quinta-feira, 9 de Agosto de 2012 15:57h Gazeta do Oeste

Defesa diz que operações bancárias foram legais

Os três ex-dirigentes do Banco Rural José Roberto Salgado, Vinicius Samarane e Ayanna Tenório não tiveram qualquer responsabilidade na concessão dos empréstimos, que foram lícitos, às empresas do empresário Marcos Valério e ao Partido dos Trabalhadores (PT), que teriam alimentado o caixa para pagamento de propina à base aliada do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em troca de apoio político, conhecido como mensalão. Essa foi a tese apresentada ontem pelos advogados de defesa dos ex-diretores, Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça; Maurício Campos, ex-secretário de Defesa Social de Minas; e Antônio Carlos Marins ao apresentarem suas alegações finais. Entre citações de Rui Barbosa e Fernando Pessoa, os defensores esmiuçaram o processo para apontar o que consideraram ausência de provas que sustentem as acusações de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, apresentadas pela Procuradoria Geral da República.

Com teses idênticas, as defesas frisaram para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), durante o quinto dia de julgamento do escândalo do mensalão, que as transações bancárias ocorreram em 2003, quando nenhum deles tinha assumido função de direção. De acordo com eles, a autorização das transações foi de responsabilidade de José Augusto Dumont, então responsável pelo banco, que morreu em uma acidente de trânsito em 2004. Ao subir à tribuna, o advogado Thomaz Bastos apelou para a consciência dos ministros, pedindo cuidado redobrado com o caso, já que os réus não terão direito a revisão de sentença. “É um julgamento de bala de prata, feito uma vez só, e por isso, como se trata de destinos de pessoas, é preciso um duplo cuidado". Na abertura da primeira sessão do julgamento, na quinta-feira, o Supremo negou pedido de Bastos de desmembramento do processo contra 38 réus, sob a alegação de que no STF os acusados não teriam direito a dupla jurisdição.

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