sexta-feira, 6 de Março de 2015 10:47h Atualizado em 6 de Março de 2015 às 10:58h. Jotha Lee

Bispo vai à Câmara pedir participação efetiva dos vereadores na reforma política

Marcos Vinicius é eleito primeiro secretário na vaga aberta por Eduardo Print Junior

A sessão ordinária realizada ontem pela Câmara Municipal foi marcada por dois momentos distintos. O primeiro deles foi a eleição do novo primeiro secretário da Mesa Diretora, cargo que ficou vago no início da semana, com a licença provisória do vereador Eduardo Alexandre de Carvalho, o Eduardo Print Junior (SDD), que assumiu a Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Juventude. O segundo momento foi a presença do bispo diocesano, Dom José Carlos de Souza Campos. Ele abordou o tema da Campanha da Fraternidade para esse ano e pediu maior participação dos vereadores na reforma política. Na história do legislativo municipal, Dom José foi o primeiro bispo a ocupar a Tribuna Livre.
A sessão foi aberta pelo presidente do Legislativo, Rodrigo Vasconcelos de Almeida Kaboja (PSL), que imediatamente convocou a eleição do primeiro secretário. Dois vereadores se candidataram à vaga deixada por Eduardo Print Júnior, porém Hilton Aguiar (PMDB) retirou seu nome minutos antes da votação. Marcos Vinícius Alves da Silva (PSC) ficou como candidato único, sendo eleito com o voto favorável de todos os vereadores.
A presença de Dom José foi marcante na sessão de ontem. Com seu jeito simples, que marca seu caráter e sua conduta, o bispo foi cativante e solícito com todos os presentes. Na Tribuna Livre, explanou sobre o tema desse ano da Campanha da Fraternidade – “Eu vim para servir”. Ele conclamou a todos a participarem com maior efetividade das questões nacionais. O bispo lembrou a importância da reforma política que está sendo debatida pelo Congresso e assegurou que é fundamental a participação dos vereadores nesse processo.

 

AMPLA REFORMA
Em entrevista após o uso da Tribuna Livre, o bispo assegurou que a Campanha da Fraternidade esse ano tem várias bandeiras. “Talvez a bandeira que mais diga respeito a essa Casa [Câmara] é exatamente a reforma política. Se nós queremos um Brasil novo, onde as pessoas, as comunidades, os grupos, os segmentos tenham seu lugar reconhecido, seus direitos respeitados, a vida humana devidamente garantida, nós temos que passar por uma grave, profunda e ampla reforma política, que para nós talvez seja a grande bandeira que temos proposto”, afirmou.
Segundo Dom José a reforma política é a grande meta de diversos segmentos nacionais, incluindo a igreja católica. Ele destacou que o financiamento das campanhas é um dos principais destaques dessa reforma. “Temos que acabar com essas campanhas milionárias, que sobretudo geram corporativismo. Se eu recebo um certo valor como doação de campanha e se eu represento uma parcela da sociedade, é claro que haverá troca de favores. O financiamento de campanha não pode partir das milionárias cifras dos grupos corporativistas, mas partir de pessoa física, com uma cota pré-determinada”, afirmou.
Dom José defende também que haja maior participação e interferência do povo em matérias de interesses nacionais. “Que se dê mais peso e mais valor a isso, de modo que as grandes decisões da nação não sejam tomadas por alguns mas pela nação inteira em forma de expressões de participação, com o plebiscito e o referendo”, analisou.
Sobre sua visita à Câmara para usar a Tribuna Livre, o bispo afirmou que é importante estabelecer parcerias. “Não se trata de ser o bispo, mas acho que qualquer pessoa de bem que se associe à Câmara Municipal ou à outras instâncias de bem, precisa ser bem visto. É preciso que haja mais espaços, mais abertura, quando se trata de propor o bem”, explicou.
Dom José propôs que os vereadores viabilizem em suas bases políticas coletas de assinaturas para serem enviadas ao Congresso em defesa da reforma política. “Isso já será um grande passo. Precisamos de 1,5 milhão de assinaturas para fazer pressão moral sobre o Congresso. Se cada vereador se encarregar de multiplicar essas assinaturas, teríamos um universo bastante grande. Se se consegue ampliar a coleta de assinaturas, já será um grande ganho”, finalizou.

 

Crédito: Jotha Lee

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