quinta-feira, 23 de Outubro de 2014 05:19h Atualizado em 23 de Outubro de 2014 às 05:29h. Lorena Silva

“A nossa vida, tanto a vida política quanto a vida de cidadão comum, é sempre estar trazendo desafios a cada dia”

A caminho do seu sexto mandato na Câmara dos Deputados

A caminho do seu sexto mandato na Câmara dos Deputados, Jaime Martins recebeu nessa eleição 31.670 votos em Divinópolis, 15 mil a menos do que na eleição de 2010, tendo perdido votos também em Minas, sendo 21 mil a menos se comparado à última eleição. Deixando como segundo plano seus compromissos na Câmara, Jaime nos recebeu para avaliar a sua perda de votos, apresentar o que ainda pode trazer para a cidade – mesmo após vinte anos na Câmara – e nos dar sua opinião sobre questões importantes para Divinópolis.
 

 

 

 

 

Nessa eleição, o senhor teve uma perda de votos em Divinópolis e também no Estado, de forma geral, com relação a 2010. Qual a avaliação que o senhor faz dessa perda de votos?
Eu queria, em primeiro lugar, agradecer todo o povo de Divinópolis, ao povo principalmente da região Centro-Oeste, por mais uma vez renovar a sua confiança, me dando mais um mandato de quatro anos, entregando a sua representatividade de forma tão majoritária. E os resultados das eleições foram muito bons, estou muito feliz com esse reconhecimento, sobretudo com a demonstração de tamanha confiança.
Muito obrigado ao povo de Divinópolis pela maneira como me acolheu durante a campanha, de todos os municípios vizinhos. Agradeço a todos que participaram do processo, a todos da justiça eleitoral, a todos os mesários, que trabalharam no dia da eleição, dedicando um dia de esforço pela democracia no Brasil.
Nós tivemos nessa eleição, aqui em Divinópolis, um fato atípico, que certamente influenciou de sobremaneira os números finais. Um deles foi o fenômeno da biometria, que trouxe vários prejuízos para os números eleitorais. O primeiro deles foi o recadastramento. Esse recadastramento não foi feito pela totalidade dos eleitores, que certamente não receberam a informação adequada no tempo certo.
Com isso, nós tivemos uma redução no número de eleitores em Divinópolis, caso único nas cidades que são crescentes, como Divinópolis. Nós tivemos, em 2010, mais de 154 mil eleitores. E em 2014, é apenas 152 mil, quando o normal era uma previsão de um crescimento em torno de 10% dos eleitores, em quatro anos. O número razoável de eleitores aqui em Divinópolis é de se pensar entre 170 e 175 mil eleitores.
Então, daí decorre já o primeiro prejuízo. Porque me encontrei com muitas pessoas durante o dia da eleição que foram votar com o título antigo, imaginando que não seria necessário o recadastramento. Principalmente os eleitores mais idosos, que recebiam a informação de que não precisavam de se recadastrar. Naturalmente esse foi o primeiro prejuízo para os números eleitorais.
E depois, a própria biometria. Tivemos problemas muito graves em vários pontos de votação. Posso citar como exemplo aqui o próprio local onde eu voto, que é na Faced, eu votei muito rapidamente. Não gastei mais do que dois minutos para votar. Já a minha mãe, mais idosa, entrou para uma fila de idosos e ficou várias horas na fila. E eu que a estava acompanhando, pude presenciar a irritação das pessoas que participavam daquela fila. Colocaram na mesma urna praticamente o mundo inteiro de votantes idosos, somados a votantes não-idosos, que naturalmente tiveram uma demora muito grande. Isso fez com que muita gente deixasse de votar.
Acho que em todos os locais de grande votação nós tivemos problemas. E isso resultou em uma abstenção maior, pessoas que deixaram de votar. Isso resultou em votos brancos e nulos também, sem precedentes. As pessoas irritadas, no momento da votação, acabavam por anular o seu voto, por votar em branco ou por não votar. Isso fez com que a votação de todos os candidatos se reduzisse substancialmente. Eu diria que se o processo tivesse sido o processo tradicional, todo mundo poderia ter até 50% a mais de votos do que os votos que foram dados.
Portanto, espero que nesse segundo turno os eventuais equívocos sejam corrigidos. Mas isso faz parte do aprimoramento do processo eleitoral. Porque previam que poderia dar problemas, por isso que não colocaram no Brasil inteiro de uma vez. Estão colocando aos poucos e testando o sistema. Infelizmente, nós aqui em Divinópolis fomos vítimas desse teste, que em parte funcionou muito bem e em parte muito mal. Então, tenho certeza de que a justiça eleitoral saberá tirar desses problemas um ensinamento para corrigir o sistema e que ele possa nas próximas eleições funcionar muito bem no todo.

