sexta-feira, 2 de Maio de 2014 06:11h Atualizado em 2 de Maio de 2014 às 06:15h. Carina Lelles

Compra da Refinaria de Pasadena

Domingos Sávio afirma que há “divergências gritantes” em depoimentos de Graça Foster.

A presidente da Petrobras, Graça Foster, disse ontem (30), em audiência na Câmara dos Deputados que a compra da Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), foi um negócio “potencialmente bom”. Porém, ao falar com senadores no último dia 15, ela definiu a compra da refinaria como um “mau negócio”. As contradições foram questionadas pelo deputado federal, Domingos Sávio, que participou da audiência.
De acordo com Graça, a compra da Refinaria de Pasadena foi um negócio “potencialmente bom” até 2008 em função das condições econômicas do período, com crescente consumo de derivados e margens de lucro otimistas. Segundo ela, o negócio tem que ser analisado em dois momentos. O segundo seria pós-2008, quando a refinaria passou a ter baixo retorno para a estatal brasileira.
Para o deputado federal, Domingos Sávio, “há divergências gritantes entre o depoimento que ela prestou no Senado e na Câmara. Lá ela reconheceu o mau negócio que foi Pasadena e aqui ela deu a entender que não foi tão mau assim”. O deputado também questionou a compra dos 50% restantes da refinaria e disse que “o aparelhamento da Petrobras pelo PT trouxe prejuízos.”
Domingos também lembrou que o ex-presidente, Sergio Gabrielli não é funcionário de carreira da Petrobras, como o deputado petista, Fernando Ferro, teimou em dizer ontem em um debate com o parlamentar. Gabrielli é economista da UFBA, filiado ao PT.

 

Valores
Pelas contas apresentadas na audiência pública conjunta das comissões de Fiscalização Financeira e Controle e de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, Graça Foster disse que a estatal brasileira pagou US$ 554 milhões pela refinaria e US$ 341 milhões pela trading com o grupo belga Astra Oil, além de outros US$ 354 milhões que foram gastos com outras aquisições. “A Astra pagou por Pasadena, [em valor] estimado, US$ 360 milhões.”
Segundo ela, o valor pago pelos belgas inclui a aquisição de estoques da refinaria que custaram US$ 104 milhões, além dos pagamentos mensais feitos para elevar a carga de refino, que variava entre 30 a 60 mil barris refinados por dia para 100 mil barris. O dinheiro foi gasto em contratos de serviços e equipamentos. Os números foram levantados por uma Comissão Interna de Apuração da Petrobras, cujo trabalho deve ser concluído nas primeiras semanas de maio.
A presidente da estatal lembrou que a Petrobras investiu US$ 685 milhões em Pasadena e que o negócio resultou em baixas nos anos de 2008, 2009 e 2012, totalizando US$ 530 milhões. “[Isso] porque não fizemos o revamp [investimentos necessários para aumentar o refino para 100 mil barris]. O projeto não foi realizado e não captamos a margem. Ainda houve queda de margem do refino e do consumo.”
Graça Foster explicou que as perdas registradas podem ser revertidas, mas isso dependerá de uma reação do mercado, com melhora da margem de refino e aumento de consumo de derivados. Além disto, a Petrobras, segundo ela, mantém avaliação constante sobre o retorno de investimentos no exterior ou no mercado interno para decidir o que é mais lucrativo para a empresa.
Com informações da Agência Brasil

 

 

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