terça-feira, 16 de Julho de 2013 06:21h Carina Lelles e Carla Mariela

Confusão na desocupação da Câmara

Durante a tarde de ontem foram feitas propostas, não aceitas. O Promotor deixou a frente de conciliação entre o Poder Legislativo e manifestantes que voltaram a ocupar a sede do Legislativo, mas foram retirados do local com ordem judicial. O início da no

Durante a tarde de ontem foram feitas propostas, não aceitas. O Promotor deixou a frente de conciliação entre o Poder Legislativo e manifestantes que voltaram a ocupar a sede do Legislativo, mas foram retirados do local com ordem judicial.

O início da noite desta segunda-feira foi tensa no quarteirão fechado da rua São Paulo. Após a invasão da Câmara, uma ordem judicial foi expedida e os oficiais de justiça estiveram no local para a retirada dos manifestantes. Os profissionais do judiciário contaram com o apoio de cerca de 70 militares.
Aproximadamente 30 manifestantes estavam do lado de fora e tentaram impedir a entrada dos oficiais e da Polícia Militar. Um destes manifestantes, segundo a Polícia Militar, chutou a porta e alguns policiais. Rodrigo recebeu ordem de prisão, resistiu e foi contido pelos militares que o levaram para dentro da sede do Legislativo. “A polícia foi agredida. A pessoa que foi conduzida para a delegacia, chutou a porta e alguns policiais, mas sem nenhuma lesão. Esse manifestante foi contido, retirado do tumulto, conduzido para o Pronto Socorro para ser feito um auto de corpo de delito e depois será levado para a delegacia”, disse o comandante do 23º Batalhão da Polícia Militar, Ten. Cel. Marcelo .
Lá dentro, militares, oficiais e manifestantes entraram num acordo e aos pousos os ocupantes deixaram a Câmara. Do lado de fora eram ouvidos gritos de protestos de pessoas querendo saber o estado de saúde de Rodrigo, além de ofensas contra os vereadores, militares e até mesmo a imprensa que cobria toda a movimentação. “Buscamos a todo o momento o diálogo, a negociação, principalmente com os manifestantes que estavam dentro da Câmara, com eles nós não tivemos problemas, saíram pacificamente, entenderam que era uma ordem judicial e cabia a polícia dar apoio aos oficiais de justiça. As pessoas que estavam aqui dentro saíram pacificamente e infelizmente alguns dificultaram lá fora. Estes manifestantes que estavam de fora da Câmara tentaram impedir a entrada dos oficiais de justiça e a equipe de policiais militares. Foi necessário abrir o caminho para que os policiais pudessem passar com os oficiais de justiça”, ressalta o comandante.
Todo o processo para a desocupação durou cerca de duas horas e, de acordo com a secretária Geral da Câmara, Vanícia Rocha, o desfecho das negociações, entre Legislativo e manifestantes, não foi o esperado. “Abrimos a Casa para discussão, queríamos muito esta participação popular e que entendessem que a Câmara está sempre aberta. Infelizmente todos os acordos apresentados não foram aceitos por uma pequena parte do grupo que acabou atrapalhando essa manifestação que a gente tinha como positiva e teve este desfecho bem negativo”.
Vanícia afirma que a Câmara vai funcionar hoje em horário normal. “Acredito que devemos ter algumas medidas de segurança garantida para o nosso pessoal e também para as pessoas que frequentam a Casa”.
Os manifestantes garantiram que hoje ocuparão novamente a Casa Legislativa e a Polícia Militar está atenta. “A Polícia Militar sempre garante o direito do cidadão de ir e vir, de manifestar e nós estaremos garantindo de forma pacífica, o direito lícito de manifestar, porém os abusos, os excessos terão que ser devidamente tratados”, destaca Ten. Cel. Marcelo.
Já Vanícia afirma que não haverá nova discussão até o fim do recesso parlamentar. “A gente vai ver com a presidência da Casa. Ficou decidido que não haveria mais negociação por como o fato se conduziu. Se tiver nova negociação será somente após o fim do recesso parlamentar”.

Sem acordo

Os manifestantes reuniram ontem, no plenário do Poder Legislativo de Divinópolis, com os vereadores, o promotor Dr. Sérgio Gildin, com o procurador Roberto Franklin e a secretária Geral Vanícia Rocha, para definir oficialmente o horário das reuniões Ordinárias que desde o último encontro estava encaminhado para que ocorresse às 16h.
Os protestantes usaram a tribuna livre para abordar suas opiniões referentes à mudança no horário. Dentre os que usaram a tribuna estavam: a jornalista Maria Cândida, o presidente da União Estudantil de Divinópolis (UED) Felipe Alveoli, a dona de casa Dona Iracy Adão, e Leonardo Santos (representante do movimento).
Maria Cândida afirmou que estava satisfeita de ver Divinópolis acordando e sobre o horário, ela questionou aos vereadores e presentes, se realmente esta mudança de horário precisaria de um estudo. Para ela, se as reuniões começarem às 16 h, quem trabalha, ainda não sairia a tempo do serviço.
Já Felipe Alveoli, destacou que ele estava ali para reafirmar o compromisso das 17h que é o desejo de toda classe estudantil para que a mesma possa estar presente nos encontros Legislativos. “Desde o ano passado, nós ocupamos esta Câmara contra o aumento do salário dos vereadores e também do prefeito. Apesar da pressão popular que ocorreu dentro desta casa, os vereadores votaram mesmo ouvindo a voz do povo. Só esta participação ainda é pouca. Precisamos de uma acessibilidade maior. O que eu tenho percebido é que muitas vezes eles estão usando a fala já se preparando para as próximas eleições”, enfatizou.
Leonardo Santos, representando o coletivo, também disse que o horário das 17h será o ideal para toda a população comparecer. Já Dona Iracy Adão, relatou que gostaria que a reunião permanecesse às 14h. Ela acompanha pessoalmente as reuniões todas a terças e quintas.
O Promotor de Justiça, Sérgio Gildin, que desde o início se posicionou como mediador do movimento #vemprarua, por diversas vezes tentou organizar o debate para que as partes chegassem a um consenso. Contudo, esgotadas todas as possibilidades e contrapropostas, Gildin analisou que: “o movimento caminhou bem até o momento, porém, devido ao fato de não se organizarem e não aceitarem nenhuma das propostas, eu acho por bem não representar mais este movimento. Claro que ninguém é obrigado a fazer acordo com ninguém, mas o Ministério Público tentou de todas as formas mediar a pauta de discussões, mas, infelizmente, não obtivemos negociação. A Câmara Municipal fez a sua parte e abriu um leque de opções porém o movimento teve uma difusão de pessoas durante as reuniões e por não ter um único representante ficou difícil negociar”, ressaltou Gildin.
Ao fim da reunião, o Presidente Rodyson, deixou claro que Divinópolis está à frente de muitos outros municípios com essa abertura em negociar com os manifestantes e abrir suas portas para acolhê-los. Além de esclarecer as dúvidas e anseios da população com relação ao legislativo. “É histórico termos aberto as portas e deixado o manifesto ocupar de maneira ordeira. Não se ouviu falar que houveram negociações tão pacíficas, porém não foi possível chegarmos a um consenso”, finalizou Rodyson.
Logo após este desacordo, os manifestantes invadiram a Câmara novamente.

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