 

 

 

 

 

Depois de 20 anos na Câmara, o que o senhor pode trazer de novidade aqui para Divinópolis?
A nossa vida, tanto a vida política quanto a vida de cidadão comum, é sempre estar trazendo desafios a cada dia. Por mais que a gente olhe para trás, tendo o sentimento de dever cumprido, a gente olha as nossas estradas da região já bem cuidadas, a [BR] 262 sendo duplicada, a BR-494 sendo bem cuidada em direção a Oliveira e Carmo da Mata, e já estando no processo de iniciar uma reforma aqui em direção a Nova Serrana. A nossa Universidade Federal consolidada, com um número de alunos trabalhando em quatro cursos de graduação, cinco cursos de mestrado, dois cursos de doutorado, o Cefet se consolidando, expandindo.
Recursos do governo federal investidos na educação do jovem e do adolescente da região Centro-Oeste e de Divinópolis. Por mais que você perceba que exista mais de R$ 60 milhões investidos no PAC aqui em Divinópolis, que são recursos importantes que estão fazendo obras em todos os nossos bairros, asfaltando as linhas de ônibus. Por mais que a gente perceba que existam programas habitacionais em grande quantidade sendo implantados em toda a região, notadamente aqui em Divinópolis foram muitas pessoas que receberam as suas casas, suas moradias, tanto no programa Minha Casa Minha Vida, faixa um, em que o subsídio é muito alto, quanto no faixa dois. Muita gente tanto recebeu emprego trabalhando nessas obras quanto muitos receberam um local de moradia e isso é sempre muito importante.
Por mais que a gente perceba todas essas coisas em andamento, e tenha o sentimento de dever cumprido, se a gente olhar para a frente, vê sempre grandes desafios também no futuro. Nós temos problemas muito sérios na nossa região a serem vencidos. Mas temos dois problemas que são gravíssimos e que, por isso, precisam de uma atenção especial. O primeiro deles é o Hospital São João de Deus (HSJD). Nós devemos concentrar hoje toda a nossa atenção na recuperação, na salvação do HSJD, não permitindo que se estabeleça uma desassistência à saúde regional. O São João de Deus é a grande referência na saúde de mais de cem municípios da nossa região.
Uma medicina que chegou a alcançar índices de excelência, com um serviço de alta complexidade. Então, temos que ajudar o Hospital. E, para isso, vai ser preciso, além de recursos financeiros, muito diálogo, muita compreensão, que tem que começar a ser feita com os promotores, que são os interventores, e que eu tenho certeza que são pessoas de bem, que estão buscando fazer aquilo que precisa ser feito. Fazer uma interlocução com os interventores, pegar naturalmente as prestações de contas que esses interventores estão fazendo, avaliar a qualidade dessa gestão e naturalmente estabelecer linhas de diálogo com o corpo clínico.
Dentro do Hospital do Câncer, a gente está aí prevendo para os próximos meses a implantação do segundo acelerador linear, para duplicar e aumentar e trazer de novo a qualidade de ponta para os tratamentos oncológicos, e para todas as outras áreas, a cardiologia, enfim, todas as áreas em que possamos e precisamos ter um serviço de qualidade. Então é um trabalho que a gente está fazendo e quer aumentar agora depois desse período eleitoral.
O segundo grande problema da nossa cidade é nosso Rio Itapecerica. Fomos desatentos com o rio, durante décadas ou séculos e isso a gente chama a atenção da população de um modo geral. Ainda tem gente que joga lixo no rio, o esgoto da nossa casa ainda corre dentro do rio in natura e muita gente descuidou das matas ciliares, das nossas nascentes. Então precisamos de um trabalho a curto prazo, que é a limpeza do rio, a retirada dos aguapés.
Um trabalho de conscientização da população, que a gente faz através das escolas, através dos meios de comunicação. Um trabalho da limpeza e retirada do esgoto de dentro do rio, voltar o rio com a água tratada, o esgoto tratado para que o rio possa voltar a ter vida, a ter peixes, a ter enfim recomposta a sua fauna. E que a gente possa ter um volume de água compatível com um rio dessa dimensão.
Acho que talvez tenhamos que fazer algumas barragens, para evitar que aquela quantidade de água excessiva que vem no período chuvoso e que traz alagamentos, tristeza, morte, traz doenças, ela possa ser minimizada com a água ficando retida nessas barragens. E que no período da seca, quando o volume de água do rio diminui muito, a gente possa soltar essa água que ficou retida, para que ela possa perenizar o rio durante o ano todo. Então esse é um trabalho que nós temos que fazer.
Mas sabemos que no fundo temos vários outros trabalhos. A situação da nossa saúde em Divinópolis ainda continua muito grave, precisamos ajudar na solução da saúde como um todo, temos problemas de infraestrutura que precisamos resolver, problemas de geração de empregos. Então, a gente está procurando conversar tanto com o governo que ainda está governando o Estado para que haja uma sequência de procedimentos de trabalho, como estamos iniciando também um diálogo com o futuro governo que acaba de ser eleito, que está fazendo o seu planejamento, seu plano de governo, está fazendo seus projetos.

