sexta-feira, 4 de Dezembro de 2015 11:12h

Carga tributária e juros elevados dificultam desenvolvimento, afirmam palestrantes de ciclo de debates realizado na ALMG

Em evento que abordou a retomada da economia no Estado, crise política brasileira também foi apontada como entrave

A elevada carga tributária brasileira, associada à alta taxa de juros e à crise política brasileira são dificultadores para a superação da econômica do País e a retomada do desenvolvimento. Esse pensamento foi defendido pelos palestrantes do segundo dia do Ciclo de Debates Retomada do Desenvolvimento Econômico, realizado no Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais na manhã desta sexta-feira (4/12/15). Eles participaram do primeiro painel do evento, que discutiu a situação da indústria, do comércio, dos municípios e do emprego em Minas Gerais para a retomada do desenvolvimento. O evento começou na noite de ontem (3).

Para o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial, Lincoln Gonçalves Fernandes, a atividade produtiva no País não sobrevive em um ambiente com taxa de juros, carga tributaria e inflação elevadas. Nesse sentido, um importante passo para a manutenção da atividade produtiva é a retomada dos investimentos.

Segundo ele, o Brasil registrou queda de 14% nos investimentos e a tendência para 2016 é de que essa queda seja de 7%. De acordo com o representante da Fiemg, essa é uma tendência observada em vários setores produtivos. No setor industrial, ele apontou que as quedas na produção chegaram a 7,4 % no País e 7,2% em Minas Gerais, o que, em termos de faturamento, representa 14% a menos. “Em termos de arrecadação de ICMS isso é uma corrosão”, disse.

Nesse cenário, ele disse ser inacreditável pensar que o Estado esteja aumentando a carga tributária. “A solução não passa pela carga tributaria, se não vamos matar o resto da indústria em Minas Gerais. Se não mudarmos a gestão fiscal e o rearranjo das questões tributarias e econômicas não vamos a lugar nenhum”, afirmou.

Fernandes defendeu uma reforma fiscal do Pais, considerada por ele com uma medida recessiva num primeiro momento, mas que pode ser contraposta com medidas de apoio ao crescimento.

O representante da Fiemg também apontou que as despesas com taxa de juros e previdência do governo federal representam 67% do orçamento da União. Ele ainda falou sobre a questão da produtividade ao apontar que um trabalhador coreano produz quase quatro vezes mais que o brasileiro e que o crescimento da folha de pagamento está acima da produtividade. Para ele, retomada do desenvolvimento passa pela redução dos custos de produção e elevação da produtividade.

 

Comércio responde por mais de 60% do PIB de MG

O setor do comércio é o que mais gera emprego, respondendo por 70,87% do PIB de Belo Horizonte e 62% do PIB de Minas Geras, o que representa a circulação de R$ 218 bilhões de reais. A afirmação foi feita pelo presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) e vice-presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL/MG), Bruno Selmi dei Falci. Segundo ele, a inflação está corroendo os salários das pessoas e também o faturamento das empresas, enquanto a alta carga tributária e a burocracia, classificada por ele como insustentável, sufocam a maioria dos negócios.

Para Falci, a crise política brasileira já contaminou a economia e, na sua avaliação, o governo não está incentivando a atividade produtiva, mas sim a atividade especulativa e financeira. “O que pedimos são as reformas da carga tributária, a reforma política e jurídica, a redução das obrigações acessórias, e o incentivo da capacidade de empregos e empreendedorismos. Temos que achar uma alternativa”, defendeu.

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