sexta-feira, 24 de Outubro de 2014 05:47h Atualizado em 24 de Outubro de 2014 às 05:49h. Andréa Leonora e Nícola Martins |

“A Educação será nossa prioridade nacional”

Dilma Rousseff, presidente da República e candidata à reeleição pela coligação Com a Força do Povo (13)

Dilma Rousseff, presidente da República e candidata à reeleição pela coligação Com a Força do Povo (13), respondeu a duas entrevistas exclusivas realizadas pela Associação de Diários do Interior do Brasil e Central de Diários do Interior (ADI-BR/CDI). Na entrevista de primeiro turno, ela chamou a atenção para o “relacionamento republicano” que manteve com estados e municípios, mas destacou em especial a notícia divulgada pouco antes, pela Organização das Nações Unidas (ONU), de que o Brasil saiu do mapa mundial da fome. Na entrevista que está sendo publicada hoje, feita especialmente para o segundo turno, ela fala da importância que a Educação terá em seu governo, no caso de um segundo mandato. “A Educação estará no centro de tudo, da creche à pós-graduação”, afirma.

Que mudanças devem ocorrer em seu discurso, agora, no segundo turno?
Dilma Rousseff - Há dois projetos em disputa nessas eleições, dois projetos que são muito distintos e já foram testados na prática. Dois projetos com rumos, prioridades e compromissos bem distintos. Isso é algo que está ficando cada vez mais claro para o eleitor. Por exemplo, a maneira como foram enfrentadas as crises. Os governos tucanos sempre enfrentaram as crises com políticas econômicas ortodoxas e recessivas, cortando investimentos, empregos,políticas sociais e salários e elevando fortemente os juros. Nós seguimos um caminho completamente diferente para enfrentar uma crise muito mais séria: defendemos o emprego e os salários, mantivemos as políticas sociais, desoneramos diversos produtos, reduzimos os juros dos bancos públicos, estimulamos o consumo. Resultado: a inflação média anual dos governos Lula e meu ficou em 5,9%, enquanto a dos governos tucanos foi de 9,2%. O índice de desemprego em 2002 chegou a 11,7%, hoje é de 5%, o menor da história. Nos governos tucanos, os salários pouco valiam. Nós valorizamos os salários. O mínimo cresceu 71% acima da inflação.

Como conquistar os 22,1 milhões de votos de Marina Silva e os mais de 38 milhões de votos, somados os brancos, nulos e as abstenções?
DR - Os brasileiros amadureceram bastante em quase três décadas de democracia. Os eleitores, inclusive os que votaram em candidatos que não foram para o segundo turno, escolherão o que é melhor para o Brasil e para eles próprios levando em conta sua experiência e seus interesses. Estou trabalhando duro para conquistar cada voto e extremamente feliz com a energia muito positiva que venho recebendo em todos os estados do Brasil.

O que achou do nível da campanha no primeiro turno? E o que espera para o segundo turno?
DR - Tivemos uma disputa intensa, com alguns picos de tensão, mas tudo dentro do embate democrático. Neste segundo turno, infelizmente meu adversário decidiu apelar para agressões. Tive de me defender, mas sem revidar no mesmo nível. Engraçado é que ele ofende e depois reclama na televisão e no rádio que está sendo agredido.

No final da primeira etapa das eleições gerais de 2014, seu adversário, Aécio Neves, apresentou ritmo de crescimento. Isso preocupa?
DR - Eu sigo o meu caminho, levando a nossa mensagem, mostrando que nós mudamos o país e vamos mudar muito mais. No mandato atual, nós não só realizamos o que prometemos na campanha de 2010 como fomos além, criando novas ações e programas. Por exemplo, o Pronatec. Já temos mais de 8 milhões de matrículas em cursos de formação e qualificação profissional. Se for reeleita, serão mais 12 milhões de vagas nos próximos anos. Isso ajuda o trabalhador a se qualificar e a conquistar melhores salários, e contribui para elevar a produtividade da nossa economia. Nós não havíamos prometido em 2010 criar o Mais Médicos. E criamos, contratando mais de 14 mil profissionais, que dão atendimento a 50 milhões de pessoas que antes não tinham acesso a serviços médicos básicos. Tampouco havíamos falado no Ciência sem Fronteiras, que hoje leva mais de 100 mil jovens ao exterior, para estudar nas melhores universidades do mundo.

