wladimir Elianay Salgado, outros dois suspeitos participaram do crime, que ocorreu em dezembro de 2012

POR POLLYANNA MARTINS

pollyanna.martins@gazetaoeste.com.br

 

O suspeito de matar o ex-cunhado em 2012 foi a julgamento ontem (31), no Fórum Manoel de Castro dos Santos. Wladimir Elianay Salgado, que já cumpria pena por homicídio em regime semiaberto, é suspeito de matar o ex-cunhado, Reginaldo Vilela, na manhã do dia 26 de dezembro de 2012, no bairro Santos Dumont, em Divinópolis, após a sua irmã pedir para que desse um “susto” no ex-marido. De acordo com a Polícia Militar (PM), na época, a vítima, com 34 anos, saía de casa para ir ao trabalho quando foi surpreendido pelo ex-cunhado, um sobrinho da ex-mulher e o seu enteado. Reginaldo foi agredido na cabeça, recebeu várias facadas no tórax e braços e, em seguida, foi atropelado três vezes. A vítima chegou a ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no Pronto Socorro.

 

 

 

A irmã de Reginaldo, Francielle Dutra, acompanhou o julgamento e relembrou os últimos momentos do irmão. Segundo Francielle, Reginaldo foi casado durante nove anos com a ex-mulher e os dois tinham um relacionamento conturbado devido a bebidas. Ainda segundo a costureira, cerca de quatro meses antes do assassinato, o casal estava separado, e um dia, a ex-cunhada apareceu embriagada na casa da ex-sogra e iniciou uma discussão com Reginaldo. “Ela estava discutindo com o meu irmão e a minha mãe foi ver o que estava acontecendo, e as duas começaram a brigar e ela foi agredir minha mãe e ele [Reginaldo] não aceitou e bateu nela nesse dia”, conta.

 

 

 

Conforme Francielle, após a agressão, a ex-cunhada acionou a PM, mas o irmão não foi preso. A irmã da vítima conta que a ex-cunhada enviou uma foto das agressões para os irmãos que moram em São Paulo, dizendo que tinha apanhado do ex-marido. “Eu não entendi, porque no dia não aconteceu nada com ele, e ela chegou em casa e falou para o filho dela e para o irmão, que morava em São Paulo, que ele tinha batido nela”, detalha. Francielle relembra que, um dia antes de ser assassinado, Reginaldo havia passado o Natal com a família e os filhos do casal em uma roça em Divinópolis. No dia 26 de dezembro de 2012, a vítima estava a caminho do serviço, quando foi surpreendido pelos três indivíduos, por voltas das 6h. “Ele entregou as crianças para ela cedo, e ia trabalhar, mas foi seguido por eles [os suspeitos]. Teve uma festa da família dela aqui e os parentes dela de São Paulo estavam na casa dela, então eles pegaram o meu irmão no meio do caminho”, relata.

 

 

 

Ainda de acordo com a irmã da vítima, Reginaldo foi agredido, esfaqueado e, mesmo machucado, se levantou do chão e foi agredido na nuca com um “pé de cabra”. Mesmo com os ferimentos, os suspeitos passaram o carro por cima da vítima três vezes. “Ele [o suspeito] está falando que não foi para matar, que foi só para dar um susto, como que não vai matar?”, questiona. Na época, o sobrinho e o filho da ex-mulher de Reginaldo tinham 15 e 14 anos. Francielle diz que a maior revolta foi o irmão ter ajudado a criar a pessoa que iria lhe tirar a vida. “Meu irmão que cuidava dos filhos dela, ele vivia para eles, inclusive, esse filho dela que ajudou a matá-lo, ele que ajudou a criá-lo”, conta.

 

 

 

JUSTIÇA

Apesar de a ex-mulher de Reginaldo não ter sido indiciada, a família da vítima acredita que ela foi a mandante do crime. Segundo Francielle, a ex-cunhada nega que tenha mandado matar o ex-marido. Para a família, resta o desejo de que a justiça seja feita. “A gente espera justiça. A gente sabe que tudo está sobrando pro Wladimir, e que os menores estão se safando. Um erro não justifica o outro, que seja feita a justiça para os três, porque parece que não vai ter para os outros dois, parece que vai ficar por isso mesmo”, lamenta. Até o fechamento desta edição, a sentença do réu não havia sido decretada.

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