quinta-feira, 10 de Maio de 2012 13:30h Carla Mariela

25ª Reunião Ordinária pautou tema direcionado a Igualdade Racial

Na última terça-feira, a 25ª Reunião Ordinária que ocorreu na Casa Legislativa, às 14 hs, fez com que os parlamentares pautassem diversos temas. Entre os assuntos debatidos estavam quatro projetos na ordem do dia, sendo que dois foram sobrestados e dois aprovados.
O primeiro sobrestado estava relacionado com a lei orgânica do Município de Divinópolis de autoria da vereadora Dra. Heloísa Cerri (PV). O segundo projeto sobrestado foi em relação à obrigatoriedade de pessoas treinadas na linguagem de Libras em unidades de saúde no Município de Divinópolis de autoria do parlamentar Rodyson do Zé Milton (PSDB).
As duas propostas aprovadas no fim da reunião foram dois projetos de autoria do vereador Edson Sousa (PSB) relacionados com denominações de ruas. Além dos projetos e pronunciamentos dos vereadores, o encontro também contou com a presença da tribuna e professora Maria Catarina que colocou em discussão o tema: Estatuto da Igualdade Racial.
De acordo com Maria Catarina, a ida dela ao plenário legislativo, para usar a tribuna, foi para abordar o assunto sobre a abolição da escravatura até o Estatuto da Igualdade Racial, que foi uma das grandes conquistas do movimento negro com o aval do presidente Lula. “Eu vim principalmente porque eu não posso omitir essa luta minha de militância, pois eu estou aqui como militante há mais de dez anos pela causa negra em relação à educação. Eu moro em Divinópolis há 25 anos e o que me incomoda é o fato de não vermos muita preocupação com a promoção do negro, pois eu estou aqui defendendo a minha etnia, que historicamente foi podada de estudar, nós tivemos que aceitar decretos dos nossos ancestrais”, afirmou.
Maria Catarina ainda ressaltou a importância que o negro possui e solicitou mais oportunidades. “O que eu vim pedir é que no contexto, todo negro e toda negra nessa cidade, também tenha a sua oportunidade, pois não me deram oportunidade, eu tive que construir. Mas, nós temos o Estatuto da Igualdade Racial de 2010 que está cheio de ações afirmativas na saúde, na moradia, nos meios de comunicação e eu vim pedir isso para essa Casa, pois não existe nenhum projeto plenamente social voltado para oportunidade negra e não adianta questionar”, declarou.
Para ela, o seu propósito foi chamar atenção dos parlamentares para que haja mais projetos sociais que sejam direcionados para gerar oportunidades aos negros e aproveitou a reunião para também destacar como funcionavam as cotas constitucionais. “Nós vimos o que causou na sociedade a questão das cotas constitucionais. Defendo as cotas, porque nenhuma outra etnia foi proibida de estudar nesse país, e depois houve um decreto que proibia o negro de estudar. Em 1968, no governo Costa e Silva, 50% das cotas na educação infantil, já eram reservadas para filhos de agricultores. Essa cota para brancos ou para ricos e outras etnias, ninguém reclama, então, eu estou aqui com o desejo de dialogar com todos para falar um pouco desse Estatuto da Igualdade Racial, lei 12.288 de 20 de julho de 2010, que sem dúvida foi um grande passo de ação afirmativa para o negro”, relatou.
O Estatuto da Igualdade Racial é uma lei que visa a promoção de igualdade racial. Esse estatuto trata de diversos temas como educação, saúde, cultura, justiça, entre outros. Além disso, é um documento que visa trazer ações afirmativas para o avanço nas questões raciais.
Maria Catarina faz um alerta para a geração futura de Divinópolis. “Antes de qualquer coisa, eu quero alertar para o futuro, em que nossa cidade não tenha que conviver explicitamente com problemas do racismo e discriminação porque isso existe, às vezes não é falado, às vezes não é denunciado, mas para que não cheguemos a esse ponto como vejo em outras cidades do país, eu acho que cabe ao parlamento prevenir e prevenir é apenas com políticas sociais sérias que às vezes nem geram muito gastos, basta ter boa vontade e criar as leis para que os nossos empresários, o comércio e outras instituições dêem oportunidades dentro do Estatuto da Igualdade Racial”, argumentou.
Contudo, em seu discurso, Maria Catarina, disse que estava muito feliz de estar na tribuna novamente, pois ela já teria ido até a Casa Legislativa, para pautar sobre as questões sociais. Segundo ela, a ida à Câmara Municipal foi para defender a sua etnia, a sua solicitação no uso da tribuna visa o combate da discriminação. Ainda em seu pronunciamento, ela citou a abolição da escravatura, que para ela, se tornou o maior movimento civilista do Brasil até chegar às Diretas Já. Ela espera que projetos que dêem oportunidades aos negros e que os insere na sociedade sejam colocados em prática.

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