quarta-feira, 20 de Julho de 2016 13:53h Pollyanna Martins

Vigilantes pedem mais segurança durante manifestação

Os trabalhadores se reuniram na manhã de ontem para homenagear o colega morto na tarde dessa segunda-feira (18), em um supermercado no bairro Quintino

Vigilantes realizaram uma manifestação na manhã de ontem (19), na Praça do Santuário, em prol do segurança morto na tarde dessa segunda-feira (18), em um supermercado no bairro Quintino, em Divinópolis. A vigilante, Kellen Santos Silva, trabalha no ramo há 12 anos e foi uma das organizadoras do protesto. De acordo com Kellen, a manifestação foi organizada em prol da família de André Mathias de Souza e de Washington Batista dos Santos, morto em fevereiro do ano passado, enquanto fazia a segurança de uma festa. “Nós queremos mais apoio para a classe, porque a gente trabalha, na maioria das vezes, sem o material adequado, como no caso do André, que estava sem armamento e o colete à prova de balas”, afirma.

 

 

André estava em seu primeiro dia de trabalho e Washington fazia bicos como segurança nos dias de folga, ambos deixaram esposas grávidas. A esposa de André está grávida de cinco meses e a de Washington teve o bebê dois dias após o assassinato do marido. Uma das reivindicações dos vigilantes é a segurança da classe. Kellen ressalta que ambos foram mortos de maneiras covardes e não tiveram chance de defesa. “A classe quer melhores condições de trabalho, porque foram inocentes que morreram”, frisa. A segurança diz que, com as atuais condições de trabalho estabelecidas por lei para a classe, não é surpresa quando um vigilante é assassinado. Conforme Kellen, os trabalhadores saem para trabalhar sem saber se irão voltar vivos. “A gente sai para trabalhar sem saber se vai voltar andando ou dentro de um caixão. A nossa realidade hoje é essa. Divinópolis está muito violenta e não temos apoio”, reclama.

 

 

Após a concentração na Praça do Santuário, os vigilantes seguiram para o velório do vigilante assassinado na segunda-feira (18). O vigilante, Paulo Daniel Dias Oliveira, atua na área há sete anos e, assim como Kellen, afirma que o alto índice de criminalidade de Divinópolis aumentou a vulnerabilidade dos seguranças particulares. “Está complicado trabalhar como vigilante em Divinópolis por causa do alto índice de violência. Os criminosos saem de casa para matar ou morrer”, lamenta. O vigilante relembra ainda o caso da tentativa de homicídio que o segurança Geraldo Everton Faria Nogueira sofreu em abril do ano passado. Na época, Geraldo foi baleado no pescoço após brigar com um cliente, em um bar, no bairro Padre Libério. Paulo frisa que a insegurança é grande, pois todos estão sujeitos a estarem cara a cara com um criminoso. “Todo dia nós estamos sujeitos a passar pelo o que o André, o Washington e o Geraldo passaram. É revoltante ver um pai de família morto no primeiro dia de trabalho, e não tinha nada a ver com os bandidos”, queixa.

 

 

 

EMPRESA

André estava em seu primeiro dia de trabalho como segurança no supermercado, e havia sido contratado pela empresa Cordeal Segurança. De acordo com um dos donos da empresa, que preferiu não se identificar, outro segurança da empresa, que também chamava André, teve um desentendimento com um cliente do supermercado no sábado (16). Segundo o empresário, o vigilante anotou a placa de uma moto que estava estacionada no supermercado, como um procedimento padrão da empresa, e foi ameaçado pelo dono do veículo. “Um rapaz estava na moto e disse que, se chegasse alguma multa para ele, ele mataria o André. Nós fomos até a delegacia e registramos um Boletim de Ocorrência (B.O) de ameaça de morte”, conta.

 

 

Conforme o empresário, no domingo (17), houve uma reunião na empresa e foi definido que o vigilante seria transferido para outro supermercado, e o novo funcionário iria para o supermercado no bairro Quintino, onde aconteceu o crime. “Até agora nós estamos sem acreditar. É um absurdo nós falarmos, mas a gente espera um assalto, um latrocínio, mas nunca uma execução”, lamenta. O empresário informou que está dando todo o apoio para a família do segurança morto, e que a empresa apoia também a manifestação dos seguranças. “A gente apoia a manifestação, porque tem que ter mais segurança para esta área, tem que cobrar novas leis. Hoje os bandidos fazem o que querem”, finaliza.

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