 

 

 

 

 

 

O senhor mesmo citou que essas ações, principalmente com relação ao HSJD e ao Rio Itapecerica são as mais urgentes atualmente no município e que devem ser olhadas pelo Executivo. Enquanto parlamentar, como o senhor pode colaborar efetivamente com essas questões?
Na questão do HSJD, eu acho que nós parlamentares podemos ajudar muito. Existe uma intermediação, uma interlocução a ser feita com a Secretaria de Estado de Saúde. Nós fizemos essa interlocução já bastantes vezes, conseguimos os recursos para ampliar o nosso CTI e vamos precisar de recursos para ajudar [a sanar] o déficit que o Hospital vive atualmente. O Hospital chegou a conviver com mais de R$ 3 milhões de déficit mensal.
O déficit hoje anda por volta de R$ 1,2 milhão. E nós temos que buscar esses recursos do governo do Estado e do governo federal. O poder Executivo muitas vezes não recebe automaticamente essas informações. Precisa do parlamentar para abrir as portas, para levar essas evidências, às vezes ao secretário de Estado ou ao Ministro do Estado. Estamos atentos às contratações que são necessárias para fazer repasses adicionais ao Hospital. Então, o trabalho do parlamentar é muito importante, no sentido de ajudar a viabilizar esses recursos e a sensibilizar ministros e secretários e governador, se for o caso.
Em relação ao rio, naturalmente que o foro mais adequado para centralizar essa ação de salvamento é a Prefeitura. A gente vai incentivar, cobrar e ajudar no que for possível o prefeito nas ações para o salvamento do rio. É ele que tem uma máquina administrativa, uma equipe, que poderá ajudar nesse trabalho. Mas sabemos também que o prefeito precisará de recursos. Apenas os recursos da Prefeitura não serão suficientes para fazer todo esse trabalho necessário de salvamento do rio.
É preciso que haja programas ambientais ligados à Secretaria de Estado, ao Ministério dos Estados e também ao Comitê de Bacia, que é um trabalho de recuperação de nascentes, de recomposição de matas ciliares. Um trabalho educativo, para que todos participem, auxiliando de alguma forma, das crianças aos idosos, dos trabalhadores aos patrões, sempre conscientes de que hoje é importante cada ação.
Depois temos que fazer ações com recursos possivelmente do governo federal para fazer a construção dessas barragens. Isso é um volume mais vultoso, mas a Prefeitura deverá se incumbir de fazer esses projetos, porque o poder local é o mais adequado, que está inserido dentro do contexto do problema, é que vai saber qual é o melhor projeto para a salvação do rio.
E nós, parlamentares, vamos buscar esses recursos, seja do governo do Estado, mas muito mais potencialmente no governo federal. São temas que a gente quer tratar para o próximo governo. Salvação do rio, auxílio ao Hospital São João de Deus e os demais temas que são importantes para a nossa população.

