terça-feira, 5 de Julho de 2011 17:57h Atualizado em 6 de Julho de 2011 às 11:46h. Flávia Brandão

CPI contra o vereador Edson Sousa inicia trabalhos

 

Ontem (4), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI, instalada pela Portaria CM 120/2011, para apurar os fatos que envolvem suposto esquema de corrupção com negociação de cargos junto à Copasa e recebimento de propina da Trancid por parte do vereador Edson Sousa (sem partido) iniciou seus trabalhos. A comissão que tem como presidente o vereador Adair Otaviano (PMDB), como relator o vereador Edmar Rodrigues (PRTB) e como membro a vereadora Heloísa Cerri (PV) ouviu quatro depoimentos sendo eles: cidadão José Venâncio, que trouxe a tona após o uso da Tribuna Livre as denúncias contra o vereador; Ricardo Salgado, atual assessor político do deputado  Domingos Sávio (PSDB);  Roberto Clementino, ex-assessor de Edson de Sousa; e Valdeci Alves de Sousa, irmão do vereador.


A Comissão iniciou seus trabalhos com o depoimento do cidadão José Venâncio, que utilizou a tribuna livre no dia 02 de junho, afirmando ter uma gravação em que o ex- assessor do vereador Edson Sousa, Roberto Clementino, o havia procurado com a proposta de oferecer cargos na Copasa. Dias depois, Venâncio apresentou a toda a imprensa em CD outra denúncia envolvendo no nome do vereador Edson Sousa, agora a respeito de propina da empresa Trancid para compra de votos, em uma gravação envolvendo o irmão do parlamentar e o assessor político Ricardo Salgado, além do tio do prefeito Vladimir Azevedo, Régis Carlos de Faria.


Durante seu depoimento, José Venâncio afirmou que em nenhum momento “denunciou o vereador Edson Sousa”, mas disse que havia sido procurado pelo ex- assessor Roberto Clementino em nome do parlamentar para oferecimento de cargos na Copasa. O cidadão disse ainda, durante o depoimento, que estava com a fita em seu poder - chegou mesmo a exibi-la em mãos – mas se recusou a entregar alegando que iria fazer somente com a autorização do ex-assessor, Roberto Clementino.  A respeito da outra fita que trata sobre propina da Trancid,Venâncio afirma que alguém a depositou na caixa de correios de sua casa, mas náo soube falar quem, apenas que suspeita quem seja, porém não revelou nomes. Durante o depoimento, a vereadora Heloisa Cerri solicitou ao presidente da CPI, Adair Otaviano, que os sigilos telefônico e bancário do cidadão fossem quebrado.


O segundo depoimento foi do ex-assessor, Roberto Clementino, que confirmou que já teve várias conversas informais com o cidadão José Venâncio, mas que nunca ofereceu cargos em nome do vereador Edson Sousa ao cidadão. Clementino disse que na época em que o Projeto 061, entrou em tramitação na Câmara - ou seja, em abril de 2007 -  o qual tratava do repasse do esgoto para a Copasa,  ele não era assessor  do vereador Edson e o parlamentar não era presidente da Câmara.  O ex-assessor apesar de confirmar que teve várias conversas com o cidadão Venâncio disse que não se lembra do conteúdo da conversa, que teve com ele, já que como assessor tinha o costume de conversar com várias pessoas. Questionado se autorizava o cidadão Venâncio a  entregar a fita , o assessor disse que não, visto que não concordava da maneira que a fita havia sido gravado – ou seja sem seu consentimento  – e  que a fita poderia ter sido editada. “ Ele pode ter gravado uma conversa minha e interpretado mal (...)”  Não vou compactuar com uma gravação que foi feita sem a minha autorização.”declarou.


Diante da negativa do cidadão José Venâncio e também do não consentimento do ex-assessor Roberto Clementino o presidente da CPI afirmou que o pedido de busca e apreensão do material seria feito judicialmente.


Ricardo Salgado foi o terceiro cidadão a prestar depoimentos na CPI. Durante a oitiva, o assessor político disse que essa gravação com o irmão de Edson havia sido feita há cerca de cinco anos no intuito de se precaver contra a atitude do vereador Edson Sousa, que tinha o costume de acusá-lo sempre na Câmara Municipal.  O assessor disse que na época era presidente do PR Jovem e motivado por essa questão política gravou realmente a fita, mas nunca trouxe a gravação a público. Disse ainda que apresentou o conteúdo da mesma apenas para  Fausto Barros  e seu filho.  “Eu lembrei do Fausto e mostrei para ele no escritório e nunca mais conversamos a respeito.  Foi a única pessoa que ouviu a fita. A gente estava na mesma linha política (...), a gente era oposição ao governo Demétrius. Mostrei para ele o que deveríamos fazer e não fizemos nada.  ”, declarou.  Ricardo afirmou que o Régis, só participou do início da conversa com Valdeci, mas não permaneceu no local. O assessor finalizou seu depoimento que respondeu com a verdade e que acredita que da mesma forma todos os depoimentos devam ser verdadeiros  “ O mais importante é o que está nessa fita. Descobrir se é verdade, porque se for verdade  o responsável tem que pagar por isso”, finalizou o assessor.


Os trabalhos da CPI foram encerrados com o depoimento do irmão do vereador Edson Sousa, Valdeci Alves de Sousa, que afirmou que as acusações contra o parlamentar a respeito de propina na Trancid não procedem e que foi motivado na verdade por uma briga familiar – que preferiu não revelar, mas disse que há mais de seis anos não tem nenhum tipo de vínculo com o parlamentar. Disse que foi procurado por Ricardo e Régis, e que na verdade o mentor da gravação foi o senhor Régis, que tinha o costume de frequentar sua oficia. O depoente afirmou ainda que os dois o procuraram com folhas para que assinasse com denúncias contra o vereador Edson, mas ele se recusou a assinar, mas eles na sequência começaram a abordar assuntos presentes na folha, sem ele saber que estava sendo gravado.


O presidente da CPI vereador Adair Otaviano disse que os depoimentos serão analisados pelos membros da comissão e posteriormente serão feitas novas convocações, lembrando que ainda foram citados o cidadão Régis e o empresário Fausto Barros, os quais certamente serão chamados para depor. Adair adiantou que devido ao recesso parlamentar os trabalhos da Comissão deverão ser retomados somente em agosto.

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