sábado, 20 de Outubro de 2012 09:02h Gazeta do Oeste

Baixaria toma conta das campanhas eleitorais em Contagem

A uma semana da eleição que vai definir o prefeito do terceiro colégio eleitoral de Minas Gerais, a baixaria e o clima acirrado de disputa entre dois partidos historicamente aliados – PT e PCdoB – tomou conta de Contagem, na Região Metropolitana. Os eleitores foram bombardeados com panfletos apócrifos contra as duas candidaturas. Ontem, a Justiça Eleitoral, com auxílio da Polícia Militar, apreendeu 5.904 cartas contra o deputado estadual Carlin Moura (PCdoB) na sede do PSB, partido de Leonardo Antunes, candidato a vice na chapa do adversário na disputa, deputado estadual Durval Ângelo (PT). A campanha petista acusa uma armação que seria articulada por parte do PSB, que, rachado, apoia o próprio Carlin.

Os panfletos traziam o depoimento de uma mãe que teria tido o filho de 23 anos morto por overdose em uma rave. Ela relaciona Carlin como um promotor e financiador dessas festas, que teriam consumo de drogas e álcool, e conclama os eleitores a não votarem no candidato do PCdoB, alegando não querer que outras famílias sofram o que ela sofreu. Ao final da carta, pede-se que o leitor tire cópias e repasse a outros eleitores. A acusação é de que o material seria dobrado em milhares de cópias na sede do PSB. A liminar de busca e apreensão foi autorizada pela juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues a pedido da coligação Nossa Contagem, do candidato comunista. No processo, a coligação de Carlin acusa a de Durval de crime eleitoral de propaganda negativa contra ele.

A campanha de Durval já havia sido atingida por material semelhante, igualmente sem assinatura. Em cartas distribuídas no primeiro turno, uma mãe cuja filha teria sido estuprada no Norte de Minas alega que os bandidos ficaram soltos graças à ação do deputado estadual Durval Ângelo à frente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia. Do mesmo modo, o material era uma corrente para ser copiado e repassado. Durval não quis comentar o episódio.

Carlin considerou lamentável a atitude e disse que cabe agora à polícia apurar o crime e punir os culpados. O candidato nega que ataques anteriores a Durval tenham partido de seus aliados. “Da nossa parte, o que está acontecendo é uma campanha propositiva, respeitosa, como vê quem tem acompanhado nosso programa de TV e nossos materiais divulgados”.

A direção do PSB de Contagem disse em nota que o material foi deixado na sede do partido, que é aberta ao público durante o período eleitoral, por uma suposta militante. Diz ainda que o PSB possui dissidentes que apoiam Carlin em seus quadros e que Leonardo Antunes, vice na chapa do petista, vem sofrendo pressões há dias para renunciar ao cargo e criar dificuldades para o candidato. “A direção repudia essa atitude da suposta militante e requer que a Justiça Eleitoral apure com todo o rigor da lei essa ação. A direção do PSB informa ainda que tomará todas as medidas para elucidação dos fatos.”

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