Candidatos repetem velhos discursos durante sabatina

Presidente da Fiemg Regional diz que não se pode combater o candidato paraquedista

Durante mais de três horas sete candidatos a deputado estadual foram ouvidos ontem no auditório da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), em evento promovido pelo chamado Fórum Permanente, criado por entidades de classe, imprensa, empresários e sociedade civil. O Fórum tem por objetivo levantar discussões políticas e de desenvolvimento, e acompanhar o trabalho daqueles que forem eleitos.
A imprensa foi representada pelos empresários, Fernando Malta (Rádio Sucesso), Fernando Rodrigues (Gazeta do Oeste) e Mayrinck Pinto (Sistema MPA). Poucos empresários participaram, entre eles Ílio Milani e Geraldo Barros. A mesa foi composta pelo presidente da regional da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Afonso Gonzaga, Antônio Rodrigues Filho (Sinvesd), Rogério Farnese (CDL), Ana Lúcia Santos (Soac), Irajá Nogueira (Sindicato Rural) e Macy Luís de Paula (Acid).
Compareceram os candidatos, Adair Otaviano (PMDB), Anderson Saleme (PR), Ângelo Roncali (PR), Edson Sousa (PTC), Eliana Piola (PT do B), Fabiano Tolentino (PPS) e Rinaldo Valério (PTN). O candidato do PSOL, Rogério Pinto, não apareceu, mas sua ausência foi justificada em razão de outros compromissos. A médica, Heloisa Cerri (PV), também justificou sua ausência em função de procedimentos médicos já agendados.
A presença dos candidatos ao evento traz como ponto positivo a mobilização de representações de importantes seguimentos sociais para discutir a política local de maneira ampla. Via de regra, os discursos foram repetitivos, com promessas já feitas e exaustivamente ouvidas pelo eleitor. Poucos foram os candidatos que mostraram novidades em suas propostas, especialmente no sentido de confrontar com o governo do Estado para exigir o que de direito pertence a Divinópolis. “Vamos lutar” foi o que mais se ouviu, expressão que, há tempos, faz parte do dicionário político.

 

 

 

 

 

AVALIAÇÃO
Afonso Gonzaga disse que o encontro atendeu às expectativas e defendeu a redução do número de candidatos. “Foi importante. O objetivo foi alcançado. Ouvir cada candidato, dando a eles oportunidade de expor seu projeto, apesar de que muitos vieram muito mais para uma prestação de contas, muito menos para dizer o que pretendem fazer. Mas esse é um processo que vai se estender até as eleições e acredito que a sociedade divinopolitana entenderá a necessidade de trabalharmos para fazer candidatos que realmente nos representem e não será com nove que buscaremos nossa representatividade. Acredito que nesse trabalho, que se encerrará no dia das eleições, teremos pelo menos dois candidatos prováveis para Divinópolis”, assegurou.
Ele informou que o Fórum Permanente já tem uma pesquisa de intenção de votos para os candidatos a deputado estadual, porém ainda não está definido se o levantamento se tornará público. “É essa a discussão. Nós recebemos ontem [quarta-feira] e temos uma reunião programada para segunda-feira, quando discutiremos a síntese dessa pesquisa, que na verdade mostra o início de um trabalho. Há candidatos que ainda não colocaram sua campanha na rua e seu trabalho não aparece com expressão nessa pesquisa. Mas ela servirá como base de um trabalho que levaremos à sociedade a necessidade e a possibilidade de termos candidatos eleitos”, informou.
Para o presidente da Fiemg, é preciso esquecer a perda de votos para os chamados candidatos paraquedistas e admite que tentar combatê-los é um contrasenso. “No passado nós já fizemos esse trabalho para se votar em candidato da cidade e entendemos que isso é um processo que não cabe, a não ser que tenhamos uma reforma política com o voto distrital. Mas, no momento, isso é impossível, pois os nossos candidatos também buscam votos fora. Nossa preocupação, e pela fala dos candidatos, é que eles terão que sair com um mínimo de 20 mil votos de Divinópolis e isso é um complicador, pois se temos nove candidatos, seriam necessários, no mínimo, 190 mil eleitores da cidade votando em concorrentes de Divinópolis. Temos que tão somente focar naqueles que têm possibilidade de serem eleitos”, finalizou.

 

 

 

 

 

FRASES
“Precisamos garantir verbas para o hospital público, principalmente para seu custeio.”
Anderson Saleme, candidato do PR

“Não podemos transformar a Prefeitura em cabide de emprego para prefeito, vice e derrotados.”
Eliana Piola, candidata do PT do B

“Minas está calada e a região Centro-Oeste está de joelhos. A probabilidade de não termos nenhum candidato eleito é muito maior do que termos dois.”
Edson Sousa, candidato do PTC
“Precisamos sair de Divinópolis com o mínimo de 20 mil votos e temos que buscar votos fora.”
Fabiano Tolentino, candidato do PPS
“O papel do Legislativo é ter coragem para discutir os problemas, coragem de bater a mão na mesa.”
Adair Otaviano, candidato do PMDB
“Sou um dos responsáveis pela construção do hospital público, mas faltou pulso forte para a obra já estar concluída.”
Rinaldo Valério, candidato pelo PTN
“É preciso identificar prioridades e reunir lideranças locais para bater na mesa do governador.”
Ângelo Roncali, candidato pelo PR

 

 

 

 

Crédito: Jotha Lee

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