quarta-feira, 8 de Maio de 2013 11:51h Atualizado em 8 de Maio de 2013 às 11:54h. Carla Mariela

Coordenadora do Sind-UTE de Divinópolis e região defende Comendas da Consciência Negra e Educador do Ano

Para Maria Catarina, estas comendas não podem ser retiradas das solenidades da Câmara

Os parlamentares da Câmara Municipal de Divinópolis, em anos anteriores, realizaram homenagens por meio de comendas e títulos no plenário para as pessoas, entidades, as quais já desenvolveram trabalho em prol do município. Nas últimas reuniões, um projeto que visa diminuir as seções solenes, entrou em pauta para votação, porém após vários debates, emendas, o projeto foi aprovado. A retirada de algumas solenidades causou indignação na coordenadora do Sind-UTE, Maria Catarina, que em entrevista ontem (07), a Gazeta do Oeste, relatou que ela é contra a retirada da Comenda Consciência

Negra e da solenidade Educador do Ano.
Maria Catarina, primeiramente, questionou que tipo de democracia representativa o povo está lidando, uma vez que a crítica que ela gostaria de fazer seria de uma forma geral, mas não se esquecendo de citar Divinópolis. Para ela, é preciso que os eleitores ao exercer a cidadania de votar, que estejam atentos aos políticos que eles votam, pois conforme Maria Catarina na verdade eles não estão representando o povo. O que esta lamenta muito é que após a votação, nenhum vereador sequer ligou para ela, principalmente, pela sua luta como educadora na cidade, pela luta junto com o movimento

Raça Mundi, junto com o reinado que para Maria Catarina deve ser respeitado. “Quantos políticos usam o reinado para serem eleitos, eles são até coroados como reis dentro do reinado e despreza esta cultura milenar. Este é o primeiro ponto que eu gostaria de apresentar. Em segundo lugar eu quero afirmar que infelizmente o analfabetismo étnico, racial, social, cultural, histórico, reinou nesta Câmara, eu digo isso não menosprezando a competência de cada um dos vereadores, mas quero aqui repudiar por estar muito contrariada”, afirmou.

Ainda segundo Maria Catarina foi por meio do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva que as normatizações, que os avanços das lutas do negro aconteceram. Ela relembrou o Estatuto da Igualdade Racial, o qual a mesma citou na Câmara no ano passado. Maria Catarina destacou que vai fazer um ano que ela está pedindo que a Câmara viabilizasse ou que algum vereador criasse a lei do Estatuto da Igualdade Racial. Segundo Maria Catarina nenhuma resposta até hoje ante a sua solicitação foi obtida.

A coordenadora acrescentou sobre uma lei assinada por Lula, tornando obrigatório o ensino da cultura afro brasileira e africana nas escolas, a qual para ela foi um avanço enorme a nível nacional. Em contrapartida, Maria Catarina explicou que no dia exatamente que foi publicada a matéria na câmara acabando com a comenda Consciência Negra, a igreja católica beatificou a primeira negra brasileira que poderá ser santa. “Será que os vereadores não tem o conhecimento, desses avanços na política social, da cidadania. Eu tenho que falar isso aqui, porque eu não sou uma militante, uma pessoa que luta pelo oportunismo não. O que me traz indignação é nenhum vereador, nenhum político se pronunciar, políticos que já foram coroados como reis do reinado, sendo que o reinado em nossa cidade vive as traças e eu quero lutar para que esse reinado seja independente politicamente. Eu quero defender tudo que se extinguiu em relação ao povo e que está errado. Quando a Câmara é representativa, ela chama o seguimento para discutir antes. Não houve esta discussão, fomos pegos de surpresas, uma maldade, uma crueldade, mas ainda há tempo, pois está nas mãos deles. Quero colocar um desafio, qual o vereador que vai tentar reverter essa situação montando outro projeto revogando este. Não vou ficar calada, ontem (07) estivemos na Câmara, distribuindo uma carta, esta carta foi enviada para todos os e-mails dos vereadores”, enfatizou.

Na próxima assembleia estadual do Sind-UTE em Minas Gerais, que será dia 05 de junho, Maria Catarina disse que vai publicar uma moção de repúdio, questionando também quais os motivos são estes de o educador não merecer uma homenagem.

A coordenadora reverenciou o ex-vereador Edson Sousa, que colocou em 2006 em discussão, a comenda Consciência Negra, que democraticamente a chamo, época em que houve horas de discussão no plenarinho da Câmara. “Em 2001, Edson Sousa, criou a Semana da Consciência Negra que deveria ser comemorada na terceira semana do mês de novembro, isso virou decreto, eu quero saber se esse decreto também foi anulado?”, questionou.
Maria Catarina reforçou que está na LDB, a lei maior do país em questão de educação, que no calendário oficial das escolas devem ser incluídas o 20 de novembro como o Dia Nacional da

Consciência Negra. “Os vereadores deveriam apresentar projetos de melhorias e promoção da igualdade racial e agora está dando este retrocesso. O mundo já está sabendo, nós nos conectamos com os países africanos, com a fundação Palmares, com o governo federal, e quero dizer que nossa atitude é uma reação étnica pela causa, pela luta, e penso que deve ser reconsiderada. Estamos abertos à conversa e vamos esperar qual o vereador que terá esta disponibilidade para conversar, inclusive até rediscutir o contexto das comendas. É lamentável passar por isso no mês que a escravatura no Brasil completa 125 anos na segunda-feira 13 de maio. Quero contar com o apoio de todos que lutam por uma sociedade mais justa”, concluiu.
Ontem (07), houve a cogitação de que estas duas comendas voltarão a fazer parte das homenagens, com a apresentação de um novo projeto.

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