sábado, 20 de Outubro de 2012 09:04h Gazeta do Oeste

Candidatos tentam manter distância de políticos com imagem negativa em Minas

Em política, dizem que todo apoio é bem-vindo, mas nem sempre a máxima é verdadeira. A simples presença de alguns atuais ou ex-prefeitos na campanha de quem tenta uma vaga no Executivo pode fazer despencar o índice de simpatia da população pela candidatura. Pelo menos esse é o temor dos supostos “apoiados”, que em vez de anunciar, negam qualquer vínculo com as lideranças. Alguns desses renegados são um ingrediente a mais – ou a menos – nas quatro cidades mineiras em que a eleição foi para o segundo turno: Juiz de Fora, Uberaba, Contagem e Montes Claros.

Seja por uma avaliação negativa de governo ou por terem ficado marcados com denúncias ou notícias negativas sobre sua atuação em cargos públicos, esses políticos parecem ser mais usados em propaganda de rivais do que na de candidatos. Em Juiz de Fora, na Zona da Mata, o prefeito Custódio Mattos (PSDB) não conseguiu chegar ao segundo turno das eleições. A rejeição nas urnas reflete a desaprovação de sua gestão à frente da prefeitura e chega aos candidatos que disputam o segundo turno: Margarida Salomão (PT) e Bruno Siqueira (PMDB), que querem distância do tucano.

Tanto que a campanha da petista Margarida tenta vincular Siqueira a Custódio Mattos, enquanto, nos bastidores, o candidato do PMDB trabalhou para ter o apoio do PSDB do governador Antonio Anastasia e do senador Aécio Neves sem ter o prefeito de Juiz de Fora no pacote. Além de a tese da renovação ter pegado na cidade – e Mattos ser um dos três únicos chefes de Executivo que a cidade teve em 30 anos –, o prefeito é cobrado por ter feito promessas de obras pontuais e com prazo em sua campanha de 2008 e não tê-las cumprido.

Em Montes Claros, no Norte de Minas, o candidato Paulo Guedes (PT) diz que Rui Muniz (PRB) tem o apoio do prefeito Luiz Tadeu Leite (PMDB), mas ele nega. A gestão de Tadeu Leite foi alvo da Operação Laranja com Pequi, da Polícia Federal, que investigou fraudes na licitação de merenda escolar da cidade, e teve assessores diretos seus presos. As investigações acabaram anuladas pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que entendeu que o Ministério Público não teria competência para atuar na esfera criminal. Muniz tem um vice do PMDB na chapa, mas nega ter Tadeu Leite como aliado. “Tentam me ligar a ele mas não tenho nenhuma participação na administração nem ligação com o prefeito. Conseguimos mais tempo de TV com o PMDB, que tem gente boa e vai ajudar muito”, afirmou Rui Muniz.

Também do PMDB, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a imagem do ex-governador Newton Cardoso, atual deputado federal, tem sido usada na campanha em vídeos contrários à candidatura do deputado estadual Carlin Moura (PCdoB). O comunista, que durante as articulações para formação de chapa teve o filho de Newton, o Newton Júnior, cotado para vice de sua chapa, evita o tema. “Os meus apoios são partidários. Tivemos vários apoios no primeiro turno e ampliamos mais, temos o PMDB e o PSDB conosco”, afirmou.

Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, o prefeito Anderson Adauto, que deixou o PMDB em agosto, se antecipou e disse que não apoiaria ninguém. Foi derrotado ao tentar indicar um sucessor para a disputa pelo deputado federal Paulo Piau (PMDB), que se tornou candidato. O deputado estadual Lerin (PSB) também não se esforçou para ter o apoio do atual prefeito. Adauto é um dos réus do mensalão, que está sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Foi absolvido do crime de corrupção ativa, mas no julgamento por lavagem de dinheiro a votação ficou empatada e ainda será decidida pelos ministros.

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