 

 

 

 

 

 

 

Ainda com relação ao rio, qual o posicionamento do senhor, enquanto pessoa pública, sobre a concessão do seu tratamento de esgoto ter sido entregue para a Copasa?
Eu me posicionei contrariamente à entrega do esgoto para a Copasa. Isso lá no momento da votação. Sempre que fui consultado, me posicionei contra. Porque eu acho que o ônus para o bolso do cidadão é muito grande. Você ter que pagar quase o preço da água pelo esgoto, sobretudo já tendo uma rede pronta, que foi feita durante cem anos. E essa rede foi entregue para a Copasa e começamos a pagar antes mesmo de que o esgoto pudesse estar sendo tratado.
Para mim não existe falta de coerência maior do que você defender durante todo o tempo o contrato assinado com a Copasa e, no instante em que perde a eleição para o governo do Estado, começa a defender que esse contrato seja modificado. Eu sempre tive uma posição firme contra o contrato da Copasa desde o momento da sua aprovação pela câmara e pela Prefeitura. Então eu não achei a forma da negociação inadequada, confesso que fui contra. Acho que se houvesse uma boa gestão poderia criar um sistema municipal de esgoto e teria que buscar os financiamentos para a construção em órgãos competentes do governo, nos bancos de fomento, para que a gente pudesse ter o nosso saneamento resolvido.
De qualquer forma, o tratamento do esgoto é necessário. Isso já não existe mais discussão. Tratar o esgoto e retorná-lo ao rio tratado é uma questão política de fundo que precisa ser feito. A forma de fazer é que eu teria feito de uma forma diferente. Entretanto, essa lei já está votada, esse contrato já está feito. Então, não adianta a gente ficar também olhando para trás, reclamando e discutindo o que já está feito.
O que nós temos que fazer é tentar que pelo menos se tenha um cumprimento correto do contrato. Ou seja, que a Copasa traga, portanto, seu serviço, aquilo que ela se comprometeu e coloque no nosso tratamento de esgoto o mais rápido possível. Contrato assinado, em um ato juridicamente perfeito, ele tem que ser cumprido.
No primeiro contato que tive com o governador eleito, já tive a oportunidade de mostrá-lo que esses investimentos da Copasa se fazem necessários. E eu tenho certeza de que o governador não se furtará a determinar que a empresa cumpra o que foi combinado com Divinópolis e que invista para tratar o nosso esgoto. Mas isso não é, é preciso que a gente compreenda, só o tratamento de esgoto não vai resolver 100% do problema.
Vai resolver uma parte grande do problema, que é o esgoto. Mas temos ainda resíduos sólidos, lixos que são lançados, temos detritos industriais que ainda são lançados no rio, ou seja, que não vêm através dos canos da Copasa. Nós temos uma interface com a siderúrgica Gerdau, temos uma interface com a FCA, tudo isso precisa ser muito bem fiscalizado.
Diante dessa opinião relativa à concessão, qual o posicionamento do senhor com relação à cobrança da taxa de esgoto que tem sido feita atualmente, equivalente a 50% do valor da conta de água, sendo que a Copasa trata somente 10% do esgoto da cidade?
Eu já me posicionei sobre isso no momento da votação da concessão. Fui contra e sou contra a forma como está sendo cobrado. Acho que não poderia ser cobrado antes do serviço ser feito. Como eu também não acho que os pedágios da MG-050 deveriam ser cobrados antes dos investimentos feitos.
Acho que é uma mordomia muito grande dos concessionários, eles começarem a cobrar, juntarem um volume de recursos e depois investirem nos recursos que é do próprio contribuinte. O próprio usuário é que vai pagar essas reformas. Eu acho que quem quer fazer uma concessão tem que primeiro aportar o seu dinheiro e aí sim passar a ter o retorno pelo investido.
Então, essa forma é uma forma equivocada da qual eu não concordei naquele momento. Mas isso já está feito, se não está por fazer. O contrato já foi proposto pelo município, já foi aprovado pela Câmara. O momento agora é de pelo menos cobrar que aquilo que está assinado seja executado. O contrato seja feito a tempo e que seja rapidamente feito os investimentos necessários para a gente ter 100% do nosso esgoto tratado.

