sexta-feira, 16 de Novembro de 2012 05:24h Gazeta do Oeste

Caixinha para pagar a multa de petistas condenados desagrada a aliados

Os aliados do PT, tanto no plano político quanto nos movimentos sociais, estão reticentes à ideia de contribuir com uma caixinha para pagar a multa dos petistas condenados no julgamento do mensalão. Ainda falta definir a punição do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP), mas os débitos impostos a José Dirceu, José Genoino e o ex-tesoureiro Delúbio Soares, divulgados na última segunda-feira, passam de R$ 1,4 milhão. “Ninguém nos procurou pedindo nada. Vamos esperar que eles se pronunciem”, disse o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral.

Na quarta-feira, o PT reuniu sua Executiva Nacional para soltar a mais dura nota contra o Supremo Tribunal Federal (STF) desde que o julgamento começou, em 2 de agosto. Apesar dos ataques a um “julgamento político e a uma condenação sem provas concretas”, em nenhum momento o documento oficial fala de caixinha para o pagamento das multas. Quem levantou a tese foi o secretário de Organização do PT, Paulo Frateschi.

Ele confirmou ao Estado de Minas que o partido não pode arcar com o pagamento das multas, já que existem leis específicas para definir como as legendas podem utilizar seus recursos. Mas que os filiados, na qualidade de pessoas físicas, poderiam contribuir. “Eu serei o primeiro a contribuir e toda a direção nacional fará o mesmo. Tenho certeza que contaremos com o apoio de companheiros de outras legendas aliadas e dos movimentos sociais”, completou o dirigente petista.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) lembra que as multas aplicadas até o momento pelo STF ainda poderão ser revistas pelo plenário. E que ainda não está definida também a maneira como esses pagamentos serão feitos. O futuro líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), já adiantou que seu irmão, José Genoino, não tem condições de arcar com o ônus imposto pelo Supremo. “Bens da família não podem ser penhorados. Então, é melhor esperar como isso vai desenrolar para depois definir as ajudas”, acrescentou Teixeira.

RESPONSABILIDADE O presidente nacional da Força Sindical e um dos dirigentes nacionais do PDT, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SP), também afirmou não ter sido procurado por dirigentes petistas pedindo auxílio para o pagamento das multas, mas que, se isso ocorrer, ajudará prontamente. “Tenho uma relação histórica e muito próxima com o Dirceu e o Genoino”, completou.

Interlocutores da União Nacional dos Estudantes (UNE) também confirmaram não terem sido procurados pelo PT para tratar de qualquer assunto ligado ao mensalão ou às multas a serem pagas pelos petistas condenados pelos ministros do Supremo Tribunal Federal. Mesmo assim, de maneira preliminar, descartam qualquer apoio oficial da entidade. Há duas semanas, o presidente da UNE, Daniel Iliescu, deu entrevista à imprensa negando que entidade promoverá eventos públicos de desagravo ao PT. “Quem tem competência para condenar ou julgar é o Supremo Tribunal Federal (STF), e a UNE reconhece esse poder e tem a responsabilidade de respeitar as instituições democráticas”, declarou ele.

O alinhamento automático de aliados do PT nas críticas ao processo do mensalão já provocou momentos de estresse em um passado não muito distante. Poucos dias depois de a revista Veja ter divulgado uma matéria em que o publicitário Marcos Valério supostamente afirmava que Lula seria o verdadeiro chefe do esquema de compra de votos aliados, o PT e os dirigentes dos partidos de apoio ao governo reagiram com uma nota incisiva, afirmando que a oposição estava “querendo promover um terceiro turno das eleições presidenciais e negar os avanços sociais do país nos últimos 10 anos”.

Mas a reação uníssona não foi bem-vista pela base dos partidos. Parte do PMDB, do PSB e do PDT questionou por que as legendas se envolveram em um julgamento que diziam respeito não a elas, mas ao PT. 

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