quarta-feira, 29 de Janeiro de 2014 03:44h Carla Mariela

Câmara Municipal realizará seminário para debater Diretas Já

A casa legislativa de Divinópolis vai propor em meados do mês de fevereiro, com a retomada dos trabalhos dos parlamentares, um seminário para se discutir temas voltados ao movimento conhecido como Diretas Já.

O encontro está sendo ainda detalhado pela Diretoria de Comunicação da câmara que sugeriu a realização do evento em parceria com a Escola do Legislativo de Divinópolis "Dr. Deusdedith Afonso Carrilho".
O presidente do Poder Legislativo do município afirmou que realizar este seminário sobre a redemocratização da política brasileira é importante porque é por meio dessa marca temporal de 30 anos do primeiro grande discurso do movimento popular Diretas Já, que aconteceu na década de 80, que se pode relembrar toda história.
Para Kaboja existem pessoas que viveram e ajudaram a escrever aquele momento e muitas delas tornaram-se figuras proeminentes da sociedade ou são cidadãos que dão um valor diferenciado ao processo político porque ajudaram a conquistar a liberdade que se tem hoje e o direito a escolher seus representantes através do voto direto.
Conforme o presidente da casa, ele teve a oportunidade de acompanhar de perto aquela luta pela redemocratização do país. Para o vereador, foi justamente aquela vontade de fazer uma política nova, mais transparente e que pudesse através da legítima representação popular melhorar a cidade que se tornou candidato. “Tive a oportunidade histórica de ajudar a redigir a Lei Orgânica que é a lei mais importante de um município e estabelecer as novas bases de convivência social e política através da inspiração da Constituição Cidadã de 1988”, ressaltou.
Entretanto, o objetivo deste seminário é o de mostrar para a população que o Poder Legislativo sempre foi à voz do cidadão e que as Diretas Já foi um movimento que pregava o voto direto, ou seja, o povo votando e escolhendo seus representantes para que esses representantes legítimos defendessem os interesses dos menos favorecidos, dos mais espoliados.
Kaboja finalizou dizendo que o Poder Legislativo continuará firme nesse propósito de ser a casa do povo e os parlamentares são as vozes da população dentro de um poder constituído. “O vereador é o legítimo representante do povo e, em seu nome, exerce o poder, direito este garantido pela Constituição Federal fruto direto das Diretas Já”, enfatizou.
O evento será aberto à participação popular. Estudantes das escolas públicas também serão convidados para conhecerem um pouco mais da história recente da política brasileira. “Os cidadãos poderão participar e abriremos também espaço para os questionamentos. Vamos inovar recebendo perguntas que serão respondidas ao vivo pela internet através das redes sociais que a câmara participa, com o twitter e o facebook”, concluiu.
Alguns detalhes sobre as Diretas Já
Baseada nas informações do site da câmara (http://www.camaradiv.mg.gov.br/), o primeiro comício do movimento conhecido como Diretas Já, foi realizado na Praça da Sé, em São Paulo e completou 30 anos no dia 25 de janeiro. O comício foi um marco no processo de redemocratização brasileira.
Quem participou do encontro aponta o movimento como um dos mais importantes do país. Apesar de toda pressão popular, a campanha pelo voto direto para as eleições presidenciais foi frustrada pela rejeição na câmara dos deputados, diante da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) apelidada com o nome do autor do projeto, Dante Oliveira.
O parlamentar que estava representando o Mato Grosso queria alterar dois artigos da constituição de 1.967 para reintroduzir o voto direto na escolha para chefe do país. Mas, no mês de abril de 1984, por 22 votos, a matéria não passou. Com a rejeição da emenda, a saída foi a realização da eleição indireta para presidente da República em 1985.
Uma negociação interna resultou na escolha de Tancredo Neves para a disputa do cargo no lugar de Ulysses Guimarães. Entretanto, o político mineiro que se tornou uma das maiores lideranças das Diretas Já, que teve como vice, José Sarney nem chegou a tomar posse porque morreu em 21 de abril de 1985. Sarney foi quem tomou posse.
Ainda conforme as explicações, o sonho da retomada do voto direto para a presidência só seria possível em 1989, quando os brasileiros elegeram Fernando Collor de Mello.

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