sexta-feira, 7 de Agosto de 2015 10:36h Atualizado em 7 de Agosto de 2015 às 10:39h. Jotha Lee

Aumento de salários provocam inflamados discursos na Câmara

Vereadores dizem que não há nenhuma possibilidade de reajuste

O destaque dado pela imprensa divinoplitana nos últimos dias sobre o previsível aumento salarial para os vereadores, que entraria em vigor em 2017, provocou uma onda de inflamados discursos na sessão de ontem da Câmara Municipal. O estopim foi a matéria publicada na edição de ontem do Jornal Gazeta do Oeste, dando conta de que o movimento popular Brasil Novo, criado há seis meses pelo empresário Geraldo Barros, já prepara uma onda de manifestação contra o reajuste salarial e o aumento de cadeiras.
A maioria dos discursos foi uma clara tentativa de convencer o eleitor de que os vereadores estão preocupados com a crise econômica e que não pretendem onerar ainda mais os cofres públicos com um reajuste nos próprios salários, bem como aumentando o número de vagas no Legislativo. Embora inflamados, boa parte dos discursos foi demagógica e com o intuito de “jogar para a torcida”, como classificou o vereador Marquinhos Clementino (PROS), autor de um pronunciamento lúcido e coerente.
O vereador Delano Santiago (PRTB) disse que nenhum vereador quer aumento de salário. Assegurou que vai apresentar um projeto reduzindo os atuais salários em 50%, embora esse tipo de proposta seja prerrogativa discricionária da Mesa Diretora. Numa alusão ao levantamento publicado na edição de ontem do Gazeta, que mostrou que um vereador custa mensalmente aos bolsos dos contribuintes R$ 29,9 mil, Delano Santiago admitiu que é um gasto muito elevado. “É muito dinheiro para duas sessões por semana. Sou favorável a trabalhar de graça”, discursou.
Já o vereador Rodyson Kristinamurt se posicionou contra o aumento do número de cadeiras e também disse que é contra o aumento de salário, embora tenha admitido que ser vereador é sua profissão. “Sou contra o aumento de cadeiras não pelo quantitativo, mas pelo qualificativo. Isso aqui não é um bico, é minha profissão”, falou em tom inflamado.
Quem também adotou posição defensiva foi o peemedebista Hilton de Aguiar. Ele disse que é contra o aumento de salário e de novas cadeiras no Legislativo, assegurando que nenhum vereador quer penalizar ainda mais o contribuinte. “Ninguém aqui é a favor de aumento de salário”, garantiu.

 

LUCIDEZ
No meio de tantos discursos demagógicos, houve parlamentar lúcido em seu pronunciamento e, sem querer fazer firula para enganar o eleitor, admitiu que não há como trabalhar de graça. Foi o caso do vereador Marquinhos Clementino (PROS), que admitiu precisar do salário que recebe como parlamentar. “Abri mão da advocacia para ser vereador. Jesus jejuou durante 40 dias e 40 noites no deserto, nas Jesus era santo. Mas eu preciso do meu salário aqui na Câmara. Eu trabalho desde a hora que acordo até a hora que durmo”, ponderou.
Marquinhos Clementino criticou sutilmente os discursos demagógicos que marcaram a sessão. “Não posso jogar para a galera, falando coisas sem nexo nesse microfone. Não sou a favor do aumento de cadeiras. Nove vereadores está de bom tamanho. Quanto ao salário, eu me dou por satisfeito demais, mas, com certeza, se eu tivesse advogando, meu salário seria muito maior. Mas acho que falar em abrir mão de salário, é muito difícil. Não me dou ao direito de ser demagogo, jogar para a galera e ficar fritando os companheiros aqui no plenário. Levando em conta o que o vereador faz, cada centavo que ele ganha aqui é merecido”, sentenciou.
O vereador Edmar Máximo (PHS) também disse que falar em abrir mão de salário é demagogia. “Abri mão de uma empresa depois de 28 anos de trabalho para dedicar tempo integral à vereança. Não posso abrir mão do salário o que eu recebo aqui, pois já abri mão do meu comércio”, assegurou. Máximo alertou para os discursos negando aumento salarial e citando a Bíblia, disse que nada fica oculto. “Precisamos prestar a atenção nas nossa atitudes, no nosso modo de falar, porque nada está oculto. A Bíblia diz que ‘nada há escondido que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a se tornar conhecido’, por que se tiver alguém fazendo alguma coisa camuflada aqui na Câmara, isso pode ser revelado e revelado para a vergonha”, finalizou.

 

Crédito: Geovany Correa

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