quinta-feira, 2 de Maio de 2013 12:14h Estado de Minas

Campos evita novos atritos com governo federal

 Caruaru (PE) – O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), recusou o convite para participar, em São Paulo, ao lado do provável candidato do PSDB à presidência, Aécio Neves, da festa promovida pela Força Sindical, repleta de críticas à presidente Dilma Rousseff, em homenagem ao Dia do Trabalho. Ele quer evitar novos atritos com o governo federal neste momento. Mas a agenda local não significou, contudo, diminuição no tom de campanha presidencial. Campos aproveitou o feriado de 1º de Maio para testar sua popularidade perante os movimentos sociais pernambucanos.

Potencial candidato à Presidência da República, ele viajou para o interior para reunir-se com trabalhadores do Movimento Sem Terra, dos índios xucurus e quilombolas. Ele aproveitou a visita para introduzir o tema "reforma agrária" na pauta política e acrescentar um novo mote ao seu discurso: "É possível fazer mais". Ao ser indagado o que faria a mais pelo Brasil, respondeu de pronto: "Quem viver verá".

O evento de ontem também é um contraponto do socialista ao discurso dos últimos meses, direcionado aos empresários e à classe média, que aborda a crise econômica, o pacto federativo e a distribuição dos royalties. Ontem, Eduardo quis mostrar que continua transitando bem nos movimentos sociais de esquerda, tradicionais aliados do PT.

A agenda começou cedo, às 9h20, com uma visita ao programa Terra Irrigada, criada no Assentamento Normandia, em Caruaru, no agreste de Pernambuco. O governador andou por um pedaço de terra recentemente arada, ao lado do coordenador estadual do MST, Jaime Amorim, fez anúncios de cisternas e desapropriações de engenhos. O secretário estadual de Agricultura, Ranilson Ramos, reforçou que Pernambuco tinha quintuplicado os recursos para a área, passando de R$ 140 milhões em 2006 para R$ 700 milhões este ano.

Em visita à Fazenda Normandia, como parte das comemorações de 20 anos do assentamento de 40 famílias na região, Campos fez duras críticas à política agrária de tucanos e petistas. “As cidades brasileiras e nordestinas cresceram só Deus sabe como”, disse. “Fazer a reforma agrária não é só uma tarefa do movimento social, é uma tarefa de governos em todos os níveis. Não é apenas dar acesso à terra, é preciso ter políticas que estruturem essa terra”, completou.

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