 

 

 

 

 

Qual a avaliação que o senhor faz da atual administração de Divinópolis?
Eu tive uma postura com relação a todas as administrações que passaram por Divinópolis, desde o meu primeiro mandato, e sempre foi uma postura de colaboração. Já tivemos diferentes prefeitos nesses anos e eu procurei colaborar com todos eles. E com todos eles nós deixamos algumas obras importantes para a cidade.
Desde aquela que nós iniciamos pelo Cefet, sempre procuramos estabelecer parcerias com os gestores. E tantas outras obras aí, de quadras em bairros, investimentos de infraestrutura nos bairros, o próprio Capit, o Centro de Assistência ao Trabalhador de Transporte, tantas outras coisas que nós fizemos ao longo do tempo. Então a minha postura é uma postura de um apoio crítico. Aquilo que for necessário à minha atuação para ajudar o prefeito eu estarei pronto para ajudá-lo. Agora, é claro que não quer dizer que eu concorde com 100% do que ele faz ou 100% da maneira como ele age. Sempre que me procurar vou recebê-lo, sempre que me pedir algum auxílio eu levarei ele ao Ministério, à Secretaria, ao governador, ao presidente da República, se for necessário.
Porque a minha função e a responsabilidade que o eleitor me coloca ao ter votado em mim é para ajudar a resolver os problemas da cidade. E essa tem sido sempre a minha postura. Uma postura pró-ativa. Seria talvez muito mais fácil fazer política com proselitismo, apenas falando mal de tudo que está colocado aí. Muitas vezes isso dá mais popularidade.
Mas o nosso compromisso é com o resultado para a população, o resultado de qualidade de vida. Para isso, nós vamos vencer barreiras, seja barreiras ideológicas, seja barreiras políticas. Não é o fato do prefeito votar no candidato que foi o meu opositor que vai me deixar ou impedir de dialogar com ele aquilo que for importante para o município.

 

 

 

Com relação ao governo de Minas, por que o senhor deixou de apoiar o Pimenta da Veiga e mudou o apoio para o Pimentel de última hora?
Não houve essa mudança. Meu posicionamento político em relação ao apoio nessas últimas eleições, e queria deixar isso claro aqui, é que a convenção do meu partido a nível estadual decidiu, por bem, apoiar o candidato, Pimenta da Veiga, o que nós fizemos durante todo o tempo. Todo o meu material de campanha, todas as minhas placas, saíram enfatizando esse apoio. E nós fizemos isso do primeiro ao último dia. Tenho uma relação pessoal com o Pimentel, que decorre da nossa convivência há longo tempo. Ele como Ministro do Estado, eu como deputado, fui a ele muitas vezes para resolver problemas da nossa região e sempre na atuação política dele, a gente criou essa relação pessoal. Ele sempre me recebeu muito bem.
Mas a decisão política do meu partido foi comunicada a ele e eu disse que seguiria o que meu partido decidiu. Até onde sei a sua candidatura aqui em Divinópolis foi capitaneada pelo PT, pelo PMDB, pelo PROS, PC do B. E entre eles os ex-prefeitos, Demetrius e Galileu. Eu militei na trincheira que o meu partido decidiu.
Ao longo da minha vida eu sempre me posicionei de forma honesta e correta, cheguei a Divinópolis com os meus pais ainda criança, e quem é filho de Jaime Martins e Dona Maria não precisa tomar lições de honestidade de pessoas que não sabem o que essa palavra significa. Nunca fui filiado ao PT e [nunca] mudei de posição em função de interesses pessoais. Nem ao longo da minha vida jamais tomei qualquer decisão que permitisse aumentar o meu patrimônio pessoal em função de razões que não sejam razões do meu trabalho e meu esforço. Não sou um político profissional, não sou fingido, não sou mentiroso e não sou um ator mexicano que fica mudando de posição a cada tempo.

