quarta-feira, 24 de Outubro de 2012 09:06h Gazeta do Oeste

Anastasia promete avaliar pedido de criação de dois memoriais da ditadura em Minas

Integrantes da Comissão Nacional da Verdade se reuniram nessa terça-feira com o governador Antonio Anastasia (PSDB) para discutir o andamento de parcerias na preservação de acervos no estado e apresentar novas demandas colhidas pelo grupo durante audiência pública e encontros com representantes da sociedade civil. Entre os pedidos levados pela comissão à Cidade Administrativa está a criação de dois novos memoriais da ditadura, que seriam instalados em antigos centros de tortura – no Departamento de Ordem Política e Social (Dops), na Avenida Afonso Pena, Bairro Funcionários; e na Delegacia de Furtos e Roubos, na Rua Uberaba, no Barro Preto. Também foi pedido ao governador apoio para a criação de uma comissão na assembleia para tratar exclusivamente dos crimes cometidos no estado durante o regime militar.

“Um dos objetivos desse grupo é conseguir multiplicar os trabalhos e comissões locais de investigação em cada estado para que possamos levantar o máximo de informações possível. Hoje, pedimos ao governador que nos dê as chaves das gavetas para descobrirmos o que for necessário sobre tudo o que se passou de fato em Minas”, pediu o ex-ministro da Justiça e integrante da comissão, José Carlos Dias. O ex-ministro aproveitou o encontro com Anastasia para agradecer a rapidez do governo de Minas para garantir um cuidado melhor com o acervo do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Conedh), onde em junho o Estado de Minas descobriu relatos inéditos de presos mineiros que foram torturados no estado, entre eles a presidente Dilma Rousseff (PT).

O governador garantiu aos membros da comissão total empenho para preservar os acervos e prometeu analisar as possibilidades de transformar antigos centros de tortura em memoriais. “Recebi a solicitação do ministro Gilson Dipp (integrante da comissão e vice-presidente do STJ) para que aqueles arquivos, antes mal acomodados, tivessem um tratamento especial, e assim fizemos imediatamente, transferindo-os para o arquivo público. O material já está sendo catalogado e será digitalizado em breve. Vejo como muito adequadas as ponderações desse grupo sobre a importância de criar novos memoriais e verei com a Polícia Civil, que, claro, precisará de outro imóvel para manter o que está em funcionamento, essa possibilidade”, disse Anastaisia.
 

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