segunda-feira, 13 de Agosto de 2012 10:34h Gazeta do Oeste

Advogado de Roberto Jefferson atuará como a voz do contra no julgamento do mensalão

Os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) terão nesta segunda-feira, diante de si, uma defesa que vai destoar de todas as que já foram ouvidas ao longo do julgamento do mensalão. O advogado Luiz Francisco Barbosa, que defende o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, afirmará, diferentemente dos criminalistas que o antecederam, que a compra de parlamentares para votarem em projetos a favor do governo existiu. E que não seria possível a montagem de um esquema desse tamanho sem o conhecimento do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

 

O advogado afirmou ao Estado de Minas que, por tudo o que foi dito até o momento, o mensalão está mais do que provado. “Houve o repasse de recursos dos bancos para o PT e para as empresas de Marcos Valério e os saques foram efetuados por integrantes da base aliada do governo. Isso é o mensalão”, resumiu ele. Luiz Francisco disse que é muito difícil provar quem foram todos os beneficiários finais, uma vez que os votos dos parlamentares são secretos.

 

 

O envolvimento do ex-presidente Lula no processo também deve marcar a intervenção de Luiz Francisco. Segundo ele, Roberto Jefferson avisou o ex-presidente duas vezes, em janeiro e em março de 2005, que um esquema de compra de apoio parlamentar estava em vigor no Parlamento. Durante a CPI dos Correios, o então líder do PTB na Câmara disse que Lula mostrou-se surpreso e prometeu tomar providências. “A conversa foi testemunhada por ministros, como Aldo Rebelo (Secretaria de Relações Institucionais), e o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Mas nada foi feito”, completou o advogado.

 

O envolvimento de ministros do governo — dois deles integrantes do então chamado núcleo duro — com o suposto esquema de compra de votos também respinga no ex-presidente, na visão do defensor de Roberto Jefferson. O então procurador-geral da República Antônio Fernando de Souza, denunciou os ex-ministros dos Transportes, Anderson Adauto (hoje no PMDB), da Casa Civil, José Dirceu, e da Secretaria de Comunicação, Luiz Gushiken, pela operação. Este último acabou sendo inocentado pelo sucessor de Antônio Fernando, Roberto Gurgel.

 

 

A argumentação de Luiz Francisco baseia-se no princípio da hierarquia. “Quem tem a prerrogativa de elaborar propostas a serem enviadas para o Congresso é o presidente. Logo, o mensalão servia para aprovar medidas pensadas pelo Lula. Ele é copartícipe do processo.” O criminalista disse que já havia levantado essas questões anteriormente tanto com Gurgel quanto com o relator do mensalão no STF, ministro Joaquim Barbosa. “Nenhum dos dois aceitou incluir Lula no processo e deram poucas explicações para isso. Tentarei novamente”. Desde que recebeu alta do hospital, em 5 de julho, após cirurgia de retirada de tumor maligno no pâncreas, Jefferson tem acompanhado os advogados de defesa que se revezaram no púlpito do Supremo e elogiou profissionais que não conhecia.

 

 

 

 

 

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