 

 

 

 

 

Como o senhor avalia, então, o governo de Pimentel à frente do Estado?
A gente sempre tem esperança em um governo que começa. A expectativa é extremamente positiva, mesmo sabendo da enorme dificuldade pelo qual passam as finanças estaduais. O estado de Minas hoje está em um estado de enormes dificuldades financeiras. A dívida mineira é uma dívida enorme. E é uma dívida que é cobrada na fonte, pelo governo federal.
Uma dívida estabelecida entre o governo FHC, na época o governador de Minas era o Eduardo Azeredo, e esse endividamento tem sufocado muito o estado de Minas. Então, vão ser preciso ações muito fortes. Eu espero que o governo de Minas tenha facilidade com o governo federal para fazer essa renegociação e que a gente possa receber uma atenção muito especial do governo federal.
Nós temos um Hospital Regional em construção que está em um ritmo bastante lento, temos investimentos que precisamos fazer no HSJD, temos necessidade de fazer investimento no programa Caminhos de Minas, temos necessidade de investir na nossa infraestrutura. Espero que o governo federal esteja afinado com o governo do Estado, no sentido de fazer investimentos para a nossa região.

 

 

 

 

Com relação ao segundo turno, o senhor já tem um posicionamento declarado à candidata Dilma. Qual a justificativa para esse apoio?
Em relação ao meu posicionamento com o governo federal, meu apoio para presidente da república, o meu partido – também em convenção no mês de junho – decidiu pelo apoio à presidente, Dilma. Eu sigo também essa orientação partidária de forma clara, até mesmo por tudo que ela já fez pela nossa cidade, por tudo o que esse governo tem feito na nossa cidade: a expansão, o fortalecimento, a consolidação do Cefet, a implantação e consolidação da Universidade Federal de São João del-Rei, mais de R$ 160 milhões investidos no PAC aqui em Divinópolis, os programas habitacionais que já destinaram também milhares de novas moradias em nossa cidade, o grande número de creches e escolas de educação infantil que a nossa cidade também recebeu. Então, poucas vezes, vimos na história um município receber tantos investimentos e tanta atenção do governo federal. E isso não pode ser esquecido.
É verdade que eu tenho uma boa relação com o [candidato a] presidente, Aécio, fui colega dele durante oito anos como deputado federal, depois também por oito anos [com o Aécio] como governador de Minas. Agora, mais quatro anos na condição de senador. A minha relação com o candidato a presidente, Aécio, é uma relação tranquila e muito boa. Não teria dificuldades em apoiá-lo não fosse essa decisão partidária que o meu partido tomou. Claro que existem muitos fatores que regionalmente dificultam essa colocação. Aqui em Divinópolis mesmo o Aécio tem um grupo de puxa-sacos que dificulta muito essa relação em função das benesses que recebem. Eles fazem de tudo para impedir que a gente possa ter uma relação mais estreita com o nosso ex-governador, mas essas coisas não me impedem de tomar posicionamento e, na verdade, a minha posição é em função do meu partido.
Não sou eu que decidi e nem estou decidindo agora. Isso foi decidido em junho pelo partido. Se tivesse que reclamar, teria que ter reclamado naquele momento. Naquele momento não havia expectativa de que Aécio pudesse estar presente no segundo turno. Portanto, eu tenho que acatar a decisão partidária, mesmo reconhecendo os valores do nosso ex-governador.
Sabendo que ele foi um governador extremamente atuante aqui na nossa região. E também não posso deixar de reconhecer o muito que o governo Dilma fez por nós. Se temos estradas boas, estradas federais na nossa região, também temos que agradecer à presidente. E esse reconhecimento a gente não pode deixar de testemunhar, validar e agradecer.

 

 


Sugestões de olhos:
“Eu me posicionei contrariamente à entrega do esgoto para a Copasa. Isso lá no momento da votação. Sempre que fui consultado, me posicionei contra. Porque eu acho que o ônus para o bolso do cidadão é muito grande.”
“Aquilo que for necessário à minha atuação para ajudar o prefeito eu estarei pronto para ajudá-lo. Agora, é claro que não quer dizer que eu concorde com 100% do que ele faz ou 100% da maneira como ele age.”
“Não é o fato do prefeito votar no candidato que foi o meu opositor que vai me deixar ou impedir de dialogar com ele aquilo que for importante para o município.”

 

 

Crédito: Lorena Silva

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