quarta-feira, 2 de Outubro de 2013 06:25h

Audiência Pública sobre o HSJD é realizada e questionamentos não são respondidos

A população divinopolitana e lideranças políticas nos últimos meses estão unindo forças para resgatar um dos principais patrimônios do Centro Oeste de Minas, o Hospital São João de Deus (HSJD). Na segunda-feira, a câmara municipal da cidade tornou cenário

A população divinopolitana e lideranças políticas nos últimos meses estão unindo forças para resgatar um dos principais patrimônios do Centro Oeste de Minas, o Hospital São João de Deus (HSJD). Na segunda-feira, a câmara municipal da cidade tornou cenário de uma audiência pública para saber a origem da crise financeira da instituição, como está funcionando a intervenção vinda do Ministério Público, o futuro da instituição, dentre outros questionamentos.
A solicitação do evento surgiu por parte de uma comissão permanente da casa legislativa. De acordo com o vereador Marcos Vinícius (PSC), que faz parte da comissão, a intenção do encontro é obter a transparência com encaminhamentos práticos. Segundo ele, o povo não quer só retórica, discursos bonitos, nem promessas, e sim ações práticas e, sobretudo um relatório de apresentação daquilo que já foi feito: das responsabilizações daqueles que cometeram improbidade, o que já tem apurado e qual o plano de contingência para que o hospital continue com as portas abertas.
O novo superintendente do hospital, Afrânio Emílio, ressaltou que ao assumir a superintendência, ele fez um pedido de 90 dias para fazer um diagnóstico da real situação da Unidade. Conforme Afrânio Emílio, pequenas ações já estão sendo realizadas. “Ainda estamos em um processo de apuração do contexto atual, isso porque eu como superintendente, junto com a empresa DICTUM, que é a interventora do processo com equipe de multiprofissionais técnicos, estamos fazendo levantamentos e ações com o intuito de garantir o equilíbrio econômico financeiro e garantia assistencial. É de conhecimento de todos que vários serviços ao longo dos meses, foram reduzidos, e estamos na busca da reativação destes, como ortopedia, cirurgia e a questão do cenário econômico. Dentro do que temos condições, nós estamos propondo um escalonamento de atendimentos em todas as áreas, com isso vamos conseguir a sobrevivência para este ano e fazer planejamento para janeiro do ano que vem. Em 90 dias teremos informações mais consistentes”, destacou.    
O promotor de justiça, Dr. Ubiratan Domingues, assegurou que o Ministério Público possui diversos papéis neste caso. Conforme ele, no aspecto das fundações existe uma promotoria especializada que acompanha a regularidade das fundações e a sustentabilidade econômica. “O promotor Dr. Sérgio Gildin é o curador das fundações, hoje ele não está aqui, mas acompanha o andamento desse processo. Foi ele juntamente com a promotoria da saúde patrimônio público que organizaram esta intervenção mais recente no hospital. A partir dessa intervenção nós vamos tentar diagnosticar os problemas de maneira mais real e acompanhar esse grupo de gestão para que faça um planejamento e que as ações possam repercutir na assistência da saúde na região”, abordou.
Para o professor Leonardo Santos, representando o Fórum Pró-HSJD, a saúde é um direito de todos e dever do estado; e que os cidadãos junto com as autoridades, compõem este estado.
A superintendente regional de Saúde do Centro Oeste, Kênia Carvalho estava no encontro representando o governo de Minas, na pessoa do secretário Estadual Antônio Jorge. Ela afirmou que o Estado está ciente da sua responsabilidade quanto à assistência ao cidadão e acrescentou que o Estado está disponibilizando neste momento mais um aporte de um convênio no valor de R$ 1.700.000.     
Os questionamentos levantados estavam relacionados em: Quando começaram aparecer os desfalques do hospital? Existiam realmente pessoas que faziam saque de R$100 mil, R$50 mil na instituição?
Além disso, o advogado Dr. Luiz Otávio que participou da audiência representando a população, parabenizou o Ministério Público pela intervenção. Mas, para a secretária do Estado, ele solicitou que se o Estado não tiver certeza que a corrupção foi estancada, não adianta destinar a verba, uma vez que para ele, este dinheiro será desviado.
Maria Regina, usuária do SUS, ressaltou que as ‘falcatruas’ ocorridas dentro do HSJD não deve se transformar em trampolim político e quanto a apuração dos fatos, ela gostaria que houvesse confisco dos bens dos envolvidos e a devolução dos recursos.
Houve por parte da população também, o pedido para que todas as informações do hospital sejam expostas no site da transparência para os cidadãos acompanhar todo o processo.
Além dos entrevistados, estavam presentes, o secretário municipal de Saúde de Divinópolis, Dárcio Abud Lemos, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Saúde, Denísia Aparecida, o consultor da empresa DICTUM interventora do HSJD, Geraldo Couto, demais vereadores, o deputado federal Domingos Sávio (PSDB), o deputado estadual Fabiano Tolentino (PSD), dentre outros.

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