Qual, entre os estados em que sua candidatura foi derrotada (1º turno), houve maior surpresa ou maior frustração? Por quê? E o que será feito para reverter o resultado?
DR - Minha candidatura foi a vencedora em 15 Estados. Em boa parte dos estados em que não venci, tive uma boa votação, ficando próxima do primeiro colocado. Estou confiante de que no segundo turno ela vai subir ainda mais. Sinto as pessoas cheias de energia, muito mobilizadas e confiantes na vitória. Para mim, isso é motivo de uma alegria imensa. Nosso povo sabe que a vida dele mudou muito nos últimos 12 anos. E quer mudar mais, o que é muito bom, porque a gente sempre deve querer mais.

Se eleita, qual a sua prioridade para cada uma das regiões?
DR - Antes de entrar neste item, gostaria de dizer: a Educação será nossa prioridade nacional, ou seja, das cinco regiões. A Educação estará no centro de tudo, da creche à pós-graduação. Em relação às regiões, vou falar de pelo menos uma ação em cada uma.

No caso do Norte, vamos fomentar ainda mais as atividades produtivas sustentáveis, fortalecer indústrias limpas, especialmente as que agreguem valor às matérias primas da região e intensificar o combate ao desmatamento. Desde 2004, já reduzimos a área de derrubada de floresta em 80%. No ano que vem vamos passar a utilizar tecnologia que permite a detecção de desmatamento a partir de 5 hectares (até agora, eram 25), facilitando a interrupção.

Nordeste – Nossas prioridades são concluir as obras da Ferrovia Transnordestina e de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste. Vamos, finalmente, resolver um problema que já preocupava o imperador D. Pedro II. Serão beneficiados 12 milhões de habitantes de 390 municípios. O Nordeste vem crescendo acima da média nacional, com projetos estruturantes como estaleiros, refinarias, novos polos industriais e vai continuar assim para que sejamos capazes de reduzir as desigualdades regionais e o Brasil seja um país mais harmônico.

Centro Oeste – Será a conclusão da Ferrovia Norte-Sul, iniciada em 1986, mas que tinha, até 2002, pouco mais de 200 km concluídos. No novo mandato vamos completar a obra, de 4 mil km de extensão, que atravessa o Centro-Oeste, mas liga as cinco regiões do país, do Maranhão ao Rio Grande do Sul. Estamos avançando também na Ferrovia Interoceânica, que abrirá um acesso direto ao mercado da Ásia. Este projeto com o Peru, tem uma participação relevante da China, reduzindo o custo do transporte e impulsionando o agronegócio do Centro-Oeste.

Sudeste – Manteremos fortes investimentos em mobilidade urbana, concluindo as obras em andamento sobretudo nas capitais e dando início a várias outras. Cito a implantação dos BRTs, a ampliação das linhas dos metrôs, o Rodoanel de Santos e o de São Paulo, o Arco Metropolitano do Rio de Janeiro e a modernização do Anel Rodoviário de Belo Horizonte. A indústria dinâmica e os serviços de ponta da região serão fortalecidos, como as demais regiões pela nossa política de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Sul – Uma das principais ações será o investimento pesado em infraestrutura logística, isto é, em sistemas, vias, terminais e meios de transportes. Dentro desse item, um dos principais será a conclusão da segunda ponte sobre o rio Guaíba, ligando Porto Alegre ao Sul do Estado. O fortalecimento de estaleiros, novos polos industriais e na cadeia do agronegócio regional, e da forte agricultura familiar dará um grande impulso ao pujante Sul do país.


RODAPÉ –
A íntegra desta entrevista está disponível no site www.centraldediarios.com.br
Entrevista exclusiva disponibilizada para publicação em 135 diários que formam a rede Associação dos Diários do Interior (ADI Brasil) e Central de Diários do Interior (CDI), somando 4 milhões de exemplares/dia e com potencial para atingir 20 milhões de leitores. A força do interior naintegração editorial.

 

Tivemos uma disputa intensa, com alguns picos de tensão, mas tudo dentro do embate democrático.

 

 

Créditos: Ichiro Guerra

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