quinta-feira, 18 de Agosto de 2011 09:37h Flávia Brandão

CPI de Edson Sousa é marcada por impasses entre os vereadores membros da Comissão de Inquérito

Fita com oferecimento de cargos na Copasa foi apresentada aos presentes, mas o conteúdo não pode ser ouvido.

Após 42 dias da primeira reunião, foi retomado ontem (17), na Câmara Municipal de Divinópolis, os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada pela Portaria CM 120/2011 com o objetivo de apurar os fatos, que envolvem suposto esquema de corrupção com negociação de cargos junto à Copasa e recebimento de propina da Trancid por parte do vereador Edson Sousa (sem partido). Estiveram presentes para prestar depoimento, nessa segunda reunião: Régis Carlos Faria, Fausto Barros, e o vereador Edson Sousa (sem partido).


O primeiro depoimento, que estava marcado para as 13 horas, teve início com quase 40 minutos de atraso, visto que o depoente Régis Faria pediu para ouvir a gravação da propina da Trancid - entregue pelo tribuno Venâncio a toda imprensa - a qual ele (Régis) é citado em conversa entre o senhor Valdeci de Sousa (irmão de Edson) e o ex-assessor Ricardo Salgado.  O atraso foi devido ao fato de que a princípio o DVD não se encontrava nos documentos da Comissão. Após sanado o impasse e ouvida a gravação, os membros da comissão começaram o depoimento de Régis Faria, que é tio do prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) e trabalha como representante comercial.
 

Em seu depoimento, Régis Faria disse que “não gravou a fita” e que passou pela oficina do irmão de Edson, no momento em que estavam conversando Ricardo Salgado e Valdeci, que cumprimentou os dois, mas ficou apenas cerca de dois minutos no local e não sabia que estava sendo gravado. Disse que não orientou os questionamentos ao irmão de Sousa. Questionado se era coincidência ele estar justamente no momento da conversa entre Ricardo e Valdeci, Régis disse: “passei por lá”. A respeito da nomeação de sua esposa, Janaína Karla da Silva Biondini, pela Portaria CM072, em abril de 2009, como Chefe da Seção de Controle Patrimonial na Diretoria Administrativa e Financeira, na Câmara Municipal, como algum tipo de favorecimento, Régis não quis falar a respeito e disse: “não respondo perguntas pessoais”.
 

Impasses


Entre o primeiro depoimento e o segundo a reunião foi marcada por um longo impasse entre o procurador do vereador Edson Sousa, o advogado José Carlos de Sousa, a vereadora Heloísa Cerri (PV) e o presidente da CPI, Adair Otaviano (PMDB).  O presidente alegou que o advogado estava interferindo nas perguntas conversando de “forma paralela” com a vereadora Cerri, e que queria conduzir o interrogatório com “lisura”. A vereadora e o procurador indignados afirmaram que as acusações eram sem fundamento e que quem não estava com “lisura” no encaminhamento dos trabalhos era Adair Otaviano, com certo protecionismo ao depoente Régis. O vereador presidente chegou a pedir para que a vereadora Cerri e o procurador mudassem de lugar para não ficarem próximos, os quais se negaram e criticaram o pedido. Além disso, Adair chamou o procurador do Legislativo, Roberto Franklin, para dar esclarecimentos técnicos aos presentes sobre a interferência do procurador nos trabalhos.


Cessadas as discussões internas da comissão, foi aberto o segundo depoimento com empresário Fausto Barros, que é presidente do Diretório Municipal do PMDB. Questionado sobre vínculos de amizade, Barros disse que era amigo de Edson Sousa, que já conversou com Ricardo Salgado umas cinco vezes, mas que não possui vínculos de amizade, e em relação a Régis Faria disse que só o conhece de vista. O empresário disse que realmente há cinco anos, Ricardo Salgado parou na porta de seu estabelecimento comercial perguntando se tinha um computador, pois queria mostrar uma gravação.  Barros disse que tinha o computador e os dois entraram juntos no escritório da empresa para ouvir e saíram juntos, assim que acabaram. O empresário disse que ouviu a fita somente essa vez e que Ricardo que tinha posse do CD. Barros disse que Ricardo não disse qual era a intenção da gravação, mas acredita que “boa intenção não era”. O empresário finalizou dizendo que na época procurou o vereador Edson Sousa para falar a respeito dessa fita com seu irmão.


Finalizando os depoimentos, o vereador Edson Sousa disse que o desentendimento com o irmão Valdeci Alves teve início no ano de 2006, quando ele era presidente da Câmara Municipal e foi procurado para interceder por um sobrinho, que havia sido preso. O parlamentar disse que sempre foi correto e optou por ficar do lado da lei, não usando de poderes públicos para privilegiar o parente.  Essa negativa, segundo Edson motivou o “ódio familiar” do irmão que passou a falar coisas sem fundamento.


A respeito do ex-assessor Ricardo Salgado, o vereador disse que ele foi procurado, quando era presidente do Legislativo Municipal, para arrumar um cargo para uma indicação de Ricardo, mas que se negou e isso provocou a inimizade.  O parlamentar disse que o ex-assessor não tem uma “vida pregressa de bons antecedentes”, que já foi processado porque desacatou sua esposa e agora o ameaçou de morte.
 

Cargos


Questionado a respeito do oferecimento de cargos para o cidadão Venâncio, Edson Sousa disse que o tribuno “gosta de palco”, e faz denúncias infundadas e que ele seria a última pessoa em Divinópolis que iria encaminhar a um emprego, visto que “não competência moral e intelectual”.  Além disso, Edson disse que a Copasa é uma empresa do Estado, que nem o prefeito conseguiria indicar alguém. Sobre o seu ex-assessor, Roberto Clementino, Edson disse que sabia que profissional não tinha defeitos de caráter. 
 

PSDB


O parlamentar enfatizou que tudo foi uma armação do governo do PSDB, que utilizou o cidadão Venâncio, para desviar a atenção do repasse do esgoto para a Copasa, querendo desmoralizar o vereador perante a opinião pública e ele quer que a investigação seja aprofundada trazendo a tona os verdadeiros fatos. “Nunca entrou na minha casa, coisa que não fosse do meu trabalho”, declarou.
 

Nesse contexto de aprofundamento da investigação, Edson pediu uma acareação com Régis Faria, Valdeci de Sousa, Ricardo Salgado e Fausto Barros. Além disso, solicitou que fosse convocada uma série de pessoas como: prefeito Vladimir Azevedo (PSDB); Carlos Eduardo, presidente da Trancid; o jornalista, Walon Delano; os secretários Pedro Coelho e Lúcio Espíndola; o deputado Domingos Sávio (PSDB), o vereador Rodyson do Zé Milton(PSDB); a mãe do cidadão José Venâncio; e o proprietário do estacionamento próximo ao campo do Guarani, José Satiro.  
 

Fita Copasa


A tão esperada fita com suposto oferecimento de cargos na Copasa ao cidadão José Venâncio pelo ex-assessor, Roberto Clementino, foi apresentado aos presentes a reunião, mas o conteúdo estava inaudível. A vereadora Heloísa Cerri pediu que o conteúdo fosse encaminhado para perícia. A respeito das próximas convocações e possíveis acareações, o presidente da CPI, Adair Otaviano, disse que iria analisar com os membros da Comissão e não precisou data das próximas oitivas.
 

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