quarta-feira, 10 de Outubro de 2012 09:21h Gazeta do Oeste

Deputado afirma que Cachoeira tinha sala na Construtora Delta

 O deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), em depoimento prestado na tarde dessa terça-feira à CPI do Cachoeira, reafirmou a amizade de mais de 20 anos com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, revelou que o contraventor tinha uma sala na sede da Construtora Delta, em Goiás, e admitiu ter recebido um rádio Nextel para se comunicar com ele. Após a oitiva, o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), disse que “a relação entre Leréia e Carlinhos Cachoeira é comprometedora e parecida com o caso de Demóstenes Torres.”

 

Ao responder perguntas sobre as interceptações telefônicas da Polícia Federal que apontaram recebimento de dinheiro repassado pelo chefe da organização criminosa, o parlamentar alegou que pediu um empréstimo ao contraventor. Leréia informou que deve R$ 120 mil ao bicheiro. “Não paguei ainda porque ele está na prisão”, justificou. O deputado confirmou que se reuniu com Cachoeira quatro vezes na sede da Delta. Em um desses encontros, disse Leréia, chegou a perguntar ao bicheiro que tipo de negócios mantinha com a empreiteira, mas o bicheio não revelou. “Eu conversava na sacada da Delta. Não achei estranho. Carlinhos é relacionado com meio mundo de gente. Uma vez, perguntei qual é a relação dele com a Delta. Ele não quis falar e eu deixei para lá. É até deselegante. É como perguntar idade a mulher”, comparou.

 

Em gravações da PF durante a Operação Monte Carlo, que desarticulou o esquema criminoso, o parlamentar alerta o amigo das investigações para desbaratar o esquema de jogos ilegais. Cachoeira pede ao deputado, que tem influência no governo de Goiás, que o ajude a afastar alguns policiais e delegados da Polícia Civil do estado. “As gravações estão fora de contexto. Não existe interferência política nisso”, foi a resposta do parlamentar.

 

Prorrogação Antes do depoimento de Leréia, vários integrantes da CPI, dos mais diversos partidos, declararam ser a favor de prorrogar a investigação por 180 dias. O senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP) já encaminhou ofício pedindo a extensão do prazo, que termina em 4 de novembro. Para prorrogar os trabalhos da CPI são necessárias, no mínimo, 27 assinaturas no Senado e 171 na Câmara. A reunião administrativa que ocorreria amanhã foi adiada para a próxima semana. Na terça-feira, uma reunião de líderes, no gabinete do presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), vai decidir o assunto.

 

 

 

 

 

 

 

 

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